— Achei que fosse querer uma carona, está chovendo muito.
Aceitei a carona de Justin e ofereci meus cockies a ele que aceitou e comeu.
— Você nunca vai de carro pra escola, porque? — perguntei me encostando no banco, o olhando. Seu perfil é lindo demais.
— Na verdade, eu sempre vou mas eu acabei batendo com o carro e ele ficou por quatro meses no mecânico. Precisava de uma peça que veio de outro país. — assenti sem falar mais nada, estava chovendo muito e estava bastante frio. Mais tarde com certeza iria nevar.
Justin tinha uma touca verde escuro na cabeça, uma calça jeans escuro, tênis e moleton cinza. E eu uma touca branca com um moletom rosa bebê, uma calça jeans preto e um tênis branco no pé.
— Gostei da sua touca, você fica bem com ela. — digo tímida e baixo. Eu nunca havia o elogiado.
— Você está linda também, gosto de como seu cabelo fica bonito quando está solto. — seu lábios se curvaram num sorriso. Eu senti meu rosto queimar de vergonha. — Quer passar pra comer algo? Temos vinte minutos antes das aulas começarem.
— Eu não trouxe dinheiro, deixa para a próxima. — suspiro meio triste. Não queria que ele ficasse pagando as coisas pra mim.
— Eu ia me oferecer pra pagar pra você mas você fez uma cara então eu prefiro deixar para o almoço. — solto uma risada, ele não desistia. Eu gostava da forma que ele insistia em mim.
As aulas se passaram tranquilamente, sem provocações de Lindsay. As coisas estavam bem demais e eu gostei. Gostava dessa calmaria. Fazia tempo que não me sentia bem na escola.
— Bom, pessoal, como vocês sabem está vindo uma nevasca e como diretora do colégio, não posso deixar a vida de vocês em risco. Então, optei por deixarem vocês em casa por uma semana até que o tempo esteja estável para poderem vir com segurança para a escola.
O horário do almoçar foi louco. As pessoas gritando por que não iria ter aula por uma semana. Eu permaneci quieta porque para mim não era bom fica em casa, era insuportável ficar a todo tempo sozinha sem alguém para conversar. Estranhamente Shawn e Justin sumiram, imagino que Justine tenha viajado com sua mãe e o Shawn deve estar ocupado com seu pai. E eu? Eu fiquei sozinha, literalmente. Minha mãe só trabalhava e era chato não ter alguém para conversar pelo menos por alguns minutos.
•••
O celular da minha mãe só dava caixa postal e eu precisava ir para casa. Seria impossível ir para casa com a chuva e eu estava sem sombrinha já que Justin me buscou em casa, nem passou pela minha cabeça pegar uma sombrinha ou capa de chuva.
— Onde você estava? — escutei a voz do Justin vindo atrás de mim. —Te procurei na escola toda, Hails. — me virei para ele e quase ajoelhei em agradecimento por vê-lo. — Achei que tivesse ido embora nessa chuva. — ele suspirou, e sorriu me olhando. Não pude conter um sorriso para ele.
— Estava tentando falar com minha mãe mas acho que ela viajou ou está com o namorado dela. — dei de ombros. — Não te vi no refeitório no horário do almoço...
— Ah, eu estava tentando ligar para minha mãe. Eu tinha um compromisso agora mas com a chuva e a previsão de nevasca, fica impossível pegar avião. — deu de ombros, suas mãos estavam no canguru do seu moletom. A toca ficava tão linda em sua cabeça. — Quer carona para casa? Era para isso que eu estava te procurando.
— Estou começando a achar que estou te explorando, Justin. — me aproximei dele, também colocando minhas mãos no canguru do meu casaco. — Olha, você deve ter uma namorada e ela não deve estar gostando disso. — um sorriso travesso a formou em seus lábios com sua cabeça tombando para o lado. — Não me olha assim, está me fazendo sentir culpada!
— Não se sinta culpada com isso, eu gosto de te acompanhar e te dar carona. Gosto de conversar com você, eu gosto de estar com você, Hailey. Não se preocupa. — eu paralisei quando Justin se aproximou e selou seu lábio no meu, num selinho rápido. Eu m*l tive tempo para retribuir. Eu queria aquele beijo desde que nos conhecemos. Me chamem de pervertida. — E isso pode provar que eu não tenho namorada.
— Ahn... Justin! — coloquei a mão no ombro dele, sem saber muito o que falar. Embora quisesse muito isso, era estranho estar realmente acontecendo. — A gente está na escola. Isso não... Isso não pode acontecer. — ele me olhou confuso. Então percebi que eu tinha que arrumar isso. — Vamos sair para tomar um chocolate quente? — mexi minhas mãos, as levando para a nuca dele onde começo a fazer um carinho ali.
