Ele não troca todas por uma e ela tem medo de amar
ATENÇÃO
Este é o 1° livro da série “A obsessão do milionário" e o 1° livro da trilogia “Irmãos Becker”.
HEITOR BECKER
— Sr. Becker? — a assistente chamou, do lado de fora da porta.
— Entre, querida.
Ela abriu a porta e deu um passo para dentro, segurando a maçaneta. — O seu irmão Logan está aqui.
— Mande-o entrar. — me arrumei na cadeira.
Logan aparecendo aqui na empresa? No mínimo estranho. Logan não aparecia na empresa e nas raras vezes avisava com antecedência.
Meu irmão entrou com um sorriso no rosto e fechou a porta.
— Logan, é? — não fiquei surpreso com quem vi ali. Já deveria esperar.
— Anos trabalhando para nosso pai e ela não sabe nos distinguir. — ele veio até mim e levantei da cadeira para dar um abraço caloroso no meu irmão caçula.
‘ — O que te traz aqui, Benjamin? — fiquei curioso e sentei novamente em minha cadeira, enquanto ele sentou-se na outra que estava em frente a minha mesa.
— Preciso de dinheiro e aproveitei para matar a saudade e saber como todos estavam. — ele bateu as mãos nos braços da cadeira, com um sorriso feliz no rosto.
— Que bom que veio. É sempre bom. — apoiei os meus cotovelos na mesa, também contente.
— Eu estive em casa antes de vir pra cá e aconteceram coisas estranhas. — ele parecia perturbado. — Eu queria que você me explicasse, por que a nossa madrasta tentou me agarrar e a cunhada da Dora também?
Eu ri descaradamente e me inclinei para trás, me balançando na cadeira. — O que posso dizer… — pensei, olhando para o canto da parede. — O nosso pai pediu para cuidar de todos. Só estou seguindo os seus passos.
— Pelo visto, o nosso pai não perdoava ninguém. Se eu soubesse dessa suruba, teria aparecido antes. Aquela cunhada da Dora é gostosinha.
— Não é? — um sorriso m*****o ocupou os meus lábios. — E quando eu peguei ela ainda era virgem.
— Mas não faz muito que ela mora lá. — ele analisou.
— Foi o tempo de ser mais rápido que o nosso pai. Eu não vou perder tempo se tem mulher em cima de mim e já que vocês abandonaram o barco…
— Três é demais.
Sabe o ditado “um é pouco, dois é bom, mas três é demais”? A minha mãe acreditava que uma filha era pouco. A Dora era filha única, mas apesar de receber toda a atenção dos pais, ela ainda se sentia carente. Afinal de contas, o carinho dos pais é bom, mas criança se entende com criança. Então os meus pais queriam um segundo filho. Não importava o sexo. Dois era o número bom de filhos para a família.
O resultado? 3 filhos e entre eles, eu, Heitor Becker, que na corrida para ver quem saía primeiro de dentro da minha mãe, ganhei. Ainda com o direito de dizer que existem duas cópias idênticas a mim. Logan e Benjamin. Minha mãe morreu muito cedo. Eu e meus irmãos gêmeos tínhamos 17 anos quando isso aconteceu. É o meu maior trauma até hoje, pois eu vi o momento em que o acidente aconteceu.
Depois da morte da minha mãe, meu pai ficou 8 anos sem se casar com ninguém, até que encontrou outra viúva, mãe de duas garotas, chamada Vanda. Ela foi boa com todos nós. Nessa época, Logan já tinha decidido que conseguiria as coisas dele com o seu próprio suor e não morava mais aqui, e Benjamin também foi morar fora, para curtir a vida adoidado.
Eu fiquei. Eu e a Dora. Dora é 6 anos mais velha que nós e ela casou jovem, mas não teve filhos. Ela ficou viúva recentemente e como seu marido só tinha uma irmã, Carolina, esta também veio morar com a gente. No fim era eu e meu pai junto com 5 mulheres. Meu pai morreu há 6 meses atrás e eu fiquei como o único homem da casa, cuidando das 5 mulheres. Eu faço tudo o que o meu pai fazia. TUDO.
Depois de assinar o cheque e dar para o meu irmão, ele me convidou para almoçar juntos.
— Infelizmente hoje não dá. Vou conhecer uma vinícola à tarde. É longe e eu vou sair às 11 horas daqui. Quer ir comigo?
— Não, obrigado. Adoro vinho, mas prefiro não conhecer o processo. Eu vou ficar em casa. — ele levantou da cadeira, guardando o cheque no bolso da jaqueta e com um sorriso m*l intencionado.
— Cuidado. Elas não sabem sobre as outras.
— Você ainda vai se meter em problemas com esse harém, Heitor. — me alertou.
