Limites e Silêncios... O relógio marcava 21h quando o Sargento Souza foi chamado ao gabinete do Capitão Figueiredo. A base já estava em silêncio, os corredores vazios, e o clima da noite carregava uma tensão que ele não conseguia ignorar. Ao entrar, encontrou o capitão de pé, de costas para a porta, olhando pela janela. As mãos cruzadas atrás do corpo. O silêncio era espesso. — Senhor? — Disse Souza, com postura firme. Carlos virou-se devagar. O olhar era frio, controlado, mas havia algo por trás algo que queimava, e uma vontade de socar a cara do sargento. — Sente-se, sargento. Souza obedeceu, sem tirar os olhos dele. Carlos caminhou até a mesa, apoiou as mãos sobre o tampo de madeira e falou com voz baixa, mas cortante: — Hoje, no bazar, eu vi algo que não deveria ter acontecido.

