Bernardo : on
Estava tão perto de beija-la. Pude sentir sua respiração desregulada em meu rosto. Pude olhar em seus olhos e ver que ela queria esse beijo tanto quanto eu. Seu desejo era imensurável. Jade está quase totalmente entregue ao momento, mas a m***a do sinal tocou , fazendo com o clima que estava ali presente se desfizesse. Isso me deixou put0 de raiva. Não deixei transparecer minha falta de apreço pelo toque do sinal. Era inevitável não ficar com raiva, mas isso não era culpa de Jade e muito menos minha.
Estou indo para sala - Jade fala. Me lançando um sorriso meigo. Faço que sim com
a cabeça. Não existia nenhuma palavra que eu pudesse dizer. O medo de abrir a boca e só sair xingamentos é maior do que eu. Não poderia deixar com que Jade me visse put0, só por conta que não a beijei.
Observei Jade sair da parte externa do colégio e entrar no corredor. Enquanto eu fiquei sentado tentando entender o porque diabos não a beijei. Isso era o que eu estava almejando faz séculos e ver aquilo que estava em minhas mãos escapulir , me deixou extremamente put0.
Passo uma das mãos em meu cabelo. Sempre quando estou pensativo isso se torna decorrente. Suspirando alto sigo rumo a minha sala . Ainda estou furioso com o acontecido que agora estou martirizando. E procurando entender o que não se dá para explicar. Ia acontecer, mas não aconteceu e ninguém tem culpa disso, nem mesmo o sinal que tocou na hora certa.
[...]
A tediosa aula de inglês passou rápido. Não só a aula de inglês mas todas as aulas são tediosas e não me chamam atenção. Fico me questionando por que tenho que estudar se no meu futuro profissional não vou usar metade dessas matérias. É claro que o inglês é importante para todas as profissões, mas na escola aprendemos só o verbo TO BE e gramática básica, no que isso irá ajudar no mercado de trabalho.
E como um pássaro enjaulado , sai voando para fora da sala de aula, eu queria ir embora do colégio. Estava morto de fome , doido para chegar em casa, mas mesmo assim , preferi esperar Jade em um dos corredores do colégio. Vê-la uma última vez no dia de hoje era o que eu preciso para meu dia ser melhor. Como pode uma pessoa melhorar seu dia apenas por existir.
Eu precisava encontrá-lá e dizer alguma coisa engraçada só para poder ver ela sorrindo. Seu sorriso meigo fazia meu coração bater mais forte. O nosso quase beijo me deixou esperançoso, como se a distância entre nós estivesse diminuindo, ainda que de forma lenta e incerta. Eu gosto dela, e ela sabe o quanto sou caidinho pelo seu jeito.
Meu gostar por Jade começou desde quando a vi com Pierre , eles viviam juntos e eu de longe a observava , tentando decifrar o que a tornava tão especial. No início achei que fosse apenas uma atração física. Porque, put@ que p@rio, seu corpo é perfeito: curvas bem definidas, cintura marcada e pernas que pareciam esculpidas à mão. Será que estou poético demais ?
Antes da amizade de Jade com Pierre, eu nunca tinha reparado nela. Ela sempre esteve ali, mas, de alguma forma, parecia invisível até o momento em que meus olhos finalmente a captaram. Foi como se uma cortina tivesse sido aberta, revelando uma beleza tão deslumbrante que era impossível desviar o olhar. Seu sorriso sutil, a forma como ela passava a mão pelos cabelos... Tudo nela parecia conspirar para me hipnotizar.
Havia algo em seu riso espontâneo, no modo como ela passava os dedos pelo cabelo quando estava distraída, que me prendia a atenção. Eu tinha muita vontade de falar com ela, mas as palavras sempre morriam na minha garganta.
Jade me enfeitiçou de uma forma que eu nunca achei possível. Cada gesto dela parecia um convite para mergulhar em um universo onde só existíamos nós dois. Mas, ao mesmo tempo, eu sabia que esse universo era só uma fantasia minha, uma projeção de tudo o que eu desejava e não sabia se podia alcançar. Agora, sou um t**o por gostar tanto assim dela, sem nem ao menos saber o que ela sente por mim.
Jade : on
Era incrível a sensação de tê-lo bem perto de mim , tão perto que sentir sua respiração calma bate em meu rosto. Eu pude sentir o seu desejo de me beijar e o quanto ficou zangado por não conseguir o que queria. m*l sabe ele que eu também desejava beijá-lo , mas não demonstrei tanto assim. Não sei se deveria deixar esses meus sentimentos aflorarem e fazer com que Bernardo os veja, pois assim ele irá achar que me rendi ao seu charme e a sua insistência de ficar perto de mim.
Eu fiquei perdida em seu olhar que me transmitia confiança. Não era apenas a profundidade de seus olhos, mas o jeito como ele me olhava, como se eu fosse a única pessoa no mundo naquele momento. Eu senti algo por ele, algo que não pude sentir quando beijei Pierre. Era diferente, mais intenso, quase mágico. Meu estômago dava um friozinho de leve, como se pequenas borboletas dançassem em um ritmo que eu não podia controlar.
Fiquei sonhando acordada durante as últimas aulas. Nada poderia me tirar da minha reflexão. Minha mente vagava para momentos que ainda nem tinham acontecido, mas que eu ansiava profundamente que fossem reais.