— Não se as coisas continuarem como estão. Pelo visto você ainda continua a vida de putão…
— Ainda tem muita b****a para experimentar o meu p*u milagroso. O tempo da aposentadoria ainda não chegou. Está para nascer uma mulher que me faça mudar de ideia. — ele andou até a porta.
— Digo o mesmo. Até mais, irmão.
Está para nascer a mulher que vai me fazer abrir mão de todas as outras.
CLARISSE FERRARI
Desci do meu cavalo e assim que entreguei as rédeas para o cuidador, segui para os fundos, a fim de deixar as esporas no almoxarifado. Ao chegar na porta, fui arrastada bruscamente para dentro do cômodo e jogada na estante. Marco Antônio me agarrou todo eufórico e me surpreendeu com um beijo selvagem.
Fiquei sem reação pelos primeiros 5 segundos, pois não imaginava que Marco Antônio teria essa coragem e também essa pegada toda, mas ao me tirar o fôlego, o empurrei para longe de mim — tentativa falha. — e interrompi o beijo. Nos encaramos, ambos ofegantes e assustados. Eu estava com as mãos em seu peito e ele ainda segurava as minhas costas.
— Por que fez isso? — perguntei assustada.
— Será que você nunca enxergou que eu sou completamente apaixonado por você, Clarisse? — ele me olhava com certo desespero no olhar.
Sim, eu já havia percebido o seu interesse por mim. Até mesmo quando eu ainda estava com o meu falecido namorado. Mas sempre fingi que não percebia. Às vezes pensava que era só coisa da minha cabeça e em outros momentos eu acreditava e sabia que era melhor não enfrentar essa situação para ninguém sair magoado.
— Marco, você sabe muito bem o que vivi no ano passado. Sabe que eu não conseguiria retribuir o que você sente.
Ele afrouxou sua pegada e deu um passo para trás. — Você não pode viver lamentando a perda do Gilvan! Você é jovem. Ainda tem muita coisa pra viver pela frente. Ele foi seu primeiro namorado e você age como se ele fosse o único homem na terra! Me dê uma chance. Eu te provo que posso ser bem melhor do que ele.
Ele não entende.
— Clarisse, por que vai soltar o cavalo? — meu irmão berrou enquanto eu ouvia o som da sua bota batendo sobre o piso do estábulo. Ele se aproximava.
Me afastei de Marco Antônio, deixando aquele assunto de lado. Foi um livramento o Edu chegar nessa hora.
Saí do almoxarifado e fui ao seu encontro. — Eu já fiz o que tinha que fazer.
— Ainda não acabou, princesa. Tem gado há 1 km daqui.
Se existir um dia em que Eduardo não apareça com trabalho extra para mim é porque ele esqueceu de quem ele é. Eita bicho xarope!
— Posso fazer isso depois do almoço?
— Pode. Desde que faça. — ele olhou para os fundos e juntou as sobrancelhas, intrigado. — Marco Antônio, o que faz por aqui?
— Seu pai mandou pegar uma sela. Nós vamos visitar o vinhedo antes da visita chegar.
— Que visita? — fiquei curiosa. Eu nunca sei dessas coisas.
— O Sr. Becker vem nos visitar. — Eduardo contou, colocando a mão em minhas costas com um leve empurrão para que o acompanhasse até nossa casa.
— O Sr. Becker? Legal! Ele sempre traz uma caixa de bombons alcoólicos para mim. — lembrei animada.
— Clarisse, eu sei que você ficou algum tempo reclusa por conta da morte do Gilvan, mas achei que sabia que o Sr. Becker que você conhece faleceu.
— O que? — uma tensão se espalhou pelo meu corpo. É sempre assim quando ouço notícias de morte. Como se um cobertor de tristeza me enrolasse.
— Há 6 meses atrás, de infarto.
— Coitado! Ele parecia ter uma boa saúde.
— Pois é. O Sr. Becker que vem aqui é um dos filhos dele.
— Espero que ele seja como o pai. — sorri para meu irmão, mas continuei triste pelo Sr. Becker pai.
— Ele ligou ontem, avisando. Vamos fazer um banquete e uma pequena comemoração para ele se sentir acolhido por nossa família. E você, seja receptiva.
— Acho que não tem ninguém melhor do que eu para entender o que ele está passando.
Há pouco mais de 1 ano atrás, eu perdi meu namorado Gilvan. Eu o amava tanto que ao vê-lo caindo daquele touro nos 3 primeiros segundos e logo em seguida se amolecendo no chão enquanto era pisoteado pelo mesmo animal, me deixou traumatizada e me partiu o coração.
Com ele foi uma parte de mim. Eu não sabia que este era o meu maior medo até ele se tornar real. Perder o amor da minha vida me fez temer esse sentimento. Tenho medo de passar pelo mesmo sofrimento novamente.
Acho que nunca mais vou amar alguém.