Capítulo 7

1036 Words
D A N T E Fiquei possesso depois de tudo o que aconteceu na casa daquela maluca lá! Falei que a criança não era minha, esculachei ela e no final me arrependi. Dandara é nova, mas tem uma mentalidade de mulher já de trinta anos. A maturidade, a responsabilidade e o jeito dela encanta qualquer um. Por isso mesmo tenho certeza que a criança não é minha! E eu não vou mesmo fazer papel de o****o, assumir uma criança que claramente não é minha. Cheguei na comunidade aquele dia com raiva, quebrei metade da minha casa e desde aquele dia me afundo na bebida. Nunca fui assim, drogas eu não uso mesmo não, só bebo bebida alcoólica mesmo. E desde então, não parei não. Peguei ódio daquele irmão dela e até mandei investigarem tudo dele, de início achei até que fosse namorado dela mas pô, nada haver né. Eles são até parecidos, incrível que até mesmo na personalidade! Eu não entrei mais em contato com ela, mas aguardava ansiosamente o dia em que ela pisaria aqui. "Qual foi chefe, aquela moça lá amiga da sua prima tá na comunidade. Tá na loja de roupa de criança que foi inaugurada recentemente!" — escutei a voz do vapor pelo rádio. Nem esperei muito tempo, peguei meu celular e minha pistola colocando na cintura. Sai da boca e fui até a minha moto, subi e parti pra lá. Hoje eu iria expulsar essa maluca daqui nem que fosse a tiros! Quando cheguei lá vi ela cheia de sacolas nas mãos, ao lado da Clara. — É com você mesmo que eu vim falar! — Falei alto já saindo da moto e seguindo em direção à ela, que guardou o celular. Ela nada falou, apenas me encarou. — Quero você fora daqui agora, não é pra pisar aqui mais não! Estou fazendo exatamente como você fez comigo, me passou de o****o, babaca e depois ainda se achou certa! — Continuei falando alto. — Para com isso Gabriel, pelo amor de Deus, já tem gente olhando! — Clara se aproximou falando mais baixo. — E você cala a boca, fica na tua! Isso tudo é sua culpa, que só anda com gente que não presta. Acha que eu não sei? Essa aí é só mais uma atrás de patrocínio, mas aqui não! Aqui nós é bandido, criminoso, assassino! Aqui o movimento não fica pra trás não, é fechamento no certo e apenas nisso! — Falei puto. Estava bolado mesmo, queria descontar toda raiva que estava em cima dela. Até ela suspirar e me encarar séria. — Primeiro, você abaixa seu tom de voz, pois você não está falando com as meninas emocionadas que você está acostumado não! Segundo, eu não queria mesmo pisar aqui não. Mas eu agora estou grávida de um homem irresponsável, se é que eu posso chamar de homem, e preciso comprar o enxoval da criança. E terceiro, não preciso do seu dinheiro não, está entendendo? Eu tenho meu próprio dinheiro, eu trabalho, eu corro atrás do meu. Se orgulha de ser criminoso, assassino e tudo mais? Pois bem, eu só aprovo que você fique longe do meu filho mesmo! Pois cada vez que pegasse essa criança pra dar uma volta eu ficaria preocupada! — Ela falou tudo tão rápido e tão alto quanto eu estava falando. — Você não vai vir aqui e me humilhar não! -Falei puto já percebendo que tinha gente me olhando. — Eu estou fazendo da mesma forma que você fez! Eu nunca precisei de você não Gabriel, eu apenas te contei algo porque imaginei que fosse tão importante pra você como está sendo pra mim. Mas agora eu reconheço que esse tempo todo eu não me envolvi com um homem, somente com uma carcaça de velho e mentalidade de moleque! — Ela falou e logo respirou fundo. — Você está se sentindo bem? — Clara se aproximou dela. — Não, eu estou me sentind... — Antes que ela pudesse terminar a frase ela caiu, desmaiou e no instinto de ajudar eu segurei. Aí pronto, né. Saiu a dona da loja pra ajudar, apareceu minha mãe e Clara tentava me ajudar a acordar ela. Mesmo que eu não tenha nada com ela, jamais quero ver ela sendo infeliz, passando m*l não. Com criança não se mexe e nisso eu tô ligado, é lei! Fiquei reparando nela durante um bom tempo, sua barriga já estava visível e seu semblante estava tranquilo. Não sei se era porque estava desmaiada, mas ela estava tranquila. Agora eu estou aqui, me sentindo culpado por ela ter desmaiado logo depois de ter discutido comigo. Demorou um tempo até ela acordar e eu precisei pedir pra chamarem a enfermeira que sempre ajuda o pessoal aqui. Ela examinou Dandara e ficou até ela acordar, toda confusa perguntando o que havia acontecido. Depois que ela já estava bem, foi se levantando aos poucos e colocaram ela sentada na cadeira. Dona Cátia logo me chamou para o canto da loja, sabia perfeitamente que ela ia falar abessa no meu ouvido. Incrível, ela pegou mesmo o lado da Dandara diante disso tudo, e pior, nem conhecia ela antes dessa mentirada toda. — Eu vou te falar uma vez só Gabriel, se não for pra chegar junto da Dandara nesse momento, se afasta! Porque ela está gestante, esperando um filho seu. E ao invés de você ajudar, só está atrapalhando com essas discussões sem sentido. Ela é da família querida você ou não e, é bom começar a se acostumar pois ela permanecerá me visitando, falando sobre meu futuro neto ou neta e me contando tudo. Se você estiver incomodado é só não me visitar mais e por favor, nada de levar outra na minha casa não! Você merece alguém que seja sincera, que te queira distante dessa vida de bandido, alguém que seja guerreira, trabalhadora, persistente e melhor ainda, uma mulher. Uma pena que você não reconheça isso! Agora sai daqui, vai embora antes que eu te enfie o tapa aqui mesmo, vai! — Ela falou com o semblante tão fechado que eu fiquei com medo, mané. Que loucura é essa? Não tô entendendo real mesmo não. Até minha mãe tá com ela... -
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