Primeiro encontro - Parte dois

4176 Words
— Eu não fazia ideia que você gostava desse tipo de filme, Junsik-ah, eu o meu favorito! — Então é o nosso segredo. — o garoto riu. — Eu não gosto muito de filmes violentos, então animações sempre é o que acabo vendo. — Woah, mas é simplesmente o melhor tipo de filme que existe, dá para assistir com qualquer pessoa independente da idade. — Eu também acho a mesma coisa. E... o que você acha de marcarmos um dia para irmos ao cinema assistir a algo assim? — Ah, seria legal. Eu posso chamar o Hwan também, ele adora assistir animações comigo, a gente sempre conversa depois sobre todas as cenas. — Ah, tudo bem então. — Nós marcamos. — WooBin falou e buscou o celular, verificando que já passava das dez da noite. — eu preciso ir agora. — ergueu-se e procurou uma lixeira para jogar o copo vazio do suco de laranja que havia bebido. — Ah, mas já? — Junsik também se pôs de pé. — Eu posso te levar em casa, se quiser. — Não precisa, eu vim com o meu carro. — WooBin falou com um sorriso terno e aproximou-se apenas para abraçá-lo em despedida. — Demais marcamos o cinema, está bem? — Ok. Junsik acenou para WooBin, vendo-o se afastar. O garoto realmente queria ter tido um tempinho a mais com o outro, mas já estava bem feliz por finalmente estar se aproximando um pouco de WooBin. E WooBin caminhava tão alheio, pensava só no número da vaga no qual havia deixado seu carro, pois sempre demorava procurando o veículo no extenso estacionamento, mas teve seu corpo parado com brutidão quando um par de mãos parou-o pelos ombros. Seus olhos logo fitaram quem havia lhe dado aquele susto, mas assim que o fez, WooBin sentiu raiva. — Eu quero conversar com você. — Você conversará é com o cão, comigo não. WooBin tentou desviar o corpo do de Jiwan, mas ele se pôs na frente outra vez, barrando a passagem. — Eu errei, ok, eu já entendi. Eu e Jehun não estamos mais ficando, você pode, por favor parar com essa besteira agora? — Besteira? — WooBin riu incrédulo e pôs ambas as mãos sobre a cintura. — Você comeu o quê? merda? — WooBin, escuta- — Você quem vai me escutar. — o menor ergueu o dedo na direção do outro, calando as palavras de Jiwan. — Você é um filho da mãe safado, que me traiu e agora vem até a mim, dizer para eu parar com a besteira? Quem está com besteira é você, seu descarado! Se eu soubesse onde vende vergonha na cara, eu compraria e te dava, porque você não tem nenhuma! Eu terminei com você porque tudo o que você fez foi me fazer de bobo. Eu não tive respeito, você sequer me amou, só me enganou. Eu tenho nojo de você agora, nojo! Não quero mais ver você, falar com você. Você morreu pra mim! — Mas- — Nunca mais fale comigo. WooBin virou-se com brutidão e desviou os passos. Saiu dali pisando firme e fazendo algumas pessoas até mesmo o olharem por ter as bochechas vermelhas e infladas, enquanto um bico raivoso ocupava sua boca. Ele saiu da universidade o mais depressa que pôde, não queria mais ver Jiwan ou com certeza daria um de seus famosos chutes "anti macho escroto" e sairia ainda mais nervoso. Procurou o carro e bufou. Não lembrava mesmo o número da vaga que havia deixado-o e quanto mais ele procurava e não achava, mais raiva ele sentia. — Que inferno! — gritou no meio dos carros. — Olá? — WooBin ouviu a voz atrás de si e virou-se, encontrando Hajoon lá. O garoto destravou o carro ao lado, o que fez WooBin olhar com o cenho franzido. — Algum problema? — Perdi a merda do meu carro. — Você não sabe em qual vaga deixou? — Jeon jogou a bolsa no banco traseiro e fechou a porta, olhando para Park. — Bom, se eu falei que perdi, é porque não, eu não sei. — Está de mau humor? — Hajoon riu se aproximando. — É um mau dia? — É um péssimo dia. — O Park esgueirou-se numa nova tentativa