Dominic entro no carro, o cheiro de ozônio e pólvora ainda pairando no ar.
— Chefe, sobrou um vivo. Pedi mais um carro! O que quer que eu faça? — a voz de Lian assumindo o volante, o tirou do t.r.a.n.s.e.
— Deixe o m.a.l.d.i.t.o com os outros e peça para levarem-no para o lugar de sempre. Agora, corre para a casa do Dr. Jin o mais rápido possível; ela está tendo uma crise de ansiedade — ordenou, a voz fria e focada, apesar da urgência que me consumia. Não havia tempo para rodeios, a segurança de Alicia era a prioridade dele, agora.
— Sim, senhor! — Lian respondeu, a voz firme e a postura obediente. Imediatamente, os seguranças, com a eficiência que Dominic esperava deles, levaram o capanga vivo e os dois corpos inertes. Sem perder um segundo, Lian partiu em disparada rumo à casa do Dr. Jin, a urgência da situação evidente em sua agilidade.
— Respira, Alicia! Logo, chegaremos... — Dominic a acalmou, tentando tranquilizá-la.
Ao chegarem à casa do Dr. Jin, o cenário era de urgência contida. Enquanto Dominic conduzia Alicia, que m.a.l se sustentava, até o sofá mais próximo para acomodá-la, Lian agiu com destreza. Ele se aproximou do médico, que já os aguardava com uma expressão séria.
— Olá, Dr. Jin! Precisamos da sua ajuda. Acredito que ela esteja tendo uma crise de ansiedade — informou Lian, a voz carregada de preocupação, seus olhos fixos em Alicia.
Dr. Jin, um homem experiente e sereno, se aproximou e analisou a situação, percebendo a tensão no ambiente.
— Olá, Dominic! O que houve?
Enquanto Dominic narrava toda a história, o médico assumiu o controle da situação. Ele se aproximou de Alicia, oferecendo-lhe conforto. Percebendo a necessidade de espaço, Lian e Dominic se afastaram, dando ao médico a liberdade de acalmar a jovem.
— Confie em mim, querida. Vou cuidar de você e, em breve, vou te medicar. Mas preciso que você se abra comigo. Está bem? — Dr. Jin disse suavemente, enquanto Alicia assentiu com a cabeça.
Alicia, aos poucos, começou a desvendar o seu tormento. Relatou ao Dr. Jin que o beijo forçado de Dominic a transportou de volta a um passado sombrio, onde fora a.b.u.s.a.d.a por cinco homens de uma vez só. O médico, chocado com a revelação brutal, agiu prontamente. Medicou Alicia, decidindo encerrar a conversa para acolhê-la e evitar que a agitação tomasse conta.
Quando ele se levantou, Alicia puxou o braço do médico, implorando para que ele não contasse nada a ninguém, pois foi ameaçada pelo responsável por causar esse estrago na sua vida. Dr. Jin apenas assentiu com a cabeça. Não demorou muito para que o
Medicamento começasse a fazer efeito, deixando Alicia sonolenta.
— Dominic, precisamos conversar! — disse Dr. Jin, com os olhos marejados ao olhar para Alicia.— Vamos nos afastar um pouco mais; ela está quase dormindo, mas talvez possa nos ouvir — sugeriu Dr. Jin. Os dois assentiram com a cabeça e acompanharam-no.
— Ela pediu para eu não contar, mas o assunto é tão sério que, além de ficar com as mãos atadas, estou furioso e enojado ao mesmo tempo. Quase 40 anos de profissão, e é a primeira vez que fico sem saber o que fazer ou dizer a um paciente.
— O senhor está me assustando! — suspirou Dominic, preocupado.
— A ansiedade dela não foi apenas por tudo o que ela viu. É bem pior do que podemos imaginar — alertou Dr. Jin, sério.
— Como assim? — Dominic perguntou, confuso.
— Você a beijou à força! Ela me contou — Dr. Jin respondeu, firme.
— Eu não fiz por m.a.l. Foi só um selinho! Eu precisava me esconder, ou morreria. Foi a coisa mais rápida que pensei. Não foi nada de mais — defendeu-se Dominic, visivelmente desconcertado, a sua voz carregada de uma justificação apressada.
— Nada de mais, seria para quem nunca foi a.b.u.s.a.d.a, Dominic — Dr. Jin afirmou, observando a palidez de Dominic. Lian olhou para Alicia com pena, suspirando profundamente.
