Hajoon estava deitado sobre as pernas de Taeil. Os garotos esperavam o início das aulas, e enquanto isso não acontecia, olhavam o céu estrelado de mais uma noite no campus.
Taeil sempre gostava de ficar deitado debaixo das árvores dali. Hajoon não se agradava tanto, poderia ter insetos, mas o Kim garantia que não.
— A gente conversou hoje o dia todo. — Taeil falou olhando para o celular. Seu sorriso grande indicava de quem estava falando, Hajoon já havia ouvido muito do garoto de cabelos azuis, principalmente depois da noite da boate. — ele me convidou para um café, mas as aulas terminam às nove, um café não é a melhor opção.
— E se o café for só uma desculpa? — Hajoon perguntou acomodando-se melhor sobre as pernas do melhor amigo. — Doyun disse que ia chamar um carinha que ele está conversando para um jantar, mas contou que essa era só uma estratégia para f***r com ele depois.
— Por que está falando do Doyun pra mim?
— Porque eu sei que vocês ainda se gostam e eu gosto de ver o jeito que você sempre reage quando falo dele.
— Nós não nos gostamos mais. — o Kim voltou os olhos para o celular e riu da mensagem que acabava de receber. — Aliás, eu acho que só nos gostamos um pouquinho...
Hajoon guiou os olhos para a tela do celular do outro e riu. Era uma mensagem de Doyun, perguntando quantos minutos a água deveria ferver para cozinhar um macarrão instantâneo.
— Você 'tá fazendo o gatinho passar fome? — Taeil respondeu à mensagem do outro e bloqueou a tela. — Que tipo de amigo você é?
— Do tipo que trabalha e estuda. E… Gatinho, é? — Hajoon riu se erguendo e sentando ao lado do outro.
— É só um modo de falar... e não muda de assunto. Por que você não deixa meu- quer dizer, o gatinho alimentado sempre?
— Doyun precisa ir a umas aulas de culinária, ele não sabe nem fazer um macarrão instantâneo e fica se entupindo de fast-food. Eu deixo comida congelada, ele só precisa esquentar no fogão, mas ele sempre queima!
— Doyun sempre foi assim, Hajoon, ele sempre teve quem fizesse pra ele na casa dos pais, por isso é difícil agora. Mas ele se esforça, não é?
— Na medida do possível, sim.
O sinal da primeira aula tocou, o que fez os garotos se assustarem um pouco. Hajoon recolheu sua bolsa e limpou a calça, vendo Taeil fazer o mesmo.
— Mas então, você vai para o tal café com o...
— Hwan. E sim, eu vou.
— E se for um truque? — Hajoon adentrou a sala de aula e sentou-se ao lado de Taeil.
— Bom, se for um truque, que bom, não é? Eu não fodo a... sei lá quanto tempo.
— Mas você e o Doyun…
— Shh!
— Vocês transaram no meu sofá a menos de um mês.
— Foi só uma f**a pra matar a saudade.
— E que saudade, não? Eu fiquei a noite toda ouvindo vocês, o que não foi muito agradável.
— Ah, o Doyun tem um gemido gostoso, diz aê.
— Gostoso é o meu pa-
— Eu sei, eu sei. Eu usei ele quando ‘tava no tédio, lembra?
— Não é estranho que eu e você já tenha transado e que ao mesmo tempo meus melhores amigos também?
— Bom, não. E não foi na mesma época, então tranquilo.
— Super tranquilo. — Hajoon riu e olhou para a frente. O professor adentrava a sala, o que logo anunciava para que todos ficassem em silêncio.
Taeil também fez o mesmo, buscando o caderno dentro da bolsa. O professor já ditava o assunto no qual seria estudado naquela noite, mas a atenção de Hajoon ali foi interrompida quando um aluno atrás de si, cutucou seu ombro.
Era um aluno que Hajoon sempre viu, afinal, faziam o mesmo curso a anos, mas além de Taeil, Hajoon só falava com os professores, então m*l sabia o nome do homem atrás de si.
— Eae, beleza? — Hajoon assentiu para a pergunta. — Eu me chamo Jiwan, você tem uma caneta pra me emprestar? Eu vim sem nenhuma...
Hajoon segurou-se para não revirar os olhos. Não gostava de emprestar suas coisas, e muito menos para alunos desinteressados. Quem vai para a aula e não leva uma caneta? Mas mesmo assim ele buscou uma de sua bolsa e entregou ao outro.
— Valeu.
Hajoon não retribuiu o sorriso e voltou sua atenção para o professor.
[...]
Park WooBin e Jung Hwan terminavam de vestir suas roupas após um rápido banho nos chuveiros que haviam no vestiário do estúdio. Haviam acabado de terminar mais uma aula prática e nenhum deles gostava da sensação do suor grudado na pele, então mesmo que não fosse uma opção muito animadora, os chuveiros dali era a única que tinham.
— WooBin. — Junsik apareceu ali, seus cabelos também estavam molhados, o que indicava que havia acabado de tomar um banho também. — Você tem planos para hoje?
Hwan como sempre revirou os olhos ao ver o garoto, era pura implicância, mas WooBin negou para a pergunta do outro, fazendo-o abrir um sorriso como de propaganda de creme dental.
— Quer sair para tomar um suco?
Hwan ergueu a sobrancelha para a pergunta e puxou WooBin para pertinho de si.
— É um truque pra f********o!