de encontrar seu carro e bufou. — Como é seu carro? — Hajoon compadeceu, olhando também ao redor. — Igual o seu. Um Volvo XC60, porém o meu é vermelho. — Vermelho é cor para mulheres. — Ah, não me diga uma merda dessas. — Park afastou-se para olhar além. — não sabia que era machista assim. — Ok, me desculpe. Mas, você não tem sequer noção de onde pôs? — Não, eu não tenho, já disse. — WooBin notou Jeon atrás de si. Ele olhou para o homem, mas entendeu que ele só queria ajudar. — me desculpe, eu só odeio perder meu carro. — Está tudo bem, as pessoas costumam ser grossas comigo às vezes. WooBin olhou-o outra vez e suspirou. — Eu não quis te ofender. — Não ofendeu. Você tem certeza que deixou esse carro por aqui? Não 'tô vendo nada... — Eu tenho. — Park olhou outra vez, mas abusou-se e jogou sua bolsa no chão. — Jiwan, isso é tudo sua culpa! — E gritou, pisando no chão com força diversas vezes. — Como eu queria te chutar agora! Jeon apenas olhava quieto ao lado. O Park com certeza estava com muita raiva ali, seu rosto estava completamente vermelho. — Ok. — Jeon falou quando enfim o Park parou com os passos pesados e só tentava recuperar o ar perdido. — Vem comigo. WooBin permaneceu olhando Jeon se afastar de onde estavam e voltar até o carro. O garoto não entendia nada, mas estava cansado, então buscou a bolsa do chão e seguiu Jeon. — Entra. — Hajoon pediu abrindo a porta do carona para WooBin. — O quê? — Entra. — Hajoon insistiu. — Não! Eu nem te conheço. — Mesmo? — O outro sorriu ladino e deixou a porta aberta, aproximou-se de WooBin e parou bem perto dele, olhando-o nos olhos. — Você gozou na minha boca, rebolou no meu colo e quase fodeu comigo num banheiro de boate, então eu acho que você me conhece sim. O Park logo estava com suas bochechas rubras, mesmo que ele ainda olhasse para Jeon com seriedade. — Anda, eu garanto que você vai gostar. — Hajoon insistiu. — O que você quer... fazer comigo? Hajoon parou olhando-o apenas, e riu depois de alguns segundos. — Eu não falarei, para não te assustar, mas garanto que por agora, hm, não há nada de mais. Você está com muita raiva, seria irresponsabilidade minha te deixar dirigir assim. — Mas nós nem achamos meu carro... — Eu achei. — Jeon falou e apontou. Park estreitou os olhos e viu seu carro a cerca de trinta metros. — Mas como...? — Anda, Park, vem. — Hajoon chamou outra vez parando na porta do carona. WooBin demorou até ceder, aproximou-se devagar e adentrou o carro. — Eu só 'tô aceitando porquê... porquê... — Não precisa se justificar. — Jeon retirou a bolsa dele e jogou no banco traseiro junto a sua, em seguida viu Park ajustar o cinto de segurança e enfim deu a volta para ir até o banco do motorista. — Eu vou te levar pra um lugar bem legal. — Park estreitou os olhos para ele, o que o fez rir. — Prometo que não é um motel! O outro não disse nada, apenas permaneceu no silêncio até ter Hajoon dirigindo pela cidade. — Está com fome? — Jeon o perguntou. — Um pouco... — O que me diz de comermos agora? Tem um hambúrguer de camarão que é o meu- — Favorito. — WooBin riu. — É o meu também. — Oh, mesmo? — Sim, hambúrgueres de camarão e sorvetes de morango são as melhores coisas do mundo. — Sorvete de flocos é o melhor. — Claro que não, morango que é. Você precisa experimentar o sorvete que vende em frente ao meu prédio, você fica simplesmente viciado naquilo. — Isso me soa como um convite. — Jeon falou rindo e guiando o carro para a fila do drive thru. Retirou o próprio cinto de segurança para buscar a bolsa no banco de trás. — Pega a minha também. — WooBin pediu. Jeon o fez, entregando-o e abrindo a própria bolsa, em busca de sua carteira, mas riu quando lembrou que havia deixado no porta luvas. — Aqui. — WooBin ergueu uma nota de vinte mil won. — Não