Como um cachorro no cio

1927 Words
LIS Depois dessa, eu vou pro céu. Tive o prazer de dar um tapas na cara dele para ajudá-lo a acordar e ajudei o embuste a levantar. — Vamos embora. — passei seu braço por cima do meu ombro e ele ficou de pé. — Eu ainda não terminei a minha bebida. Ele está muito bêbado. Quem fica tão bêbado em tão pouco tempo assim?! — Já terminou sim. Vamos antes que eu mude de ideia. — caminhei junto com ele para a saída da festa. Eu pretendia voltar, não sei como, mas pretendia, pois ainda tinha que cumprir o horário para pegar a minha grana. Como ele é pesado! E cheira a maconha. A mão dele cheira a isso. Do lado de fora da boate, eu fiquei confusa, sem saber o que fazer. Se chamava um táxi. — Cadê o seu carro? — Sei lá. — Otávio! Colabora, p***a! Depois de me chamar de p**a, você deveria no mínimo me ajudar a te levar pra casa sem fazer mais raiva! Agradeça o meu bom coração. — O que você tá falando, garota? Eu nem sei quem você é. O meu carro tá por aí. Ótimo. Agora deu amnésia. — Ainda é o mesmo carro ou você trocou? — É meu carro preferido. — ele falava bêbado. Tive que ir até o estacionamento com ele pendurado no meu ombro. Com certeza amanhã eu ficarei com essa região dolorida. Ele é pesado pra c****e! Encontrei o seu carro. É aquele carrão que só ele tem na cidade. Pelo menos soube zelar de alguma coisa. O levei para a porta do carona e com ele escorado no carro, meus ombros finalmente descansaram. — Cadê a chave? — Lis. — ele segurou meu braço e me puxou para perto dele. — Você tá gata. Essa sainha… meu Deus… Revirei os olhos, consciente de que quem está falando isso é um bêbado safado. — A chave. — No meu bolso. — ele colocou a minha mão no lugar. Olhei para seu rosto e ele estava com um sorrisinho cínico. — Arg! Você continua o babaca de sempre. — me soltei dele e enfiei a mão em seu bolso. Tirei a chave e abri o carro. — Entra. — Entra você. — Você não vai dirigir! Você está muito bêbado, Otávio! — E quem vai dirigir? Você? — riu. — Eu não deixo ninguém dirigir meu carro. — ele tentou pegar a chave. — Entra na p***a do carro. Quem vai dirigir sou eu! — deixei a chave presa na minha mão fechada e o empurrei para dentro do carro. — Calma! Vai machucar a minha cabeça! — Eu acharia pouco. Ele sentou no banco do carona e eu coloquei o cinto. Nessa hora ele resolveu se aproveitar e me abraçar. — Vai dormir comigo? — Não! Óbvio que não! — me afastei dele. — Olha, se você não se comportar eu te deixo passar a noite dentro do carro e volto para a festa. — Eu não pedi pra me tirar de lá. — m*l agradecido do c*****o! — bati a porta. — Não faça isso com o meu carro, Lisa! Lisa! — Eu deveria ter te deixado dormindo. Você calado é melhor. Mesmo assim eu ainda entrei no carro. Só tinha um motivo agora que estava me fazendo levá-lo para sua casa: dirigir aquele carro, pois eu não sei quando terei outra chance dessas na vida. O ronco do motor deixou meu coração acelerado e eu logo me animei. — Uau! Isso é irado! — Um único e pequeno risco e você vai ter que virar p**a mesmo pra pagar o conserto. — ele me avisou. — Pare de agouro! Eu sei dirigir. Tenho carteira. Só não tenho um carro. — Essa máquina custaria seus dois rins, coração e o fígado. Burguês safado. — Credo. Tirei o carro do estacionamento e dirigi pela cidade. Tinha até garrafas de água mineral no carro. — Toma. — entreguei uma para ele. — Pra ver se melhora. Ele parecia péssimo. Pegou a garrafa e tomou quase tudo. — O filho da p**a batizou a minha bebida. — E você ainda queria beber mais... Sem noção. — Larica desgraçada! — ele segurou o celular de cabeça para baixo. O carro dele é tão bom! Eu estava me achando no volante, mas não estava em alta velocidade não. Só o permitido em cada rua. E ele ainda mexia no celular de cabeça para baixo. — O celular está de cabeça pra baixo, Otávio. — avisei concentrada na direção. — Qual o endereço da sua casa? — Me leva pra um hotel. Não quero você sabendo onde eu moro. Você é fofoqueira demais. — Estou começando a achar que você não tacou o f**a-se para a sua família. Acho que não tem culhões para enfrentá-los depois de tantos meses sumido. Ele riu. — Você não sabe de nada. Eu tenho culhões até demais. Tanto que você correu de mim. Ele vai tocar nesse assunto... — Isso não me impede de cumprir a minha ameaça. Ele me ignorou. — Tô com fome. Chame um Uber. — me entregou seu celular. — Você vai comer um Uber? — perguntei parando o carro no sinal e peguei seu celular. — Peça alguma coisa pra eu comer. Entrei no app de comida e selecionei numa pizzaria. Escolhi uma pizza meia portuguesa e meia marguerita e refrigerante, então o sinal abriu e eu tive que continuar dirigindo. Mais na frente, quando parei em outro sinal, terminei de fazer o pedido. Cobrava direto no cartão dele e eu vi seu endereço. Não acredito que ele mora nesse lugar! É um condomínio chique que o pessoal vive falando que é um sonho de moradia. E eu de tanto pesquisar sei aonde fica. Casa 