Lis
[ATENÇÃO: NÃO É OBRIGADO LER CONTRATO DE CASAMENTO COM O MEU CUNHADO PARA LER ESTE SPIN-OFF. POR FAVOR, SALVE NA BIBLIOTECA. AGRADEÇO DE CORAÇÃO]
SINOPSE:
Ls já estava conformada de que sua vida amorosa não teria o mesmo sucesso da sua carreira de influenciadora, que ia muito bem e Otávio estava vivendo com os mesmos pensamentos. Depois de ser um péssimo namorado para Bárbara, prima de Lis, a ponto de deixá-la traumatizada e de suas famílias esconderem que eles teriam um filho, entregando a paternidade para seu irmão Gustavo, ele ficou destruído. Além de se afastar de todos, ele resolveu não criar mais laços afetivos e enfiou a cara no que melhor sabia fazer: ter relacionamentos sem compromisso, levando várias garotas para a cama.
Numa noite, depois de meses, ele e Lis se reencontram. Eles quase tiveram uma história no passado e mesmo se odiando, será que Otávio e Lis podem fazer bem um para o outro e mudarem seus pontos de vista sobre sua sorte no amor?
[•••]
7 meses após os acontecimentos de Contrato de casamento com o meu cunhado...
LIS
Há um tempo atrás, eu vivia procurando os holofotes, pois sempre me senti apenas uma figurante da vida dos outros. Principalmente nos últimos meses, quando me aproximei mais da minha prima Bárbara.
A vida dela, com os problemas do seu casamento com o cunhado e o perigoso ex-namorado que eu chamo carinhosamente de embuste (pois ele não passa disso) prenderam a minha atenção como um bom filme de mistério faz. Eu adorava acompanhar de perto.
Quando finalmente as coisas deram certo na vida dela, e quando eu digo que deram certo me refiro ao desaparecimento do Otávio, que na nossa última conversa me deixou sem saber onde enfiar a cara, eu foquei mais na minha vida.
As pessoas gostam de me acompanhar nas redes sociais. Parece que sou muito boa em passar vergonha e isso atraiu muitos seguidores. Agora estou ganhando dinheiro com isso.
Ganhei os holofotes que eu queria. Me tornei a protagonista da minha vida!
Nem tudo são flores, é claro que tem algumas coisas que não estão me favorecendo, mas ter uma grana de um jeito tão fácil, sendo simplesmente quem sou, é bom demais!
Estou aproveitando bastante. Acho que a minha vida está destinada a ter sorte no jogo e azar no amor.
Acho, não. Eu tenho quase certeza, a julgar os meus últimos casos.
Eu definitivamente não tenho sorte nisso e como o trabalho tem me tomado muito tempo, estar solteira e sozinha não tem me incomodado tanto.
Depois de gravar uma publicidade para uma loja, eu passei na casa da minha prima. Não é porque a vida dela se tornou mais monótona que eu deixei de ser amiga dela.
Nos tornamos grandes amigas e eu gosto disso. Ela é minha parente. Se a gente brigar, temos mais chances de fazer as pazes, pois nos eventos familiares seremos obrigadas a falar uma com a outra. A nossa família é dessas. E podemos ser mais sinceras uma com a outra.
— Ainda estão cancelando a sua mãe pela surra que ela deu naquela blogueira. — comentei com Bárbara, enquanto deslizava o dedo pelo feed do aplicativo, esticada na poltrona do quarto.
— A minha mãe não sabe lidar com isso. Toda vez que ela faz aqueles vídeos para se defender, acaba piorando a situação. Ela não se arrepende de ter dado aquela surra, então ela não vai pedir desculpas por isso.
— Mas olha, ela ganhou 200k seguidores!
— Claro. Todo mundo quer ficar por dentro da briga. Devem estar só esperando o momento em que ela vai aparecer num vídeo dos stories respondendo a algum site de fofoca que falou sobre ela.
— A sua mãe sabe entreter. Isso não tem como negar. — pontuei admirada. — Até eu estou no meio dessas pessoas que ficam esperando as fofocas dela.
— Isso é bem a sua cara, Lis. — ela tirou a blusa e depois pegou um óleo e passou na barriga. Fiquei rindo junto com ela.