Essa aproximação toda era totalmente estranha. Eu nunca tinha imaginado que minha mão fosse ficar na nuca dele um dia. Na verdade, nunca passou pela minha cabeça que um dia eu iria estar conversando com o Justin, andando no carro dele, ganhando um selinho dele e com ele me levando pra almoçar todos os dias. Embora quisesse beijar ele, ainda era estranho.
— Eu só vou precisar passar em casa para pegar dinheiro, eu não trago carteira para escola. — Justin revirou os olhos e sorriu. — Não me olha assim, eu me sinto m*l quando você paga as coisa para mim. Poxa, eu ainda posso pagar um chocolate quente para nós dois.
A risada do Justin era linda, ainda mais a risada de deboche dele. Justin me deu um outro selinho para implicar comigo e então fomos para a Cafeteria.
A tarde toda com o Justin foi incrível, ele não queria não só tomar um achocolatado mas queria ir no shopping só para ficar de bobeira. Eu estava precisando relaxar então aceitei ir com ele. Justin era uma companhia incrível, e não te deixava para baixo.
— Eu não aguento comer mais nada, Jay. Eu juro que se eu comer essa batata frita, eu vou explodir. — eu disse respirando fundo, colocando minhas mãos sob minha barriga.
— Você nem comeu o hambúrguer, Hails. — abro os olhos, encarando o Justin que bebia seu refrigerante de uva. — Seu estômago é pequenininho, bae. — fiz sinal para ele fica quieto. — Você quer ir embora?
— Vamos fazer uma coisa antes? — ele respondeu um "claro, o que é?" — Vamos dar esse hambúrguer para um morador de rua? Eu não vou ter coragem de jogar fora.
Foi difícil encontrar um morador de rua perto do shopping, ainda mais com a chuva e o resquício de neve que caiu na madrugada mas com cautela achamos. A moça ficou toda feliz e ficou agradecendo o tempo todo. Nos sentamos com ela, e ficamos falando sobre coisas aleatória, fazendo companhia a ela enquanto ela comia. Sobrou tanta coisa do lanche, batata frita, refrigerante, sobremesa e o próprio hambúrguer que vinha cheio de coisas.
Justin tirou seu casaco e entregou para a moça que tremia com o frio. Esse garoto é um anjo. Eu tirei minha touca e coloquei na cabeça dela, eu tinha mais uma em casa e, no momento, ela precisava mais. Com um pouquinho de custo e seu jeitinho de anjo, Justin conseguiu convencer a mulher de ir para um abrigo. Primeiro ela negou, disse que tinha medo da forma como eles tratavam as pessoas e, realmente, esses abrigos eram muito severos e com descaso porém Justin disse que tinha um, um pouco afastado do centro que tinha poucas pessoas e que eles tratavam bem as pessoas. Parece que ele tinha uma uma tia que trabalhava lá. Nós oferecemos para levar e mesmo com receio ela aceitou.
Eu odiava essa coisa de ainda existir pessoas que moram nas ruas.
— Obrigada por ter ido comigo, eu fiquei muito feliz de ter entregado aquele lanche para a moça. — passei meus braços ao redor do pescoço de Justin, o abraçando apertado. — E o melhor de tudo foi ela ter aceitado ir para o abrigo. Eu não sei como mas você conseguiu convencer a ela.
— Na minha cabeça, enquanto eu tentava convencer ela, eu imaginava que ela não fosse aceitar. Mas, Céus, eu fiquei tão feliz quando ela aceitou. — eu senti felicidade em sua voz e um sorriso se fez também. — Ah, eu tenho um presente pra você.
Ele se desfez do abraço e levou a mão até sua cabeça, tirando sua touca. Meus lábios se abriram num sorriso bobo quando ele colocou na minha cabeça, deixando um beijo na minha testa.
— E você vai ficar com frio? — perguntei baixinho. Não queria que ele ficasse com frio.
— Você fala muito, Hailey.
Suas mãos foram para minha cintura apertando ali, o que fez eu me aproximar mais dele. Meu lábios foram tomados por um beijo calmo, acho que o Justin pensou que ele não fosse querer o beijo então como resposta eu retribuí ao beijo colocando minhas mãos em sua nuca, o puxando mais para mim. Sua língua brincava com a minha de uma forma gostosa, me fazendo sorrir entre o beijo.
Infelizmente tivemos que separar nossos lábios por conta do ar mas isso não impediu Justin de deixar uma mordida leve em meu lábio.
— Seus lábios sempre me disseram que você queria me beijar, Hails. — soltei uma risada, suspirando.
— Você precisa ir, pode começar a chover e você está sem touca e casaco. — ele assentiu, e me deu um novo selinho. — Obrigada pelo dia de hoje, Justin. De verdade. — inclinei meu corpo para frente, beijando sua bochecha.
Fiquei ali, na porta da minha casa, o vendo entrar no carro e girar a chave na ignição pronto para ir embora.
— Eu venho te buscar amanhã, bae.