— Quem foi o d.e.s.g.r.a.ç.a.d.o que fez isso com ela? — Dominic questionou, a raiva crescendo dentro dele.
— Não foi só um, Dominic, foram cinco de uma vez só — informou Dr. Jin, gravemente.
— M.a.l.d.i.ç.ã.o! — Dominic socou a parede, furioso. — QUEM SÃO ESSES M.A.L.D.I.T.O.S? DIGA-ME, JIN, QUEM SÃO? — exigiu, a voz alta.
— Eu não sei! Ela não disse! Agora fala baixo ou vai acordá-la — Dr. Jin sussurrou, antes de suspirar profundamente e continuar: — E tem mais. Quando fui medicá-la, precisei que tirasse a blusa para aplicar a medicação no músculo deltoide. Ela ficou apenas de camiseta, e foi aí que percebi marcas nos seus braços, indicativas claras de agressão. Ela sofre m.a.u.s-tratos, Dominic! Olhe para ela: está magra, como se não comesse há meses. Eu não apoio esse seu mundo sanguinário e nunca te pedi nada, mas hoje eu te peço: descubra quem está por trás de toda essa maldade, acabe com esses d.e.m.ô.n.i.o.s! Sei que vocês respeitam muito mulheres e crianças, então faça jus a esse respeito — concluiu o Dr. Jin, a voz carregada de desespero.
— Eu farei, Jin! Prometo que vou eliminar um por um, com as minhas próprias mãos! Lian, quando ela acordar, a leve com segurança para a casa dela, por favor. — ordenou Dominic, determinado. Lian assentiu com a cabeça, entendendo a seriedade da situação.
Dominic os agradeceu com um aceno de cabeça, mas seus olhos ardiam com a fúria fria de um matador antes de ele se virar e sair, deixando um rastro de fúria contida. Algumas horas mais tarde, Alicia despertou abruptamente. O brilho do celular na suas mãos revelou as 3:00 da manhã e uma enxurrada de chamadas perdidas do pai.
— Droga, meu pai vai me matar! — exclamou Alicia, aflita.
— Senhorita, como está se sentindo? — Lian perguntou, preocupado.
— Eu... é... melhor, obrigada! Onde eu estou? — Alicia perguntou, confusa.
— Na casa do médico de Dominic. — explicou Lian. Alicia assentiu e observou a casa com cautela; era bem luxuosa.
— Médico particular, carro luxuoso, os seguranças... o medo de Tierry, ... O que esse tal Dominic é? Que confuso. — murmurou — Lian fez de conta que não tinha ouvido, segurando o riso. — Você poderia me levar para casa o mais rápido possível, por favor? — pediu Alicia, ansiosa.
— Claro, senhorita! Vamos, eu te levarei o mais rápido possível e com segurança — respondeu Lian, solene.
— Obrigada! — disse ainda desconfiada
Os dois entraram no carro, e Lian digitou o endereço de Alicia antes de acelerar. Quanto mais próximo chegavam, mais o desespero tomava conta de Alicia. Não demorou muito e eles chegaram. Lian abriu a porta do carro para ela, e ela desceu rapidamente.
— Vou esperar a senhorita entrar! — afirmou Lian, com a mão na porta.
— Não precisa, está tudo bem! Muito obrigada, vai descansar! Já tomei muito do seu tempo — insistiu Alicia, grata.
— Certeza? — Lian questionou, preocupado.
— Sim, muito obrigada! — confirmou Alicia, com um sorriso tímido.
— Até, senhorita! Tenha uma excelente noite! — despediu-se Lian, acenando.
— Obrigada, você também! — respondeu Alicia, antes de entrar em casa.
Alicia caminha, e Lian, no carro com os vidros fechados, observa. Os portões da mansão se abrem, e lá está Olavo Rizzuto, seu pai, esperando-a. Ela olha para trás, como se implorasse para Lian sair e não testemunhar a cena, mas ele permanece no carro, estático. Sem se importar com o veículo parado, Olavo vai até a filha e a esbofeteia, fazendo-a cair no chão. Alicia se levanta, tenta recuar, mas dois seguranças a arrastam para dentro da casa.