precisa. — Jeon o respondeu, guiando o carro para a frente quando a fila andou. Tinha somente mais um carro para que fosse a vez dele fazer os pedidos. — Eu insisto. É para pagar meu hambúrguer... — Não precisa, Park. Eu te convidei, eu pago. — Mas- — Boa noite, quero dois hambúrgueres de camarão e dois refrigerantes grandes. Ah, batatas também, duas dá maior que tiverem. Obrigado. WooBin continuou segurando a nota, mas Jeon realmente não a buscou. Ele pegou os pedidos, deixando boa parte sobre as pernas do Park e retirou duas notas altas de dentro de sua carteira. Hajoon sorriu quando olhou para WooBin e encontrou-o segurando os lanches sem um jeito correto. Havia um estacionamento logo ali, então foi onde Hajoon parou o carro e buscou parte de seu lanche, descendo o braço que havia no banco e encaixando o copo com refrigerante. Em seguida ele retirou os sapatos que usava e dobrou as pernas, sentando em posição de índio antes de abrir o embrulho do seu hambúrguer e com euforia dar a primeira mordida. Tinha a boca cheia quando olhou para WooBin e encontrou-o ainda quieto. — Não vai comer? — perguntou tentando não soar grosseiro enquanto ainda tinha a boca parcialmente cheia. WooBin assentiu e ainda envergonhado, deixou o seu copo com refrigerante ao lado do de Jeon e arrumou sua batata entre as coxas. Sua boca salivava somente com o cheiro do hambúrguer de camarão empanado, mas ele deu uma pequena mordida inicial, não queria parecer um faminto. — Podemos conversar? — Jeon perguntou de boca vazia, olhou-o para só depois buscar algumas batatas. — Sobre o quê? — WooBin perguntou baixo, retirando seus sapatos e devagar sentando na mesma posição que o outro. — Você se importa? — perguntou-o referente ao pé sobre o banco. Jeon negou. — Por que você estava gritando daquele jeito? — Eu não encontrava meu carro, você viu. — Não... digo, eu ouvi você dizer que queria chutar alguém. — Ah... — WooBin riu e bebeu um pouco do refrigerante. — Meu namorado é um o****o. — Ah, aquele que te pediu para me contratar? — Na verdade, agora somos ex-namorados, mas ainda bem. E sim, é ele. Ele estuda na mesma sala que você, deve conhecer. — Mesmo? Então... ele sabe que eu e você... — Acho que não, Jiwan não liga muito pra nada. Bom, eu acho que não ligava. Hoje ele veio falar comigo após eu ter descoberto uma traição, acredita? Aquele canalha... — Então você está solteiro? — Jeon guiou os olhos melhor para Park. — Sim. Solteiro e virgem. — Podemos resolver isso. — Jeon disse com um sorrisinho no canto dos lábios, o que fez Park olhá-lo de modo ligeiro. — estou brincando. Bom, mas nem tanto. — Você é direto demais... — WooBin falou mordendo seu hambúrguer e desviando os olhos. Jeon achava o modo de agir do outro fofo. — Eu acho que às vezes sou sem querer. Se te incomoda, desculpe. — Não, tudo bem... Ficaram outra vez em silêncio, o que não incomodou Jeon. Mas Park ainda se sentia estranho, talvez fosse o fato de que o homem ao seu lado já tivesse lhe chupado e agora comia tranquilamente ali. — Eu posso... te perguntar algo? — Quer saber porque eu me prostituo, ou o porquê comecei a fazer isso? E outra vez, Jeon estava sendo direto. WooBin abaixou os olhos, buscou sua bebida e calou-se. — Eu faço porque quero, de certa forma. — Jeon falou. — Comecei porque precisava, foi o que me ajudou a ter um teto e comida na mesa. Mas hoje é o que me dá a possibilidade de realizar um sonho, e eu estou quase lá. — Um sonho? — WooBin perguntou baixo. — Sim, eu quero ter minha própria boate. Mas não é qualquer boate, é a boate. Taeil será meu sócio, estamos nos organizando desde o início do curso para isso. — Ah... legal. Jeon terminou seu lanche, ficando apenas as batatas. Ele buscou a caixinha com o alimento e olhou para WooBin enquanto