Cecília Gonçalves
— E então foi isso — falo para a minha mãe sobre o beijo com o Zeus, na verdade os beijos né
— E como você se sentiu ? — e por que ela e a Heloísa sempre me perguntavam a mesma coisa ?
— Eu me senti bem, mãe — falo dando de ombros tentando não sorrir, o que não deu muito certo né, vi minha mãe sorrir me olhando animada enquanto terminava de comer um pedaço de bolo
— Vocês ficam bem juntos — ela fala me olhando
— Mãe nem começa, a gente apenas ficou — falo rindo vendo ela revirar os olhos
Nós tínhamos ficado, tinha sido apenas um beijo...intenso, bom, gostoso e que me arrepiou toda, e que sempre que eu lembro me faz ficar estranhamente excitada e arrepiada, mas foi só um beijo né ?
[...]
— Tô indo, beijos — Heloísa fala e me dá um beijo na bochecha e eu sorrio de leve vendo ela sair
Já tinha dado o horário dela na loja, e também estava totalmente vazia e sem nenhuma cliente. Suspiro voltando a olhar para o meu celular, estava pesquisando alguns cursos de designer, eu queria começar de alguma lugar ou de alguma forma sabe.
Já era pra eu ter começado na verdade, mas eu demorei demais, ou sempre acontecia alguma coisa e eu tinha que adiar, mas agora eu quero focar no meu sonho. E com fé em Deus eu vou conseguir algum curso por perto.
O r**m era que os cursos eram muito caros, e os que eram baratos eram longe, então era bem provável que eu iria gastar com uber ou ônibus, o dinheiro que eu gastaria iria ser para um mais perto mesmo.
É parece que vai ser bem mais difícil do que eu esperava. Suspiro fundo bloqueando o celular olhando para a loja limpa e vazia, não teve muito movimento aqui hoje não, sempre é bem movimentado, mas tem outros dias que não aparece uma alma penada.
Faço uma hora ali esperando alguém aparecer mas acabo desistindo rápido, arrumo algumas coisinhas ali e fecho a loja indo pra casa, sentindo o calor do c*****o me cozinhar. Depois de um tempo eu chego na rua de casa e de longe eu vejo o Zeus com o pai dele em uma das mesas de fora, e meu coração já acelera.
Vejo o Zeus olhar para dentro do bar e depois erguer a cabeça olhando para a minha varanda.
Ai aí.
Quando eu chego perto eu vejo ele me olhar com aquele olhar dele, nem preciso falar que eu me arrepiei toda né ? Nem entendi não.
Suspiro fundo vendo ele sorrir e tento conter o meu sorriso. Aí aquela famosa dúvida surge na minha cabeça.
Dou apenas sorriso e subo para casa, ou vou até ele e cumprimento ?
Caralhooo.
Vejo ele se levantar quando eu chego praticamente na porta do bar e vir até mim sorrindo.
— E aí, tá bem ? — ele pergunta sorrindo e me abraçando, me surpreendendo
Sinto ele dar um beijo na minha bochecha enquanto sentia o cheiro dele e olhava vendo algumas pessoas que passaram na rua e algumas pessoas do bar olhando para a gente.
Sinto minhas bochechas quentes e eu escuto a risada do Zeus baixa, enquanto ele se afasta ainda me olhando.
— Eu tô bem, e você ? — ele dá de ombros sorrindo e me olha por completo
— Toda gata hein — ele sorri voltando a olhar para o meu rosto e eu faço uma careta olhando pro meu corpo
Eu não estava "gata", estava com uma calça jeans escura com alguns rasgos na perna, uma camisa masculina, um vans preto, e os cabelos presos em um coque e pra completar ainda estava suada e provavelmente com a cara de acabada.
Então eu não estava "gata".
— Aham — falo e ele revira os olhos fazendo eu rir — Eu vou ir tomar banho
— Tá bom, desce aí depois para nós trocar uma ideia
Fico olhando para ele por alguns segundos sentindo a minha bochecha ficar quente pelo jeito que ele falou, me olhando de cima a baixo, com aqueles olhos onix dele, fazia eu me arrepiar por inteira, um negócio totalmente doido.
[...]
Coloco a minha roupa soltando os meus cabelos que eu não tinha lavado, e arrumo o chinelo nos pés, estava um calorão no rio, e sem dúvidas tem dias que esse sol judia, não sei como as monas da favela saia todas montadas, eu não tenho essa disposição não.
Quando eu desço para o bar e vejo o Zeus na mesma mesa em que estava, agora sozinho e mexendo no celular, ele era tão gato que tirava todo o meu fôlego, não só o meu né mais o de qualquer menina.
Todas aquelas tatuagens dele e o rosto relaxado, o deixava com cara de m*l, dava até um arrepio na espinha, não de medo ou receio, era um arrepio bom.
Os cabelos pretos e bagunçados, o jeito largado dele, a boca desenhada e o maxilar marcado, é...ele tirava o fôlego de qualquer uma. Dava até um negócio no pé da barriga.
Suspiro indo até ele, vendo o mesmo levantar a cabeça e me olhar sorrindo de leve e colocando o celular de tela para baixo em cima da mesa.