O dia na escola foi corrido. Não estava totalmente previsto que a nevasca fosse chegar com antecedência. O pessoal ficou em desespero achando que iríamos ficar presos na escola, o que foi um tanto engraçado de se ver.
Justin não tinha aparecido para me buscar, como prometido, o que eu achei estranho. Mas preferi pensar que ele tinha outras coisas para fazer. Então eu tive que almoçar no refeitório da escola, já estava com saudades de almoçar lá.
— É sério que você não vai mesmo falar comigo? — Justine perguntou, estalando os dedo em frente a meu rosto. — Poxa, eu te disse que tinha meus motivos pra sumir assim do nada. Agora o Shawn, eu não sei.
— Tudo bem, mas você podia ter falado comigo, Tine, éramos melhores amigas. Pelo menos eu achava.
Ela suspirou, me olhando. Mordi minha maçã, olhando aos redores. Eu estava sim com saudades da minha melhor amiga mas eu estava preocupada com o Justin. Talvez seja um pouquinho de saudade, só um pouquinho.
— Eu sei, e eu peço desculpas. — seus braços me abraçaram e eu sorri, não conseguiria aguentar mais.
Estava morrendo de saudades dela.
*
Deitei em minha cama, passando toda a tarde ali. Não tinha nenhuma atividade escolar para fazer ou qualquer outra coisa que me ocupasse, então fiquei em meu quarto ouvindo algumas musicas e lendo. Justin não deu sinal de vida o dia todo e eu estava ficando preocupada. Mesmo que não tenhamos nada sério — se é que temos algo para chamarmos de "algo".
Pensei em ir na casa dele mas eu só sabia a rua que ele morava, não exatamente a casa. Por eu nunca ter o visto aqui, imagino que os vizinhos dele também não o conheça.
— Hailey, estou saindo! Chego pela madrugada, não se preocupa. Tem dinheiro na cozinha, caso você queira pedir algo para comer.
Não precisei responder pois ela sempre sai antes que eu possa responder. Dei de ombros e me levantei da cama. Precisava ver o Justin, queria vê-lo e conversar com ele. Mesmo que não tenhamos nada pra conversar.
Só quero a companhia de um amigo.
— Eu não acredito que você estava cozinhando e não me chamou para comer!
Eu estava fingindo estar brava para Justin, o garoto só ria.
— Poxa, mas eu achei que você não iria vir por conta da neve. Aliás, como achou minha casa?
— Não sei, imaginei que sua casa seria aqui e segui meu instinto de stalker e achei sua casa. Além do mais, eu sabia a rua, só não sabia a casa — bebi um pouco do meu suco enquanto colocava um pouco de comida em meu garfo e comia. — Fiquei preocupada, você nunca faltou aula desde que nos conhecemos.
— Ah, eu só não acordei muito bem. Estava super indisposto. Preferi ficar em casa.
Assinto para ele, terminado de comer. Justin não demorou muito e termina de comer sua comida também. Tomo a liberdade de começar a lavar a louça enquanto Justin arrumava o resto da cozinha.
Nossa tarde estava sendo totalmente agradável. Fiz alguns doces para nós dois e Justin pegou algumas besteiras para comermos - mesmo tendo acabado de almoçarmos.
— Qual filme? — Justin perguntou enquanto procurava alguns filmes na Netflix até que ele parou em "10 Coisas que eu Odeio em Você" e me olhou, nem precisei concordar porque com o sorriso que eu dei junto com o dele foi nossa resposta.
Eu amava esse filme mais que qualquer outro.
Patrick Verona porque não casa comigo?
Tivemos a ideia de fazer uma "cama" no tapete da sala. Colocado três edredons para ficar fofinho e colocamos travesseiros também. Pedi para ele pegar um cobertor pois estava frio e colocamos as coisas em nosso meio para podermos comer.
A tarde passou assim, a gente rindo com o filme e comendo as coisas que estavam ali. Não vou negar dizendo que ora ou outra eu olhava pra ele e percebia ele olhando pra mim de r**o de olho. Isso me deixava estranhamente envergonhada mesmo o olhando também. O tempo se arrastava e eu gostava disso, assim tinha mais tempo para ficar na companhia dele.
Obviamente eu não estava apaixonada por ele, eu até acho isso impossível porque nos conhecemos em pouco tempo e essa coisa de "amor a primeira vista" era bobagem ao meu ver. Mas eu gostava dele, de estar com ele. Era especial ter algum pra conversar e passar o tempo. Mas nada dessas sensações eram relacionado à amor ou qualquer coisa desse tipo.
Justin é uma amizade especial. Apenas isso.
— Eu sei que é muito cedo para esse tipo de pedido mas dorme aqui hoje? — Justin perguntou com calma se virando para mim. Fiz o mesmo e me virei para ele. — Se você quiser, não quero te forçar.
— Eu não sei, sua mãe e seu pai não vão gostar de me ver aqui. Não quero atrapalhar eles.
— Minha mãe vai adorar te conhecer, e meu pai o que tenho haver. — deu de ombros me fazendo rir.
Eu não fazia ideia do que aconteceu ou o quê acontecia entre Justin e seu pai mas isso não era da minha conta.
— Só preciso ligar para minha mãe e avisar, mas ela não vai ficar brava, ok? Vou fazer isso agora, só um minuto.
E assim Justin se levantou indo para algum cômodo da casa. Aproveitei para fazer o mesmo e avisar minha mãe que não iria dormir em casa. Tive que inventar que estava na casa de Justine porque ela não conhece o Justin. Em menos de dois minutos ela já tinha desligado o celular, alegando estar ocupada. Dei de ombros e suspirei, já estava acostumada com isso.
Voltei a me deitar na "cama" comendo um pouco do doce de leite enquanto esperava o Justin voltar.
— Boas notícias! — Justin chegou correndo com um sorriso imenso no rosto.
— Ganhou na loteria e vai me levar para França?
— Não? — o garoto me olhou confuso e riu, negou e continuou a falar. — Meu pai vai virar a noite no trabalho e minha mãe vai dormir na casa de um amiga. Temos a casa só para nós dois!
*
— Você vai queimar a casa, Bieber! — eu falava alto, rindo. — Meu Deus do céu, péssima hora que eu fui deixar você inventar de fazer biscoitinho assado!
— Qual é, eles estão bonitinhos, parece com o biscoito do Shrek. Alguns ficaram sem pernas e sem braços mas estão bonitos. — Eu não sabia que precisava de uma tarde dessas até ter uma.
A forma que o Justin conseguia me fazer rir sem esforço e estava fazendo de tudo para me agradar, era encantador.
Ele é uma boa pessoa.
— Nada m*l para quem quase colocou fogo na casa. — zombei dele, dando um soquinho fraco em seu ombro. Realmente tinha ficado bom.
— Minha mãe faz sempre que pode. Eles ficam melhores com o achocolatado quentinho acompanhado.
—Eu vou acabar m*l acostumada de tanto que estou sendo mimada por você.
— Eu vou adorar mimar você sempre.