Bendito seja esse sinal

1375 Words
Bernardo : on Eu sai do refeitório depois da "conversa" nada agradável com Jade. Procurei Pierre em todo lugar mais não o vi , como sempre ele deve ter ido para a biblioteca.Então decido ir para um pequeno pátio que ficava na parte externa do colégio, lá eu poderia respirar ar puro e colocar minha cabeça no lugar.O som suave das folhas se movendo com o vento era quase terapêutico, mas, ao mesmo tempo, não conseguia desligar minha mente. Por que ela me afeta tanto? Eu sei que conseguir de alguma forma seduzir Jade (óbvio sou irresistível ), mas não quero que ela apenas me veja como uma pessoa a qual ela pode se satisfazer. Eu quero que ela me veja como sua pessoa. A pessoa certa que ela tanto procurava. Isso era dificil para que ela pudesse entender? Sei que não sou a pessoa mais adequada para ela , mas tentaria ser por ela. Mas parece que ela não ligar para mim. Eu não sabia como, mas ela havia se tornado mais do que um interesse passageiro. Mais do que alguém que eu queria "conquistar". Me sento em um dos bancos embaixo de uma árvore. Verifico a hora e ainda faltam exatamente 20 minutos para que o sinal tocasse informando que todos devem entrar em suas devidas salas.Coloco meus fones no ouvido e encosto minha cabeça no banco. A música como sempre está no último volume , eu preciso relaxar e pairar todos os meus pensamentos. Eu não queria pensar em nada , apenas deixar a música me guiar.Enquanto o ritmo preenchia minha mente, sinto algo inesperado: um dos meus fones é removido do meu ouvido, com cuidado, quase como um toque suave. - me desculpa por te tratar daquela maneira –. ouço a voz de Jade, baixa e próxima, como se cada palavra fosse um segredo compartilhado apenas comigo. Minha respiração falha por um segundo. Ela está atrás de mim, tão perto que consigo sentir seu perfume e o calor da sua presença. Sua boca está perigosamente próxima ao meu pescoço, e o simples fato de perceber isso faz meu coração disparar. Um sorriso involuntário escapou dos meus lábios, enquanto meu corpo inteiro parecia despertar de um jeito que só ela consegue provocar. - veio atrás de mim para pedir desculpas? – a questionei.. Ela ficou sem graça e sentou do meu lado. Seus olhos encontraram os meus, e, por um instante, parece que estamos no mesmo ritmo. Ela dá um pequeno suspiro e se senta ao meu lado, sua expressão mais vulnerável do que o habitual. - não é o que parece ? – retruca, tentando manter o tom desafiador, mas a insegurança em sua voz a trai. Com um sorriso de canto, olho para ela com carinho, deixando o silêncio preencher o espaço entre nós. Às vezes, não é preciso dizer nada. Por dentro, é como se uma batalha acontecesse. Parte de mim quer provocá-la, arrancar mais dessa vulnerabilidade que ela raramente mostra. Mas outra parte, uma parte maior, só quer protegê-la. É isso que Jade faz comigo: ela me deixa confuso, vulnerável, mas, ao mesmo tempo, me faz querer ser melhor. Por ela. Jade : on Eu tinha sido rude com o mesmo , eu tinha feito com que ele pensasse que eu não ligava pra ele. Mas no fundo eu sei que ligo. No fundo eu sei o que realmente sinto quando o vejo, o quanto o desejo. Em como eu arrepio com o seu toque. Em como meu corpo corresponde a cada um dos seus sentidos. O desejo que crescia em mim era inegável, e o arrepio que seu toque causava parecia se espalhar como fogo Era devastador pensar que ele sempre esteve aqui. No começo em hipótese nenhuma gostei de Bernardo e pelo que falavam dele , dava a entender que ele era mulherengo e sua fama de pegador percorria todos os corredores do colégio. Não tinha como eu gostar de alguém assim. Eu estava cega. Cega de amores por Pierre, a ponto de idealizar uma vida ao seu lado. Na minha cabeça, éramos o casal perfeito. Eu me pegava imaginando como seria nosso futuro, como tudo se encaixava tão bem entre nós. Mas eu fui tola, e