###Alicia
O meu nome é Alicia Rizzuto e tenho 29 anos. A vida tomou um rumo sombrio quando minha mãe adoeceu, aos meus cinco anos, e desde então permanece em estado vegetativo num hospital. Ninguém jamais conseguiu explicar o que a deixou nessa condição. Meu pai, Olavo Rizzuto, é um advogado renomado, dono de um escritório de advocacia de grande prestígio. No entanto, ele nunca perde uma oportunidade de me lembrar que não sou sua filha biológica, me tratando como um fardo, uma herança indesejada deixada por minha mãe.
Presa na mansão, sem ter para onde ir, o meu salário m*l cobre as dívidas do hospital da minha mãe. A minha única salvação contra a fome é Diana, uma amiga cujo pai tem uma padaria e que sempre me salva com pães e doces. Ela até me convida para morar com eles, mas sei que a situação financeira deles também é precária. A ironia é c.r.u.e.l: Olavo é um bilionário, enquanto eu não tenho nada. A fortuna dele, que acredito ter sido roubada da minha mãe, agora pertence à minha irmã, à minha madrasta – a quem suspeito que ele traía a minha mãe. Ele se divorciou dela, assim que ela adoeceu e casou-se novamente, abandonando-me à mercê de um destino incerto e de uma vida que desmorona a cada dia.
Sou formada em Direito, um caminho que trilhei na esperança de seguir os passos de Olavo e ingressar no seu renomado escritório. Contudo, a realidade é c.r.u.e.l: ele me impede de trabalhar lá ou em qualquer grande empresa, alegando que sou uma vergonha para a família. A ironia é que a falta de formação da minha irmã é usada como justificativa para limitar o meu progresso, como se eu jamais pudesse superá-la.
A noite de hoje foi insana. O restaurante estava fechado, e eu, exausta, preparava-me para a limpeza quando uma batida forte na porta me sobressaltou. Ao virar-me, deparei-me com um homem de beleza estonteante, tatuado da cabeça aos pés, mas visivelmente ferido, como se tivesse acabado de sair de uma briga sangrenta.
Mesmo com o meu psicológico em frangalhos, ainda assombrado por traumas causados por meu pai que me impedem de me aproximar de qualquer homem, juntei a pouca coragem que me restava. Abri a porta, e ele entrou, correndo para trás do balcão e se abaixando. O segui com as mãos trêmulas, prestes a questioná-lo, quando o barulho da porta se fez ouvir novamente. Olhei para cima e vi três homens armados diante de mim.
Eles se aproximaram, questionando sobre o estranho. Discretamente, olhei para ele, que implorava com os olhos pelo meu silêncio. Arrisquei colaborar, dizendo aos homens que não havia visto ninguém. Por azar, uma mancha de sangue ficou no balcão. Droga! Pensei rápido e levei o sangue do estranho à minha boca. Onde eu estava com a cabeça? No fim, consegui convencer os três, e eles partiram.
O que realmente me atormenta agora é Tierry. Ele deve ter visto tudo pelas câmeras, e isso, eu sei, significa a minha demissão. Do lado de fora, o d.e.s.g.r.a.ç.a.d.o chegou e, como sempre, desferiu suas ofensas. Mas o que me chamou a atenção foi quando o estranho o agrediu, me defendendo. E pior: a reação do meu chefe quando aquele homem bonito se "apresentou". Parecia que Tierry havia assinado a própria sentença de morte. Ele chegou até a me tratar bem e me deu folga, algo que nunca fez, nem mesmo quando eu estava doente.
Tierry saiu dali pálido, a face contorcida numa mistura de choque e algo que parecia puro terror. De repente, o estranho me empurrou contra a parede, os seus lábios colando-se aos meus num beijo abrupto e forçado. Tentei me desvencilhar, mas ele me apertou ainda mais, prendendo-me. Naquele instante, um filme de horror se desenrolou na minha mente: a memória vívida dos cinco homens nojentos sobre mim. Quis correr, gritar, desaparecer, mas minhas forças simplesmente se esvaíram, o pânico me paralisou.
Os tiros ecoaram, e a minha cabeça parecia que ia explodir. Travei. Ele me ergueu no colo, como se eu fosse uma criança e não pesasse nada. Estaria ele realmente preocupado? Tentando me proteger? Olhei para baixo, e dois homens estavam caídos, mortos. Foi aí que tudo piorou.