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Jaqueline narrando. Sim, podia se dizer que eu tinha raiva dela. Da Cecília. Aquela toda boazinha, a toda linda, a que todo mundo ama e que todo mundo admira, apenas por cuidar de uma casa com um bando de crianças melequentas. Nossa grande coisa, e eu não entendia essa fascinação que todo mundo tinha por ela, não entendia esse amor que todo mundo tinha, só por que ela não conhece os pais de verdade ? Só por que cresceu em um abrigo ? Nojentos Eu odiava esse lugar. Odiava as pessoas daqui sem nenhuma exceção, o meu sonho de consumo é arranjar algum i*****l para me bancar, por que é claro que eu não iria usar as minhas lindas mãos para ficar limpando mesa de bar, ou fazer faxina em casas, ou até mesmo vendendo roupa em uma loja caída. Eu preferia o jeito fácil, satisfazia as minhas vontades e ainda ganhava dinheiro, tinha coisa melhor que isso ? Sempre foi assim, eu perdi a minha virgindade com 14 anos, meus pais nunca me seguraram, eles eram pobres, mas eu queria mais, muito mais, eu não queria ser uma pobre nojenta que vivia em uma favela. Quando eles morreram foi um tremendo alívio, assim eu não precisava ajudar eles com os remédios e nem nada disso, eu amava eles, não vou falar que não, mas.... Porra, que vida difícil que a gente tinha. [...] Olho para cima vendo aquele Zeus. Um gostoso do c*****o, e provavelmente cheio do dinheiro, eu até tentava me jogar pra cima dele, mas como sempre a sonsa da Cecília já estava lá, com aqueles olhos dela. Me poupe. Vejo ele sorrir e olho para aonde ele estava olhando, é claro, era pra ela, os dois se olharam por um curto período de tempo e ela logo desvia o olhar voltando a atender uma mulher na loja dela. Reviro os meus olhos e continuo andando até a praça, vejo alguns envolvidos jogando bola e algumas meninas daqui do morro sentadas na arquibancada babando neles. Chego nelas vendo elas sorrirem. — Oi meninas, estão olhando esses gostosos desde quando ? — Eles começaram agora amiga, senta aí para apreciar também — Ester fala e passa a língua nos dentes olhando pra eles Ester era uma das minhas colegas daqui, tinha a fama de rodada como as outras, eu sabia que ela era falsa, que era uma pessoa fingida, mas era melhor do que a Cecília e a Heloísa. A Heloísa por mais que seja a minha prima me enjoava, sempre ficava defendendo a Cecília com unhas e dentes, parecia uma cadelinha defendendo a sua dona. Heloísa foi burra quando engravidou, eu apresentei ela para o boy, e no primeiro chá já engravidou. Eu até tentei convencer ela a abortar, mas ela quis ? Quis nada, e nem pra segurar o macho ela serviu. Ficou toda babona na barriga, foi aí que ela e a Cecília se conheceram e começaram com essa melação. — Aquele morte é um t***o, olha — Ester fala se abanando ao ver o morte tirar a camisa e caminhar até os outros caras — Um t***o ele é, porém é um i****a que baba pela minha prima que nem liga pra ele — falo e nós gargalhamos alto — Sua prima ? Ela é toda sem sal e ainda com filho aí que fica pior — Lívia fala fazendo careta e eu dou risada concordando Tem gente que tinha m*l gosto mesmo, eu já fiquei com o morte a alguns anos atrás, mas nada sério, era apenas um pente e rala, aí ele começou a prestar atenção na minha prima e puf, ficou de quatro por ela. Quer dizer o morte era um cachorro solto, vira e mexe trocava de lanche, mas eu nunca vi ele olhar para ninguém da forma que ele olha para a Heloísa. E não sei por que Como a Lívia falou, ela é toda sem sal e com filho fica ainda pior.
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