Capítulo 13: IVAN CZAR

1685 Words
"A dor não te dá só o desejo da morte, mas também a perseverança de uma Doce Vingança" Ivan Czar *** Olhava o céu em seu esplendor pela manhã. Precisava falar com Robert para poder colocar alguém no encalço de quem quer que fosse o sequestrador, a pessoa deveria aparecer juntamente com o bebê. — Não conseguiu dormir? — A voz de Natasha me pareceu nítida demais, puxei o fôlego tragando um cigarro contendo ervas, já não sei mais como resolver meus problemas. — Não tenho tempo para isso. — Sua respiração estava perto o suficiente para me causar arrepios. — Tom me contou que você saiu a noite. Seus pés falharam. Não pude ouvir nada além da minha respiração, meu maldito coração parecia acelerar, ansioso por alguma resposta. — Fui para um hotel. Não iria conseguir ficar aqui depois de tudo. — Percebi os tremores no timbre da voz, então seus passos a guiaram até o lado de fora da sacada, empurrou a cortina graciosamente enquanto fiquei encarando seu corpo com um vestido azul bebê. — Não consegue ficar no mesmo ambiente do que eu? É isso? — Não consegue controlar os impulsos e o nervoso que tomava conta de meu corpo, joguei o cigarro no c chão pisando em seguida. — Eu não sei… — Natasha respondeu de forma insegura. — Talvez seja. Aproximei, colocando uma mão em cada lado de seu corpo, apoiando no cimento da sacada. — Não entendo. Uma hora você quer estar… Depois, quer distância! — Suspirei sentindo seu corpo tremer com minha aproximação. — Tem medo de mim? — Ela virou o corpo, seus olhos se fixaram nos meus. — Não. — Respondeu em um único suspiro. — Mas é necessário me afastar. Meu coração tremeu sobre o peito, vacilante, dei brecha ao qual foi a oportunidade perfeita para que Natasha pudesse escapar. — Edgar está à sua espera no escritório. — Apenas desconversou saindo do quarto. Natasha parecia instável, às vezes me custa pensar em como realmente seria se a conhecesse o suficiente para acreditar que ela esteja escondendo algo de mim. Suspirei sentindo todos os músculos reclamarem, minha visão estava um pouco atordoada e os olhos ardentes pela falta de descanso. Segurei com firmeza a ponte do nariz com o indicador e o polegar, fechando os olhos enquanto tentava clarear a mente. Busquei a camisa social pelo quarto encontrando-a jogada aos pés da cômoda, lembrei de que precisava trazer os meus pertences para cá o mais rápido possível, coloquei a roupa sobre o corpo, calcei os sapatos sociais e segui diretamente para o escritório. — Finalmente! — Edgar estava com alguns papéis em mãos. Sentado em minha poltrona, despojado enquanto servia a si mesmo um bom whisky. — Qual o motivo da sua visita? — Fui direto ao ponto fazendo ele fechar a cara em desgosto. — Vim te trazer o cadastro de todos os homens de Cezare. Já tem alguns interessados sobre quem será o novo Czar. — Tentou ser descontraído, elevei uma das sobrancelhas e Edgar me estendeu uma pasta vermelha. — Não vai ser tão fácil assim! — Robert entrou encarando Edgar de uma forma que não identifiquei. — Bom dia para você também. — a tensão era de forma estranha entre eles. Tomei o meu lugar enquanto Edgar se levantou para estar frente a frente com Robert. — Para você nada é fácil. A lista contém mais ou menos trezentos homens ao nosso lado. — Isso significaria um pouco menos do que a metade, folheei analisando o conteúdo, em cada ficha estava descrito sobre a pessoa e havia um símbolo com as minhas iniciais. — Estou sendo otimista apenas. — Você realmente sabe o significado desta palavra ao menos? — Edgar debochou. — Foi o que pensei. — Cheguei pessoal! — Jack aparece trajando uma jaqueta de couro, parecia estar com algumas doses em suas veias logo tão cedo. — Alguém viu o Tom? — Ergui os olhos dos papéis, Robert parecia um pouco preocupado e Edgar estava neutro como sempre. — Talvez tenha tomado meus conselhos a sério e ido farrear por aí. — Jack deu de ombros se aproximando da mesa, pegou a garrafa de Whisky virando diretamente o gargalo sobre a boca. — Quê conselhos? Você é o cara mais folgado e sem compromisso do que todos aqui nesta sala! — Edgar estava visivelmente alterado como não tinha percebido antes, Tom entra na sala e parecia ter um brilho estranho nos olhos como se as discussões fossem a melhor parte do seu dia. — Se vocês vieram aqui para discutir, que se retirem agora! — O russo saiu fluente e de forma autoritária de meus lábios, todos se espantaram quando, propositalmente, causei um barulho batendo os punhos sobre a mesa. — Acho melhor eu voltar para os afazeres. — Jack parecia estar pouco se importando com toda a situação. Levantou para regressar de onde veio. — Jack. — Comecei a sentir a dor de cabeça me atingir. — Quero que averigue o sistema de segurança antes