Capítulo 14: I V A N C Z A R

1572 Words
" Quando as coisas se complicam, é natural recorrer a sua melhor arma. " Ivan Czar *** — Tom está em Toronto. — Estas informações não estavam corretas. — De acordo com Jack, ele deveria estar a caminho da empresa de Houston em Washington. — Não fazia sentido, o jato dele deveria ter sido interceptado no aeroporto, de acordo com as investigações de Edgar. — Quero alguém no encalço dele. — Respondi me arrumando, iria no clube o quanto antes. Precisava derrubar tudo por lá, erguer algo novo e mais produtivo, algo que não fosse tão impróprio para negócios. Meu plano seria mudar todas as rotas de entorpecentes, acabar com a mercadoria humana. Não suporto saber que tudo ao meu redor foi conquistado dessa forma, com dinheiro sujo e com a falta de humanidade. — Já foi providenciado Ivan. —Edgar responde como se fosse o óbvio da questão. Não será produtivo bater de frente com o próprio conselho, isto era fato, o óbvio de que perderemos seria estampado em nossos rostos como em uma clara derrota e consequentemente, com uma alta de perdas. O conselho Ogon', é constituído pelos homens de maiores influências dentro da máfia Russa, de acordo com o que Robert me explicou, eles podem comandar até no país todo, são famílias antigas de sobrenomes poderosos que nem o próprio governo pode usufruir de tal ousadia para enfrentá-los. Especificamente, os sobrenomes Cezare ou Czar são teoricamente o poder maior de lá, o que me lembra, John Cezare estava planejando algo e me queria para tal feito. — Você precisa marcar de encontrar os líderes, estão à sua espera. Talvez queiram alguma aliança. — Deu de ombros. — Já fiz isso. — ajustei a gravata. — Vou ao clube agora, preciso esclarecer algumas coisas, fazer algumas mudanças. Talvez eu abra alguns cassinos! — Não é uma má ideia. A maioria dos negócios estão investindo nesse ramo de cassinos, jogos e hotéis temáticos. — É apenas o plano, primeiro precisarei estar à frente de tudo. — Afirmei. — Precisa de tomar muito cuidado, não beba nada e se vir alguém suspeito, tente se manter longe. — Suas palavras eram sábias, terminei de abotoar as mangas da camisa social e parti para o Clube de swing. Tempos mais tarde, estacionando o carro na entrada, tendo o vislumbre do que um dia foi o lugar mais procurado por mim, para tentar amenizar meus sentimentos, estava sendo um tormento pessoal. Todas aquelas pessoas de diferentes classes, tipos de estilos, não faziam parte do que tinha em mente. O pecado que antes era irresistível de se olhar, estava ferindo meus olhos, a luxúria já não tinha aquele brilho tão conhecido. Translúcido de tudo ao meu redor, entrei diretamente na área VIP, contendo as mesmas poltronas vermelhas, o mesmo ambiente escuro e sombrio. O cheiro familiar de entorpecentes, bebidas de todos os tipos, deixavam meus pensamentos dispersos e uma sensação inebriante. Passando por todas as pessoas, analisando todo o ambiente, os espaços, daria um bom local para reforma. Poderia imaginar uma recepção, talvez meus planos poderiam dar certo de acordo com os investimentos. Fiquei no local por um bom tempo, algumas mulheres me davam entrada quando estavam perto, porém meu foco seria outro. — Ivan Czar. — Uma risada forçada tomou minha atenção. O homem bem trajado sentou ao meu lado apoiando os pés sobre a mesa. — O que deseja? — Alianças. — Sua voz reverberou pelo ambiente, mesmo com a música alta. — Vai uma Vodka? Neguei vendo que ele levou a garrafa até os lábios tomando uma quantidade razoável. Sua postura era segura, como se tivesse ensaiado todos os movimentos. — E qual é o seu desejo? Ri em deboche, peguei um cigarro do bolso. Uma coisa que aprendi com a vida dentro do crime, você não vem procurando por alianças, tudo tem um certo preço, um interesse, e o objetivo desse homem eram outros. — Morte. — Não era mentira, boa parte do tempo meus pensamentos são voltados para a morte. Não importa que seja de alguém próximo ou se a morte fosse meu desejo mais íntimo, morrer também seria uma boa opção. O homem enrijece sobre o couro vermelho da poltrona. Estava pouco me importando com o perigo que estava passando nesse momento, seus olhos castanhos se fixaram em cada movimento meu, talvez estudando o melhor momento de abordagem. — Convenhamos ser franco. Você já tem o que quer Ivan, tem poder agora. Olhe para onde estás! — O homem solta o ar desnecessariamente forte. — O que deseja? — Foi a minha vez de perguntar. — Qual o preço? — Quero ela. — Ele tomou outro gole. — A v***a que você está protegendo. Despretensioso e com