— Quantos meses você já tem de bucho? — observei sua barriga.
— 5 meses amanhã.
— Nossa. A sua barriga já cresceu bastante!
Ela estava esticada e redonda, e o seu umbigo quase desapareceu no meio disso.
— E eu ganhei muito peso também. 3 kg.
— Caramba. Não passa mais na porta... — debochei e levantei da poltrona. Ela ficou rindo enquanto cuidava da pele.
— O que vai fazer hoje?
— Tenho uma festa pra ir.
— Meu Deus, Lis, agora você vive de festas?
— Basicamente. As pessoas adoram me ver nas festas e eu tenho que dar o que elas querem. Garota, tem um monte de lugares me pagando para fazer propagandas. Quanto mais seguidores eu ganhar, mais caro fica para divulgar.
— Quem diria, hein! Vivendo do que gosta.
— Pois é. Até agora está sendo legal. Tirando a minha mãe que acha tudo isso uma perda de tempo e diz que eu deveria tomar vergonha e encontrar um emprego de verdade. Aliás, você soube?
Ela olhou para mim sem graça. — Soube.
— Pois é. — não consegui esconder meu descontentamento. — Para quem dizia que nunca mais iria se envolver com homem nenhum... — me escorei na porta do quarto, desapontada com as atitudes da minha mãe.
— A sua mãe é jovem. Pior a minha que tem um caso com o jardineiro.
— A sua mãe chama o jardineiro de "meu amor"? Coloca ele pra almoçar e jantar com vocês? Dorme com ele na casa de vocês?
— Você sabe que eu não moro mais na casa dos meus pais... — ela ficou alisando a barriga, encostada no armário. — A minha mãe disse que o conheceu e ele parece um cara legal.
— O vi 3 vezes e nas 3 não tive nenhuma boa impressão. Acho que ele está se aproveitando da nossa casa, da minha mãe. Em breve vai querer se aproveitar do nosso dinheiro.
— Ele é rico.
— Não sei de que. Diz que é investidor. Investe em que? Não sei, então não confio. — abri a porta.
— Tenta dar uma chance. Se ele faz a sua mãe feliz…
Ingênua…
— Bárbara, você não sabe dar conselhos seguros. Por isso que ficou anos com o embuste. — segui o caminho para a porta que dá para fora da casa dela.
— Falando nisso, o Otávio não te procurou nesses últimos 4 meses?
— Nem nos últimos 4 meses, nem nos últimos 8 meses. Por que ele deveria me procurar? — segurei a maçaneta e me virei para ela, intrigada com sua ideia.
— Porque vocês estavam se pegando na cozinha do dia do aniversário do meu sogro. — ela jogou na minha cara.
Prefiro não me recordar daquele dia.
— E daí? Ele não me deu escolha naquele momento. Você sabe que nós nunca nos demos bem. Não faça daquilo ali uma coisa com significado.
Ela balançou a cabeça concordando comigo. — Ainda bem que pensa assim. Otávio não vale a pena.
— Não mesmo. Já estou indo. Acompanhe os meus stories. Essa noite será babadeira. — Abri a porta rindo de mim mesma.
Ela deu uma gargalhada. — Ótima festa.
— Valeu. — acenei para ela, que escondia o corpo atrás da porta.
[•••]
Cheguei na sala da nossa casa e presenciei uma cena nojenta de pós sexo entre dois animais fogosos.
Um deles é a minha mãe. Isso torna a cena uma tortura.
Eles estavam se agarrando na pia. Se beijando e falando coisas em duplo sentido, cheias de maldade.
Ao menos estavam vestidos.
Quero dizer. O Raul estava sem camisa e tinha pêlos nas costas dele!
Eca!
Pigarreei e bati a mão na mesa. Eles pararam com a safadeza.
— Será que dá pra fazer isso no quarto?
— Desse jeito tira a graça de ter uma casa própria!
Que cara de p*u!
— Mas mãe, eu moro aqui também! A última coisa que quero é ver vocês fazendo sexo na cozinha ou no sofá! — encolhi meu rosto. — Mais respeito, por favor!
