A manhã chegou cedo demais, como se o tempo tivesse decidido não dar mais nenhuma trégua. A luz atravessava as cortinas do quarto, iluminando aos poucos o corpo de Mariana ainda deitada, envolvida nos lençóis e no calor de Leonardo, que permanecia acordado, observando ela em silêncio. Ele não tinha dormido direito. Não depois da ligação. Não depois da decisão. Não depois de perceber que aquele era o último momento de paz antes da guerra recomeçar. Ele passou a mão devagar pelo cabelo dela, afastando alguns fios do rosto, com um cuidado quase doloroso. Mariana se mexeu levemente, abrindo os olhos aos poucos, ainda sonolenta, mas com um sorriso automático ao encontrar o olhar dele. — Você ficou me olhando a noite inteira ou eu posso fingir que você dormiu pelo menos um pouco? — a voz dela