Escuto o sinal tocar mais uma vez me tirando do transe. De repente, me dei conta de que todos na sala já estavam guardando seus materiais, se preparando para ir embora.Já estávamos no último horário, e eu nem tinha percebido o tempo passar.
Enquanto guardava meus livros na mochila, minha mente não parava de criar cenários possíveis. Será que, ao sair da sala, eu encontraria Bernardo esperando por mim, com aquele sorriso sacana que só ele tem e que sempre fazia meu coração acelerar? Ou será que ele estava frustrado o suficiente com o nosso quase beijo e preferiria me evitar hoje? A dúvida me corroía por dentro, e eu não sabia o que seria mais doloroso: a ausência dele ou a possibilidade de encontrá-lo e perceber algo diferente em seu olhar.
Ansiava por sua presença, como se ela fosse o único remédio para a confusão que tomava conta de mim. Naquele momento, só conseguia torcer para que o destino, ou o acaso, nos colocasse no mesmo caminho mais uma vez.
[...]
Sou a última a sair da sala. Hoje seria o dia de ir andando até em casa, meu pai não vem me buscar já que está ocupado demais com o trabalho.
Enquanto descia as escadas, fui surpreendida por um par de olhos castanhos claros que pareciam me observar com uma intensidade quase hipnotizante. Lá estava Bernardo encostado de uma forma bem sexy na escada à minha espera. Seus braços cruzados e o leve sorriso no canto dos lábios tornavam a cena ainda mais irresistível. Ele parecia tão natural, tão à vontade, como se soubesse exatamente o impacto que tinha sobre mim.
Sem muitas delongas, o destino foi certeiro. Com certeza ouviu minhas preces silenciosas, permitindo-me estar ao lado de Bernardo, mesmo que por alguns instantes. , nem que seja um tempo pequeno.
Admirei ele. Ele era... tão... tão gostoso. Que put@ merd@. Seu corpo era definido, e os músculos dos braços ficavam evidentes mesmo nos pequenos movimentos que fazia. Eu não sabia exatamente o que havia por baixo da camisa, mas, pela forma como ela moldava seu tronco, era quase certo que escondia uma barriga malhada. Cada detalhe dele parecia ter sido desenhado para me provocar, para me fazer perder a compostura. Meu olhar simplesmente não conseguia desviar, como se ele tivesse um magnetismo irresistível que me puxava para mais perto, ainda que só na imaginação.
Sinceramente, estou babando, sem nem conseguir pensar direito. Meu coração acelerava, minhas mãos começavam a suar, e eu sabia que estava entregue a esse fascínio que ele provocava sem o menor esforço.
- não sabia que você gostava tanto do colégio ao ponto de ser a última a sair da sala – falou com um sorriso nos lábios. Eu apenas sorri.
- você não sabe que eu amo esse colégio – falei, com um toque irônico, sem tirar os olhos dele.
Eu gostava desse tipo de conversa descontraída e que me arrancava sorrisos. Gostava de como nós dois demonstramos afeto, mesmo que de maneira indireta, e como o flerte entre nós se dava por meio de olhares que diziam mais do que palavras poderiam expressar.
Seguimos para o portão do colégio. Bernardo me empurrou de leve para o lado e eu fiz o mesmo com ele. Nossos rostos estavam tomados por sorrisos bobos, quase como se estivéssemos em um universo à parte, onde apenas nós dois importávamos.
- Então é isso. Vou para casa – falei, tentando parecer indiferente, mas meu coração estava acelerado.
- mas antes de ir para casa , mereço um beijo – Bernardo disse, com uma expressão esperançosa e um olhar que me desarmava. Ele estava olhando para mim e não sabia o que deveria ser dito , eu queria muito beijá-lo mas não queria parecer atirada a esse ponto. Apenas levantei uma sobrancelha, fingindo manter a compostura.
- claro que merece – disse, indo até ele. Bernardo fechou os olhos, ansioso, e, com um sorriso s****o, eu depositei um beijo suave em sua bochecha. No instante seguinte, ele abriu os olhos rapidamente, com uma expressão incrédula.
- sério isso ? –perguntou surpreso. Eu sei que ele ansiava por um beijo na boca, mas não poderia entregar isso de bandeja para ele. Jamais.
- muito sério. - respondi, com um sorriso maroto no rosto.
Ele se aproximou de mim, sem hesitar, e me envolveu em um abraço apertado. O calor de seu corpo pressionando o meu fez meu coração acelerar ainda mais. Seus braços em minha cintura estavam firmes, mas suaves ao mesmo tempo, como se quisesse me proteger e me fazer sentir a segurança de sua presença. Pude sentir sua respiração próxima, quase como se o mundo tivesse parado ao nosso redor.
- posso falar com você por mensagem? – ele perguntou ainda no abraço, como se quisesse prolongar aquele momento por mais tempo.
- claro que pode , bocó – falei , me separando dele lentamente.. Dando um tchauzinho enquanto o observava mandar beijos para mim.
Sorrir com esse ato. Senti uma alegria boba tomar conta de mim enquanto via ele se afastar. Aquele pequeno gesto, aquele simples adeus, fez meu coração bater mais forte.