— Desculpa, filha. — minha mãe se ajeitou e o Raul ficou com aquela cara de gente oportunista que ele tem. — Você chegou que horas?
— Acabei de chegar.
— E onde estava?
— Fui fazer uma propaganda de uma loja e depois passei na casa da Bárbara.
— Vai sair hoje à noite?
— Vou. Tem uma festa e eu serei presença vip. — peguei uma maçã na fruteira.
— Presença vip?
— É. Eles estão me pagando para ir na festa. — mordi a maçã.
— Isso é ótimo. — Raul comentou, para minha surpresa e da minha mãe. — Os jovens hoje em dia não precisam estudar, nem ficar horas no trabalho. É só ficar postando vídeos e mais vídeos que ganham dinheiro. Eu queria que na minha juventude tivesse isso.
Eu duvido que alguém fosse se interessar pelos vídeos do Raul. Ele não faz nada de interessante além de bajular as pessoas. Como está fazendo comigo agora.
A minha mãe ficou confusa em me criticar e ficar contra o Raul ou o apoiar mesmo não achando que o que eu faço é válido como trabalho.
— Não volte bêbada.
Olha só! O conselho de sempre.
Eu não ando bebendo tanto. Desde que machuquei meu pé e fui parar no hospital na companhia do Otávio eu não tenho feito tanta bobagem na minha vida.
A última vez que enchi a cara foi no casamento da Barbie. Desde então eu ando mais indo para as festas pra gravar os vídeos.
Fiquei no meu quarto até 2 horas antes da festa, então fiz um vídeo me maquiando, uma enquete para os meus seguidores escolherem o meu look e um boomerang pronta para sair.
Usei uma minissaia de couro preta, uma blusa de manga longa branca, deixei os cabelos soltos, usei algumas jóias, coturno preto, uma bolsinha da Gucci e meu perfume 212 que amo.
Eu estava muito gata e isso me fez perder algum tempo em frente ao espelho.
Depois fui de Uber para a festa.
Era um pouco longe da minha casa, mas eu esperava ter algum amigo por lá para me dar uma carona de volta para casa.
Quando entrei no lugar, a dona disse que era pra eu me divertir como sempre, o bar era aberto para mim e eu podia fazer tudo o que quisesse, desde que marcasse a boate em todos os stories.
Nada que eu já não fizesse, mas desta vez eu não gastaria nada e ganharia alguma coisa.
Saí pela boate com um copo de chopp na mão e dei uma sondada no lugar.
Parecia que a festa tinha começado faz tempo. Já tinha gente surtando ali.
Ai, não.
Parei.
Quando cheguei em outra parte da boate avisei o embuste.
Ele passou 8 meses sumido e agora, assim de repente, aparece!
Dei meia volta e me afastei dali.
Os segundos que olhei para onde ele estava deu tempo de ver que ele estava rodeado por uma galera. Algumas garotas, alguns garotos. Estava bebendo e com aquela pose de vagabundo de sempre.
Eu não deveria ter deixado ele me beijar naquele dia. E depois... Depois quando ele se passou pela mãe e me encontrou naquela açaiteria foi péssimo também.
Ele é tão embuste que poderia ser também burro. Ele logo imaginou que eu era virgem por não ter ido para os finalmente com ele.
Eu saí tão desnorteada e assustada com aquela pergunta que rezei para nunca mais cruzar o meu caminho com o dele.
O meu pedido foi atendido até hoje.
Mas eu acho que ele já deve ter esquecido disso. Já eu… eu não deveria estar tão nervosa por vê-lo.
Ele fica com um monte de garotas. Não vai lembrar da garota que ele menos gosta, assim como eu também deveria esquecer de tudo isso.
Otávio é um embuste.
Sumiu com raiva do que a família dele fez e eu até senti pena dele. Mas depois lembrei que ele é um babaca e encontrá-lo nessa boate só comprova isso.
Eu vou fingir que não o vi.
Fiquei longe de ontem ele estava, tomando a minha bebida.
Alguém colocou uma mão em meu queixo e puxou o meu rosto para o lado esquerdo. — Lis? — ele perguntou franzindo o cenho.
Merda.
Tirei sua mão do meu queixo, revirando os olhos. — Otávio... O que você quer, embuste?