de sair. — Ok Chefia. — Sai esbarrando em Tom que faz uma careta. — Muito bem. — Tomei o meu lugar na grande mesa vendo os homens se acomodaram no sofá. Tom se despede e sai também alegando ter problemas para resolver. — Não confio em Tom. — Robert resmungou tendo a aprovação de Edgar. — Teria alguma prova? — Argumentei, precisaria pensar a respeito. — Muitas para ser exato. — Tom era um homem com uma grande influência diplomática. Todos os eventos políticos eram agraciados pela sua presença, então seu envolvimento na Máfia era importante. — Prossiga. — Talvez minha intuição esteja certa. — Pelo simples fato de não sabermos quase nada sobre, já é um fato a ser pensado não acha? — Ele tem toda a razão, nessas circunstâncias não pode haver traição. — Se for assim, quero que investigue mais sobre ele. — Outro fato, um bebê recém nascido ter simplesmente evaporado em uma noite tão trágica. Ninguém sairia assim, a não ser que essa pessoa conheça muito bem a mansão. Havia alguém por trás de todo esse mistério e tenho quase certeza de que Tom tem um dedo de culpa nisso tudo. — Farei o que me pede, mas com muito prazer. — Me servi de mais vinho não querendo pensar em mais nada além do que um futuro não planejado, ou melhor, m*l planejado. — Com licença, Ivan. O café da manhã está pronto! — Natasha aparece de certa forma milagrosa, precisava mesmo de um tempo não reflexivo. — Precisamos ir Robert, temos um trato a cumprir. — Edgar se levantou sendo seguido até a porta. Robert dirigiu um olhar frio para a mulher encostada na soleira antes de cruzar seu caminho e sair. Escutei sua respiração ficar falha e então se aproximar ficando apenas no centro da sala. — Vai tomar café da manhã? — sua voz trêmula me parecia atrativa. — Está com medo? — Levantei indo em sua direção. — Sou tão repugnante assim? — Não. — Suspirou. — Não tenho medo de você. — E porquê raios vive fugindo? — Aproximei ao ponto de ter apenas um palmo de distância entre nossos corpos. — Porquê as coisas, essa realidade não condiz com o que vivi. Nada aqui me pertence Ivan! — Ela deu a volta em torno de si me fazendo afastar, sentou no sofá apoiando a nuca no encosto, fechou os olhos e soltou o ar com força de seus pulmões. — Quero entender seu mundo Natasha. Não fuja! —Ela riu sem emoção, seus lábios se contorcem de forma deliciosa. — Preciso que fique longe Ivan! Você não entende? Não quero que se machuque, além de ter presenciado tudo o que você vem enfrentando sozinho, não quero ser a causa de sua ruína. Queria confrontar o que ela havia dito, despejar toda a minha frustração, tentar entender seu olhar enigmático e acima de tudo, buscar acreditar que suas palavras não fossem tão doloridas quanto estavam sendo. Então olhei em seus olhos querendo encontrar todas as respostas, mas só vi o vazio, decepcionante. — Vamos tomar o café. — Rompi os nossos contato de olhares perdidos, peguei o paletó deixado no braço do sofá e parti deixando aquela mulher estranha para trás. Partindo para meu quarto, precisava de um banho para começar o dia e talvez pudesse esquecer um pouco de meus pensamentos conturbados, minha mãe era a causadora da dor que mais consumia a minha alma, se é que eu tenho alguma. A casa estava silenciosa enquanto meus passos eram ouvidos, abri as portas do quarto onde tudo aconteceu, passei boa parte aqui depois que levaram o corpo dela para o enterro, infelizmente não consegui ter a despedida que merecia. Lágrimas rompantes tomaram conta de minha face, entrei embaixo do chuveiro relembrando dos melhores momentos com minha mãe, a água caia por todo meu corpo enquanto relembrava de seus conselhos. — O sucesso meu filho, é só de momento. Depois tudo um dia acaba. Porquê você não procura por um trabalho ou até mesmo formar uma família? Suas palavras ecoavam a cada segundo em minha cabeça, era doloroso pensar que as escolhas estavam em minhas mãos. E agora estava escolhendo um caminho sem volta. Terminei o banho indo diretamente para o closet, coloquei uma roupa menos casual, confortável e desci para tomar o café da manhã. Lá encontrei uma grande mesa posta com tudo o que eu poderia imaginar, mas que agora já não era tão bem vindo assim ao meu estômago. — Obrigada Margarida. — Natasha agradece a nova governanta. Assim que descobri sobre o novo contrato que Cezare havia feito com os empregados, pensei que se tratava de uma medida de proteção. Mas era algo mais complexo do que imaginava que fosse. — Bom dia. — Respondi seus cumprimentos me juntando à mesa. Servi um pouco de café e alguns cereais, depois comi ovos. Estava me alimentando a pulso, só queria acreditar que a vida poderia melhorar com o passar dos anos, mas isso não seria a minha realidade.
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