Jade: on
Entrei na sala meio desnorteada pelo ocorrido. Em meu nariz ainda estava impregnado o forte perfume de Bernardo. Meu corpo se arrepiou outra vez quando Bernardo o tocou, meu corpo me traiu.
Era apenas um toque e nada a mais que isso. Mas ainda sim, meu coração acelerou, minha respiração ficou ofegante e eu só conseguia pensar nele agora, e no nosso quase beijo. Sou tola? talvez. Odeio como meu corpo reage aos avanços ousados de Bernardo. Ele sabe como mexer comigo e com meu psicológico.
Bernardo estava me atiçando e eu estava caindo em sua armadilha. Meus pensamentos estavam em Bernardo, e em seu sorriso cínico, sacana , lindo e todos os substantivos que possam caracterizar um único sorriso. Era um risco gostar dele, e eu tentava dizer isso para mim mesma, mas mesmo assim meu corpo clamava pelo seu.
Eu estava me deixando levar por um desejo , e se for só desejo que eu sinto por Bernardo ? Talvez seja só isso. Então por que eu sinto uma necessidade de estar com ele ? Por mais que eu não passe muito tempo com ele e que só o vejo na escola, meus pensamentos me guiam até ele até nos meus sonhos mais profundos.
Droga... será que estou mesmo gostando dele ? Com certeza estou.
Minha cabeça estava em outro lugar, não estava conseguindo acompanhar a aula e nem a minha melhor amiga , Lavínia que me falava sobre o seu namoro com Marcelo e em como está perfeito e em como os dois faziam ... bem e bla bla bla. Me poupe dos detalhes. E as horas iniciais , antes do intervalo, passaram rápido. A hora do intervalo era onde eu poderia encontrar o olhar de Bernardo, por mais que eu não queira pensar nele.
E nossos flertes iam acontecendo assim. Mas hoje , só queria pelo menos ter um pouco de coragem para entrar no joguinho sedutor, Bernardo sabia muito bem como jogar. Nesse jogo eu apenas era uma iniciante, já Bernardo conhecia bem todos os seus artifícios
Entrei no pátio sozinha, era assim a maior parte do tempo no intervalo já que Lavínia me deixa de escanteio para ficar com Marcelo. Não a julgo, era seu primeiro namoro e ela também ficou a maior parte do tempo do meu lado quando as coisas não deram certo com Pierre.
Mas uma vez teria que pegar uma mesa , me sentar e esperar um olhar pairar sobre mim. E eu clamava por isso quase todos os dias, era inútil não procurar Bernardo pelo pátio do colégio, já que até meus olhos me traíram quando seguia ele por todos os lugares.
Comecei a comer o meu lanche , que estava bem gostoso pra falar a verdade. Era um sanduíche natural feito por mim mesma , me sinto uma vencedora quando consigo cozinhar algo e ficar gostoso.
Enquanto isso mexia no celular , nas redes sociais para ser mais exata. Mas nada chamava minha atenção.
Minha cabeça girava entre memórias confusas e aquele frio irritante na barriga que só Bernardo conseguia provocar. Notei sua presença do outro do pátio, encostado no parapeito. Eu sabia que deveria desviar o olhar, fingir que ele não era o centro dos meus pensamentos, mas era impossível. Bernardo tinha esse jeito quase magnético que fazia com que tudo ao seu redor parecesse mais devagar.
Meu coração já estava acelerado, e tudo o que eu conseguia pensar era: será que ele vai olhar para mim hoje? Depois do ocorrido de hoje mais cedo é inviável que ele não flerte comigo. E então aconteceu. Aquele olhar.
Ele me viu. E, como se estivesse esperando exatamente por isso, deu aquele sorriso de canto. Não era um sorriso qualquer; era um daqueles que dizia: eu sei o que você está pensando, e você sabe que eu estou pensando o mesmo.
Bernardo : on
O sinal do intervalo tocou , me fazendo agradecer mentalmente. Já não aguentava mais ter que copiar , as pontas dos meus dedos estão ardendo de tanto escrever. Nunca xinguei tanto uma professora em pensamentos quanto essa. Ela simplesmente resolveu passar um assunto de um bimestre inteiro em um dia. Inadmissível isso.
Mais cedo, meu jeito de seduzir fez com que Jade , minha pequena e doce garota , arrepiar. E agora eu estou aqui a encarando comendo seu lanche em uma mesa sozinha. Sinto uma vontade imensa de ir até a mesma. Mas sou contido por Pierre.
- pra onde você vai ? – me questionou .
Apenas aponto para a mesa de Jade.
- tem certeza que quer tentar uma conversa com ela ? – mais um questionamento de Pierre. - Você não pode simplesmente ficar atrás dela o tempo todo. Vai acabar parecendo... desesperado.
- só vou saber se tentar – falei , me levando e bebendo o restinho de refrigerante que tinha na latinha.- E eu não estou desesperado.
Mal sabe Pierre que eu e Jade já estamos conversando. Se bem que só foi alguns flertes. Mas pra mim isso já é um grande passo para falar com ela. Jade parecia tão serena, tão... diferente de todas as outras pessoas com quem já tive esses "jogos". Com ela, não era apenas sobre flertar ou conquistar. Era sobre algo que eu não conseguia explicar.
Por mais que às vezes pareça que eu só a queira na minha cama sem roupa e deixe meus hormônios adolescentes falarem mais alto , carrego um sentimento por ela que a cada dia parece mais forte.
Eu sinto a necessidade de cuidar dela. Isso pode parecer bem gay da minha parte, mas acho que eu a quero pra mim e quero que ela faça parte da minha vida.
Vou até onde Jade se encontrar. Ela parece estar com os olhos fixos na tela do celular e não pareceu notar minha presença. O mundo ao redor parecia desbotar; era só ela e eu naquele momento, e tudo o que eu queria era que ela levantasse os olhos e me visse.
- posso sentar aqui ? – pergunto. Sem pedir permissão, puxei uma cadeira e me sentei à sua frente. Era estranho estar tão perto dela, depois de tanto tempo apenas observando de longe.
- eu diria que não. Mas como você já sentou, não posso te obrigar a sair - falou com desdém. Seu olhar ainda continuava no celular. Tive que segurar um sorriso. Jade tinha esse jeito de ser afiada e inatingível, como se nada pudesse realmente afetá-la. Mas eu sabia que por trás dessa fachada havia muito mais.
Talvez Pierre estivesse certo sobre ter uma conversa com Jade. Talvez ela ainda estivesse magoada. Toda vez que tento me aproximar dela , a mesma me dá uma patada fazendo assim com que eu me afaste.
- ainda não sei o que fiz para merecer o seu desprezo – falo olhando fixamente para a mesma que olha para mim com a mesma intensidade. Em seu olhar vejo um misto de confusão. Talvez ela não estivesse acreditando no que acabou de falar. Porque de fato é verdade , eu tenho me esforçado para pelo menos deixá-la melhor ou força uma conversa carismática, mas só sou retribuído com uma patada. Parece até que fui eu quem a magoei. – foi m*l te incomodar , minha intenção era só conversar.
Levanto da cadeira e a deixo sem explicação. Talvez não precisasse de uma. Enquanto me afastava, podia sentir o peso do olhar de Jade nas minhas costas. Parte de mim queria se virar, insistir, tentar de novo. Mas outra parte, a que estava cansada de me sentir rejeitado, sabia que talvez fosse melhor dar espaço
Por que isso tem que ser tão difícil? Eu só queria entender. Entender por que ela parecia tão empenhada em me afastar, mesmo quando era óbvio que havia algo ali. Algo que nem ela conseguia negar