comia. — Eu e Taeil nos conhecemos quando eu ainda era só um entregador de bebidas. Foi em uma festa, eu ajudei-o com as bebidas e ele me ajudou apresentando a "galera" dele. — Foi assim que você começou? — É, eu acho que sim. Trabalhos de meio períodos são essenciais, mas não nos dão o suficiente para pagar casa, comida e afins... eu tenho muitas tarefas ainda não finalizadas e necessito muito do dinheiro. Meu primeiro cliente eu conheci naquele dia, o que foi bem engraçado, porque depois que nos conhecemos melhor, ele quem se ofereceu para me ajudar financeiramente e eu que quis f********o com ele. — Mas, se o sexo não foi necessariamente pelo dinheiro, então não foi prostituição... — É, não foi. Mas eu chamo de primeiro cliente por ser o que me mostrou o caminho para o dinheiro que eu necessitava. Eu realmente não me sinto sujo por fazer o que faço, é só sexo. E quando esse meu primeiro "cliente" teve que casar, eu não podia simplesmente ficar sem o dinheiro, então eu conheci uma pessoa que me mostrou um aplicativo e lá eu conheci pessoas que pagavam muito bem para ter meu corpo. — O aplicativo que eu te encontrei? — WooBin perguntou olhando-o. Jeon assentiu. — Sim. Eu não costumo aceitar clientes novos, sempre atendo os mesmos e com a maioria eu tenho valores fixos por mês, alguns atendo apenas por chamada de vídeo, são de outros países ou reservados demais, mas ganho ainda assim. Mas recentemente um cliente se apaixonou, então foi um a menos... WooBin se surpreendeu ao ter o outro falando tão tranquilamente sobre sua vida profissional. Era como um livro aberto, como qualquer outro "profissional" que fala com paixão da sua profissão. Mas aquela não era qualquer profissão. Tinha mesmo como gostar de fazer aquilo? WooBin não acreditava muito. — Mas você quer viver disso? — Não aguentou a curiosidade. — você não... pensa em uma profissão normal? — E deste quando f********o é anormalidade? — Jeon perguntou sutilmente, juntando o lixo das embalagens para jogar fora. — Não é isso. — Você foi meu cliente, foi anormal o que fizemos? — Jeon indagou. — ou foi só prazer? — ele riu. — Park, a maioria dos meus clientes me tem como escape. Muitos apenas conversam, jogam uno... — Uno? — WooBin riu. — Sim, uno. Meu cliente apaixonado adora jogar Uno. Sexo é o principal na minha profissão, mas eu não sou tão raso assim. — Eu não quis dizer isso, Jeon. Me desculpe... — Está tudo bem. — Mas... — Park olhou-o e retirou os pés do banco, ajeitando a postura sobre o banco. — como vai ser a sua boate? Jeon riu e abriu a porta, visando a lixeira que havia a frente do carro. — Um dia eu te levo lá. — ele falou antes de sair e ir até à lixeira. WooBin continuou olhando-o, estranhando a forma em como se sentia à vontade ali, mas Jeon voltou e ele desviou o olhar quando o outro pôs o próprio cinto de segurança. — Quer ir para a casa ou eu ainda posso te levar a outro lugar? WooBin buscou o cinto de segurança e colocou-o também. — Não é para um motel? — ele riu quando Jeon negou balançando a cabeça e fazendo os cabelos longos balançarem de forma divertida. — Tudo bem então. O outro riu e deu partida no carro, saindo do estacionamento e levando Park para mais um de seus lugares favoritos. — Eu tenho certeza que você vai gostar. [...] Estavam parados em frente a um prédio marrom. WooBin olhava para o alto, analisando o lugar enquanto Jeon o analisava. — O que tem de especial aqui? — WooBin o perguntou. — Você só vai saber se entrar comigo. O Park estreitou os olhos para o outro, mas Jeon apenas sorriu mais. Era um truque? WooBin não saberia responder, mas estranhamente ele confiava no outro, então assentiu e seguiu junto à Jeon quando ele abriu o pequeno portão que havia para a passagem dos moradores. Não era um prédio