5. Dirigi para o endereço e ignorei sua ideia de ir para um hotel. Eu quero entrar naquele condomínio e ver como é. Devolvi o celular e ele segurou a minha mão e deu uma mordida nela. — Otávio! — puxei a mão e lhe acertei um tapa. — Pode ficar um minuto sem parecer um cachorro no cio? — Que calor, hein... — ele começou a desabotoar a camisa e eu ignorei isso. Não vou virar p**a pra pagar o conserto de um ralão o qual a culpa é dele e sei que ele não vai admitir. Custa ser um embuste burro e feio? Depois de abrir a camisa ele se aquietou. Ficou com a cabeça erguida para o teto, dormindo ou refletindo, e eu terminei o caminho até o condomínio. Nem precisou dizer quem era, o porteiro deixou a gente passar. O condomínio era puro luxo! As casas pareciam ter sido feitas pelos irmãos a obra juntamente com ame-a ou deixe-a. Ou seja, perfeitas. Os números eram alternados e as casas eram distantes uma das outras. De um lado a casa 1, do outro a casa 2 e assim eu cheguei na frente da casa 5. E que casa! Ela não tinha muros, tinha uma calçada inclinada para subir com o carro, perto da parede as portas da garagem. Arbustos bem cortados e um banquinho de madeira no lado esquerdo da fachada. Tinha dois andares, janelões de vidro e uma porta enorme de madeira. A cor da casa era naquele bege médio com detalhes que parecia que o piso entre o primeiro e segundo andar e também o teto do terraço tinham sobrado para fora, ultrapassando as paredes da fachada e tinham a cor cinza escura. Linda demais. Até pra uma vista noturna! O lugar era bem iluminado. Subi a calçada e estacionei o carro em frente a porta da garagem. — Como descobriu o meu endereço, peste? — No seu "Uber". — abri a porta e saí do carro. — Consegue sair sozinho? — Consigo. Fechei a porta e arrodei o carro com a minha bolsa pendurada no ombro. Ele saiu do carro e tombou para cima de mim. — Consegue sair, mas ficar de pé... — observei. Ao invés de ele se recompor, ficou agarrado em mim. — Me larga, embuste. — o empurrei no carro e ele se encostou ali. Fechei a porta e pensei se iria abandoná-lo ali ou entraria na casa para ver como é lá dentro e também comeria a pizza que já deve estar chegando. Eu estava morrendo de fome. — A chave está aí. — ele apontou para a chaves do carro. Eu vou entrar pra ver se ele sabe se virar sozinho. Provavelmente deve ter empregada. Se o Gustavo, que parece ser bem organizado, tinha uma. Imagine esse outro que tem cara de quem não sabe fritar um ovo. — Vamos. — estendi o braço sem olhar para ele e ele segurou a minha mão e depois pendurou seu braço sobre o meu ombro. Ele encostou o nariz na minha cabeça. — Seu cabelo é cheiroso. — Eu sei me cuidar. — Não estava dançando na mesa feito uma maluca? — Já aprendi a minha lição. — Parece que o jogo virou... — ele abraçou o meu pescoço. — Pois é. — paramos em frente a porta e então peguei a chave e abri a casa. — Onde fica o interruptor? — passei a mão pela parede. — Um pouco mais pra dentro. Entrei na sala e o encontrei. Com a luz acesa eu vi a casa dos sonhos diante dos meus olhos. Era linda! Linda! Tinha uma escada bem moderna, só com os degraus em madeira, nada de corrimão. A parede parecia ter sido feita de pedra branca. Era uma coisa rústica. O sofá industrial enorme. Plantas eram os enfeites do lugar. Um tapete preto bonito e uma tv de mais de 50 polegadas presa a um painel na parede. Indo reto pela porta de entrada, parece que dava para a cozinha. Otávio saiu cambaleando, tirando a camisa e caiu no sofá. Que ódio. Ele sabe ser gostoso. Fechei a porta e fiquei andando de um lado para o outro sem saber bem o que fazer. — Cadê a comida? — Deve estar chegando. — Que fome desgraçada... — Isso que dá ficar usando certos tipos de coisa. Deve ter sido muito mais que um cigarro de maconha ou uma bala. Otávio já é uma péssima companhia, andando com pessoas assim só fica pior. Ele sentou e ficou me encarando. — Eu já vou tá. Só vou pegar um pedaço de pizza e chamar o Uber. Ele pegou o celular. — É mais de meia-noite. Não vai pegar Uber sozinha! — E qual é o problema? Eu sempre faço isso. Mentira. Eu sempre faço amigas na balada e dividimos o Uber. Desta vez estou sozinha. E falando em balada, eu deveria voltar na boate para pegar a minha grana. — Tenho que voltar pra boate. — De jeito nenhum. Eu vou te levar. — Não! Você está bêbado. Totalmente drogado! — Quando eu comer ficarei sóbrio. — Achei que era uma pizza, não o elixir da sobriedade. — Senta aqui, teimosa. — Não! — passei bem longe dele e sentei na outra ponta do imenso sofá. — Esqueci o quanto você é complicada. — ele deitou de novo. — Isso é fácil de esquecer. Difícil mesmo é esquecer o quanto você é desagradável. — Você vai dormir aqui. Amanhã eu te levarei pra casa. — Não! — Chega de dizer não, Lis. — ele cobriu o rosto. — Vai buscar a pizza. Revirei os olhos, arrependida de ter vindo. Eu deveria ter deixado ele lá na boate mesmo.
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