DANTE
Sai da operação e a primeira coisa que fiz foi tomar banho e correr para o hospital que a Dandara e o Nicolas estavam.
Estacionei a moto de qualquer jeito e entrei no hospital correndo.
- Dandara Albuquerque, estou procurando a.. - Antes de eu continuar minha mãe me chamou.
- Gabriel. - Ela falou em um tom profundo de tristeza.
- Meu filho? - Perguntei já com lágrimas nos olhos, correndo em sua direção.
Mas ao chegar mais perto eu vi os médicos tentando reanimar a Dandara, pelo o vidro do quarto.
- O que aconteceu com ela, mãe? - Perguntei.
- Não sabemos, meu filho. Ela veio bem no caminho, mas assim que botamos o pé no hospital, ela simplesmente parou. - Ela contou com tristeza.
Estava sentado na sala de espera quando a mãe e o irmão de Dandara chegaram. Os médicos haviam levado a Dandara para a cirurgia e eu vi bem como a mãe e o irmão dela reagiram quando minha mãe contou o que aconteceu.
E aquilo me doeu.
- Minha filha não, meu Deus.. - A mãe dela chorava.
- d***a! - Diego socava a parede enquanto lágrimas silenciosas caiam sobre seu rosto.
- Não fiquem assim, ela vai sair dessa! - Minha mãe tentava animar. - Ela aguentou um parto normal, no meio de um tiroteio. - Minha mãe contava na esperança de ficarem calmos.
- E a senhora se orgulha disso? Já não bastava minha irmã ter um filho de um marginal, aí foi dar a luz na favela. Isso é orgulhoso para a senhora? - o irmão de Dandara gritava com a minha mãe.
Me levantei com raiva, mas antes que eu falasse alguma coisa um t**a se estalou e eu só vi ele virando o rosto.
- Cale a sua boca, Diego! - a mãe dele gritou, e eu novamente me sentei. - Essa mulher aqui, salvou a vida da sua irmã e do seu sobrinho. Peça desculpas imediatamente! - a mãe de Dandara mandou.
Ele abaixou a cabeça e envergonhado, pedi desculpas a minha mãe, que disse que era deixar pra lá.
Demorou muito, mas finalmente o médico que estava com Dandara veio em nossa direção.
- Vocês são os parentes de Dandara Albuquerque? - Ele perguntou.
- Sim! - A mãe dela respondeu rápido.
- Bom, a Dandara tava um parto normal excelente, com laceração de segundo grau, mas pela quantidade de sangue ficou fraca. O esforço foi tanto que o coração dela não aguentou, por pouco não a perdemos! - Ele alertou. Tivemos que abrir para descobrir realmente o que havia dado errado e ela estava com uma hemorragia interna grave. Conseguimos conter, no momento ela se encontra estável. - Ele contou. - Ficaremos de olho nela, mas o bebê segue saudável e muito bem! - Ele falou por fim.
- Obrigada, muito obrigada! - A mãe dela falou para ele e logo em seguida abraçou minha mãe. - Graças a você, minha filha está viva! - Ela falava chorando, nos braços de minha mãe.
E eu só olhava, sem dizer nada.
Mas por dentro, algo em mim tinha ficado tranquilo.