muito grande, somente três andares e o terraço era o que havia ali, mas subir três andares de escada cansava, e WooBin mesmo sendo um bom dançarino e acostumado a pegar pesado nos treinos, já respirava com dificuldade quando chegou na porta no fim da última fileira de escada que dava para o terraço. — Está pronto para morrer de amor? — Isso é um tipo de cantada ou algo assim? — WooBin perguntou pondo as mãos sobre os joelhos e respirou fundo. — c****e, eu 'tô mortinho. — Poxa Park, eu pensei que você aguentasse mais. — Jeon riu. — Ha, ha, ha, você nem me conhece. Mas eu aguento sim, ok? Eu sou um bom dançarino, tenho muito fôlego. — E é bem flexível? — Jeon provocou-o mais, recebendo um tapinha sobre o peito. — Estou pronto para morrer de amor. — Tem certeza? — Jeon perguntou segurando a maçaneta da porta. — O que tem aqui é muito, muito forte. — Só abre logo. Hajoon riu, abrindo a porta devagar e vendo o modo em como os olhos do Park aumentavam de tamanho a cada centímetro a mais. Ele enfim abriu a porta, mas foi rápido em tapar os olhos de WooBin com suas mãos, parando atrás do garoto. — Um passo de cada vez. — Jeon falou baixo, perto do ouvido do outro. Mesmo aquilo tendo um efeito absurdo sobre WooBin e seu corpo tendo arrepiado por completo, ele assentiu. Jeon também notou os pelinhos da nuca do outro, eriçados, e provocou-o passeando os dedos por ali. Mas seu foco não era provocar o Park a ponto de excitá-lo, mesmo Jeon tendo certeza de não precisar de muito para conseguir. Ele guiou os passos de WooBin de forma vagarosa e quando enfim estava onde queria, liberou os olhos de WooBin devagar. — Minha nossa! — WooBin exclamou alto. Hajoon riu daquilo é claro, mas também quase se derreteu ao ver o modo vagaroso em que Park se aproximou mais. Havia uma cadelinha marrom de pelos baixos deitada sobre uma caminha rosa. Mas além dela, cerca de cinco filhotinhos recém-nascidos mamavam. WooBin abaixou-se ao lado da c****a, encolhendo-se e abraçando as pernas enquanto a olhava. Jeon, por sua vez, já conhecia a cadelinha, e sentou-se no chão bem ao lado para acarinhar as orelhas dela. — É sua? — WooBin perguntou atrevendo-se a tocá-la também, mas demorou um tempo até a c****a cheirar seus dedos e parecer ceder aos carinhos também. — Não, de um grande amigo. Mas eu sempre venho aqui e acabo tendo ela como minha também. WooBin riu quando a cadelinha virou-se de barriga para cima, o que fez alguns dos bebês dela ir junto, caindo alguns também. — Ela gosta de carinho. — WooBin falou sentando-se no chão, assim como Jeon. A porta da escada abriu outra vez, mas um senhor de idade foi quem passou por ali. Ele trazia consigo um enorme saco de ração, então Jeon se pôs de pé rápido e foi até ele, buscando o saco. — Quanto peso, senhor Lee. — Hajoon reclamou. — O senhor subiu todas essas escadas com isso? — Foram só alguns degraus, filho. — O homem riu. — eu não sabia que você estava aqui, ainda mais com... visitas. WooBin se pôs de pé, caminhando ainda vergonhoso e parou ao lado de Hajoon. Ele sorriu para o idoso, fazendo uma reverência em respeito antes de estirar sua mão. — Sou Park WooBin, senhor. — Um prazer, WooBin. Sou Lee Sunjin. Você é o namorado do Joon? — Senhor Lee! — Hajoon protestou, o que fez o senhor rir. — Ele é bonito, oras. — Eu... Nós não somos. — WooBin riu contido e encolheu os ombros. — somos só... colegas. — Talvez um dia, amigos. — Jeon riu e piscou apenas um dos olhos para o mais velho. — vou torcer por isso, senhor Lee. — Eu torço para vocês namorarem. — O homem disse sem filtro algum. — Sabe a quantos anos eu conheço esse garoto? — perguntou a WooBin, que negou rindo baixinho para ele. — Cinco anos? Talvez seis. Eu conheci Joon no mercado, ele trouxe minhas bebidas. Sabe aqueles