é quase lamentável como me enganei. Pierre nunca me viu da forma que eu queria, nunca me tratou com a intensidade que eu precisava. Eu fui tola e é lamentável como me enganei. Mas agora eu poderia dar lugar a uma pessoa que julgo ser melhor que Pierre, não melhor no quesito de ser inteligente, pois isso Pierre ganha de todos. Mas Bernardo sabe como lidar melhor com sentimentos, ele sabe de fato o que quer e vai até o fim para ter o que almeja. E, de algum modo, ele me quer. É esse fato está mais que claro por suas atitudes. Bernardo nunca, nunca , parou de falar comigo por causa das minhas patadas que até pensando agora nelas , me sinto m*l por ter tratado ele m*l. Bernardo sempre voltava, como se soubesse que havia algo mais em mim, algo que nem eu mesma tinha certeza até agora. Com essa linha de raciocínio , bem lógico, sair do refeitório à procura de Bernardo , para pelo menos pedir desculpas por ter o tratado m*l. Minha mente vagava entre arrependimento e desejo enquanto eu saía do refeitório. Meu coração acelerava conforme a possibilidade de encontrá-lo se aproximava. Eu sabia que seria difícil encará-lo, mas a ideia de continuar o afastando era insuportável [...] - sabia que gosto do seu cabelo ? – me fez uma pergunta retórica. Eu apenas neguei com a cabeça e sorri. Há exatamente 20 minutos eu vim até Bernardo para pedir desculpas. Ele foi bem compreensivo e me deixou sentar ao seu lado para observar a grama. Sim , a grama. Eu ri alto quando ele sugeriu isso, achando graça no seu jeito único de encontrar humor nas coisas mais simples. Bernardo tinha um jeito único de ser engraçado e de fazer piadas. Enquanto estávamos ali, lado a lado, em um silêncio confortável, eu o observei mais de perto. Ele passava a mão pelos cabelos loiros e sedosos de um jeito distraído, e pela primeira vez notei algo que nunca havia reparado antes: ele tinha covinhas. Covinhas que apareciam de leve quando ele sorria. Era um detalhe simples, mas que de alguma forma o fazia parecer ainda mais encantador. Bernardo olha para mim, e seu olhar está junto ao meu, não pronunciando nenhuma palavra , apenas acariciou minhas bochechas. . O mundo ao redor pareceu sumir naquele instante.Tudo ficou em segundo plano, e era como se estivéssemos em uma bolha onde só existíamos nós dois. Meu coração disparou. Era como se cada célula do meu corpo estivesse em alerta, captando cada mínimo movimento, cada olhar. Ele começou a se inclinar para mim, e seus olhos alternavam entre os meus e a minha boca. Ali já poderia dizer que estava perdida. Perdida o suficiente para deixar rolar o que eu prestes a que acontecesse. Eu sabia o que estava prestes a acontecer. E, estranhamente, eu queria que acontecesse. Meu corpo inteiro parecia implorar por isso. Por mais que eu tentasse resistir a Bernardo no passado, agora eu me sentia completamente perdida. Perdidamente atraída por ele. Meus hormônios estavam gritando para que eu deixasse aquele beijo acontecer , e por incrível que parece eu também gostaria que acontecesse . Estávamos tão perto um do outro que poderia sentir sua respiração em meu rosto... então nossos narizes se tocaram. O sinal tocou. Informando a finalização do intervalo. Aquele som agudo e irritante que anunciava o fim do intervalo rompeu o momento como uma marreta quebrando o vidro. - porr@ , tinha que tocar logo agora, bendito seja esse sinal – Bernardo resmungou, sua expressão de frustração tão genuína que me fez rir. - Talvez isso tenha sido um sinal de que a gente deva ir para aula – brinquei, tentando aliviar a tensão, enquanto dava batidinhas leves nas costas dele, fingindo estar triste também. Por dentro, minha mente ainda estava no momento que quase aconteceu. Eu sabia que, mesmo com a interrupção, algo tinha mudado entre nós. Algo que, inevitavelmente, não poderia mais ser ignorado.
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