WooBin estalou a língua e negou rindo. Afastou-se, buscando sua bolsa e caminhando para fora com Junsik.
— Aqui mesmo no campus? — WooBin perguntou vendo Hwan segui-los também, enquanto olhava para a tela do celular.
— É... pode ser. — Junsik sorriu.
— WooBin, eu já vou. — Hwan avisou parando a frente de ambos. — Tenho um truque marcado pra agora.
— Truque? — Junsik perguntou franzindo o cenho.
— Truque de sexo. — WooBin respondeu.
— É, sabe? Você convida alguém para um café, ou sei lá, um suco, e torce pra terminar em sexo.
— Ah...
— Bom, eu já vou indo. Bom suco, ou talvez não tão bom assim. — Hwan riu e abraçou WooBin. — É sério, não faz o truque dele. — sussurrou para o amigo, mas afastou-se, piscando um olho e acenando completamente falso para o outro.
Viram Hwan se afastar, então WooBin arrumou melhor sua bolsa sobre o ombro e sorriu para Junsik.
— Vamos.
[...]
Taeil e Hwan sorriam um para o outro enquanto bebiam seus cafés. De fato o "truque" parecia funcionar, já que sempre que Taeil falava uma bobagem, Hwan ria mais e encantava-o mais, sempre se aproximando ou simplesmente inclinando o corpo junto a risada mais alta.
— Você fez mesmo isso? — Hwan perguntou enquanto via Taeil assentir e balançar seus cabelos vermelhos.
— Eu juro para você, quando meu pai me pediu para desfilar para ele, eu simplesmente congelei na metade da passarela, foi um desastre.
— Ainda não consigo acreditar que seu pai é Kim JiHu e sua mãe Kim Sofy, eles são tipo: os deuses da moda, Tae.
— Pois é, e é por isso que eu acho que sou adotado. — ele riu. — Meu pai é um estilista mundialmente conhecido, minha mãe uma modelo, e eu... Bom, eu sou só o Taeil. Eu curso administração por causa do Hajoon, e cara, é louco porque eu me apaixonei pelo curso. Mas fora isso, ninguém me conhece como conhecem os meus pais.
— Ao menos podemos ter privacidade assim. — Hwan falou mais baixo, sentindo os dedos de Taeil tocar seu joelho. — Mas me diz, porque Hajoon foi quem te fez escolher o curso?
— É uma história bem longa. Hajoon e eu nos conhecemos por acaso. Foi em uma festa chata, ele me salvou de lá e até hoje somos amigos. Os melhores, aliás.
— Ele parece ser um cara bem legal.
— Ele é, poderíamos marcar um dia para sairmos juntos, aquele seu amigo baixinho também, eu sei que ele e Hajoon se pegaram no banheiro naquele dia na boate.
— Oh, é mesmo, eu tinha me esquecido completamente disso.
— Você não estava bem de saúde. — Taeil riu e se aproximou mais, quase colando os corpos se não fosse o pequeno espaço entre as cadeiras. — Mas nos divertimos muito também, disso você lembra?
— E tem como esquecer? — Hwan riu e enfim quebrou o espaço restante, tocando os lábios de Taeil com os seus e suspirando com a suavidade daquilo. — o seu beijo é algo que não dá para esquecer.
Taeil riu soprado. — Isso é engraçado.
— Por quê? — Hwan beijou-o outra vez em um selar e afastou minimamente para beber apenas um pouco de seu café.
— Porque outra pessoa já me disse o mesmo.
Hwan olhou-o, mas não mudou o sorriso calmo que tinha nos lábios.
— Uma pessoa especial?
— Talvez. — Taeil bebeu de seu café também e olhou-o. — Mas não é algo que nos impeça, é?
— Não. — o outro disse. — a menos que não seja uma traição.
— Não é. Eu posso ser um pouco safado, e talvez eu fique com mais de uma pessoa, mas eu nunca traí.
— Eu gosto da sua sinceridade, porque eu sou exatamente assim.
— Você está ficando com alguém? — Taeil quis saber. Não era como se ele fosse ficar com ciúmes ou algo assim, até porque ele não poderia dar tal garantia a Hwan tendo sua mente ainda predominada por outra pessoa. Sua mente, e parte do seu coração.
— Não, mas nós conversamos.
— Vocês nunca se encontraram?
Hwan negou sorrindo.
— A única pessoa daquele aplicativo que eu já conheci foi você e foi por acaso. Eu não costumo marcar encontros, é bem raro.
— Então, talvez eu tenha sorte?
— Sorte?
Hwan riu da aproximação do outro, mas focou apenas em seus lábios sendo úmidos antes dele ditar:
— De te ter para mim. Ao menos por hoje.
— Bom, se você for legal, você pode ter muito além do que somente hoje.
— Hm... eu gosto dessa proposta.
Hwan riu e negou, beijando os lábios de Taeil outra vez e sentindo o outro segurar-lhe firmemente pela cintura.
Hwan gostava do toque, era algo que sempre lhe atraia nos caras. Homens de mãos grandes geralmente pegam com força, e tudo que ele queria era terminar a noite com as mãos de Taeil percorrendo por todo o seu corpo.
— Então vamos para outro lugar. — Hwan sussurrou com a boca sobre a do outro.
E Taeil não precisou responder. Beijou-o uma última vez e ergueu-se, buscando os copos vazios e jogando-os na lixeira que havia próxima dali, e depois buscou sua bolsa para em seguida buscar a mão de Hwan.
— Vamos para a minha casa.