refrigerantes? Eu gostava muito, mas o médico proibiu. Hajoon riu do homem já falando sem freio. — Viemos ver a Delly, senhor Lee. Mas ela parece tão quietinha, está tudo bem? — Eu não sei filho, também percebi que ela está tristinha. Eu queria levá-la ao veterinário, mas é tão difícil. Eles não vem até aqui, eu preciso levá-la, mas eu não consigo, é caro, muito caro. — Caro... quanto? — WooBin perguntou e olhou a cadelinha repleta de filhotes. — Quarenta mil won por consulta, mas eles logo disseram, por telefone ainda, que talvez precise ser feito exames, e cada um custa cem mil won. Eu recebo uma aposentadoria apenas, meu neto não conseguiu um trabalho ainda, está tudo bem apertado. WooBin tornou o olhar para o Homem e olhou Hajoon em seguida, encontrando no olhar do outro o mesmo sentimento que tinha em si. — O senhor estará em casa amanhã? — WooBin perguntou. — Estou sempre em casa, menos pela manhã, eu vou à praça jogar damas. Ah, a noite também, eu vou ver a senhora Jung, no apartamento doze, ela é minha namorada, assistimos o jornal da noite juntinhos no sofá. — Hajoon riu negando daquilo, mas WooBin achou fofo, muito fofo. — Mas por que filho? — Porque vamos levá-la ao veterinário amanhã. — Hajoon disse. — E não se preocupe, estou num bom trabalho agora, lembra? Eu pago por tudo. — Oh, saeng... você é um anjo. E eu nem te perguntei, como está o seu trabalho no escritório? Estão puxando muito no seu pé? Hajoon olhou para WooBin, antes de voltar o olhar para o homem e dar de ombros. Não podia simplesmente contar para a pessoa que tinha como um pai que estava vendendo seu corpo daquele modo. Por mais que Hajoon não se sentisse errado ou sujo, eram de épocas e ensinamentos diferentes, o respeito ao outro era maior. — Está tudo bem senhor Lee, estou indo muito bem lá. Ainda continuaram a conversa com o homem, e até mesmo ajudaram-no a alimentar a cadelinha. WooBin até mesmo fez carinho em alguns dos "bebês" para que nenhum chorasse e ela pudesse se alimentar direitinho. Jeon brincou com ela mais um pouco, tentando animá-la, e até mesmo conversou um pouquinho com a Delly, dizendo que os bebês eram lindos e que ela era uma boa mamãe. Segundo ele, aquilo animava-a com certeza. Deixaram o lugar com os corações levinhos, sorriam bobamente mesmo que não conversassem nada no caminho de volta. — Eu deveria ficar surpreso por você lembrar meu endereço? — WooBin riu quando Jeon estacionou em frente ao seu prédio. — Não, não mesmo. — Hajoon riu relaxando o corpo no banco. WooBin respirou fundo, precisava ir, mas estranhamente sentia vontade de ficar um pouquinho a mais ali. — Eu gostei. — ele disse quebrando o silêncio, vendo Hajoon com a cabeça apoiada no banco lhe encarando. — Então eu posso pensar em te convidar mais vezes? — Talvez. — ele buscou a bolsa no banco de trás, consequentemente aproximando-se de Jeon. — E não esqueça de avisar quando for levar Delly ao veterinário, eu vou junto a você. — Não precisa. — Jeon negou, mas Park assentiu. — Faço questão. Hajoon não protestou, olhava intensamente para WooBin, mesmo tendo noção de que talvez estivesse deixando o outro envergonhado. — Então... até depois? — WooBin perguntou. Jeon assentiu e ergueu o corpo, aproximando-se do de WooBin. — até mais. Ainda continuaram se olhando de perto, era notório o clima entre ambos e como as bocas pediam por um beijo. Um mísero beijo. Mas WooBin abriu a porta e mesmo que também sentisse aquela estranha vontade, se retirou e acenou já de fora. — Tchau Jeon. Hajoon riu, tinha que lembrar após pedir para que o outro fosse menos formal com ele, mas não negava que gostava do som da voz de WooBin lhe chamava daquele jeito. Ele sorriu e acenou também. — Até mais, Park.
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