tamanha audácia, ousava dizer tais palavras. Ele quer Natasha, mas por qual motivo? — E o que te faz pensar que pode vir até aqui me ameaçar? — Levantei impondo minha postura, o homem tremeu em resposta. — Eu sou… No momento tirei minha arma do coldre e atirei em sua cabeça fazendo um barulho ensurdecedor, seu sangue veio como respingos manchando minha camisa. — Foram suas últimas palavras. — Meu corpo tremia pela adrenalina, os nervos tensos e minha visão um pouco turva, mas consegui notar o grande movimento de pessoas que, no tumulto, causavam muito barulho de gritos. Já sem motivos para ficar, decidi retornar para a mansão, não vi motivos algum até aqui, meus atos estavam sendo feitos no automático. Sai do estabelecimento de forma calma, mesmo com o sangue fervendo em minhas veias e a enorme vontade de descarregar o ódio dentro de mim. Dirigindo feito um maluco, pensando em tudo o que havia passado, me lamentando por perder minha mãe, por ter sido tão egoísta colocando meu futuro acima de tudo e o mais importante, minha vingança tirou tudo o que restou de mim. Merecimento e créditos a este e******o. *** Fazia alguns meses, estava uns dias sem poder tomar banho ou até mesmo ter uma refeição adequada, mas era o suficiente para manter um pouco das forças. A maioria dos dias se davam em lutas clandestinas, vale tudo onde rolavam muitas mortes. Eu não passava de uma mercadoria onde Cezare recebia em suas apostas absurdas, apenas uma maldita mercadoria. Os valores e conceitos sobre tudo havia mudado, muitos dias sem poder ver a luz acabou violando os princípios que carregava me fazendo desistir de lutar contra, minhas vontades estavam sendo controladas. — Façam as suas apostas! O corpo corroído pelo cansaço, os nervos protestando e as pernas moles. Não restava mais nada além de apanhar sem poder revidar, nada ali teria o poder de me fazer levantar ao quinto Hound com um nocaute de direita sobre o queixo. Esperando ansiosamente pelo fim. Agoniado, esperançoso pela paz e o esquecimento, para não mais existir. Não importa onde ou qual crença, não ter que lutar e derramar sangue era uma boa opção. Pelo canto do olho esquerdo já inchado notei o outro lutador andar a minha volta, as pessoas gritando ansiosas por ver sangue, mulheres prostitutas se esfregando nos homens poderosos e lá estava o culpado de toda minha desgraça. Cezare se mantinha imponente, seu olhar fixo ao meu como uma ameaça silenciosa. — É matar ou morrer. Se você morrer, ela também vai. — Desespero fez meus batimentos acelerarem, minha mãe morreria e tudo estaria fora do meu alcance. Procurei forças de onde não tinha para poder me erguer do chão de cimento. Meu corpo protestava, minha mente estava vazia, esperei pelo primeiro golpe do canivete de meu adversário, então desviei do golpe segurando firme em seu braço direito, torcendo para trás e então fiz o homem se ajoelhar, tomei o objeto de sua mão e entalhei um corte profundo em sua garganta. Diversas vezes lutei e por diversas vezes desejei morrer. Mas era ela quem me dava forças para continuar, minha mãe estava sendo a força vital que precisei nesses anos todos. *** — Valha-me Deus! — Margarida pulou de susto quando entrei na cozinha, precisava de Água e talvez um gole de café. — Izvinite! — Me desculpei achando cômica sua careta de descontentamento. Sentei na grande mesa que tinha ali com cadeiras por toda a sua extensão de nove metros. —Tudo bem. — Admirei o jeito com que ela trabalhava de forma graciosa. Margarida parecia estar voando pelo cômodo enquanto pegava ingredientes para fazer o almoço. — Quer alguma coisa, senhor? — Perguntou sentido que a observo. — Apenas um café. — Respondi. — Cruzes! Você está bem? Se machucou? — Tagarelou nervosa, se aproximando de mim. — Estou. — Segurei seus pulsos impedindo que ela tocasse em meu peitoral, olhei em seus olhos e vi inocência ali. Ela era poucos anos mais nova do que a mim, poderia dizer que dez anos de diferença. Ela é bela, o corpo magro e os olhos azuis, típicos da região. Deixei o café para outra ocasião, subi até o quarto e então passei a chave no trinco. Tirei toda a roupa ficando apenas de cueca e então sentei ao lado de uma mesa de canto com gavetas, abri uma contendo alguns saquinhos, abri um sobre a superfície plana de madeira e depois retirei uma folha de um caderno, enrolando em seguida, posicionei o canudo improvisado sobre o monte do pó e inspirei. O entorpecente estava fazendo efeito, talvez precisasse apenas tentar descansar as noites m*l dormidas.
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