DANDARA
Chegamos ao hospital com o meu filho em meus braços, ele era lindo, bem gordinho, eu estava fraca, mas segurava meu filho em meus braços com toda a força do mundo.
Mas eu sentia que não estava muito bem, no caminho ao hospital eu sentia minha visão escurecendo, sentia que a pressão estava baixando. Assim que chegamos ao hospital me colocaram na maca, a médica pegou meu bebê no colo e só bastou aquilo, para que eu ficasse inconsciente.
Depois de um tempo, minha avó estava na minha frente.
Ela em vida, foi a mulher que eu tanto admirava segundo a minha mãe, n***a, baixinha e com os melhores conselhos possíveis.
- Danda, que bom ver você! - ela dizia se aproximando de mim com sua bengala em mãos.
Minha avó morreu tendo um avc e logo depois, uma parada cardiorrespiratória. Ela não resistiu, e a família inteira se afastou depois disso.
- Vovó! - Falei me aproximando dela, a abraçando. - Eu tive um filho, vó. - contei.
- Eu sei disso, minha filha. Por isso mesmo, você tem que voltar! - Ela falou me soltando. - Seu filho precisa urgentemente de você! - Ela continuava falando.
- Eu morri? - Perguntei não entendendo.
- Não, o véu ainda não se rompeu... você ainda tem a chance de voltar, Dandara. - Ela falou.
- Eu sinto falta da senhora. - Falei com lágrimas em meus olhos.
- Eu sei disso, também sinto muita falta de vocês. - ela falava, sua voz calma e doce parecia estranha.
Tanto tempo sem ouvir sua voz, era estranho, estranho ouvi-la novamente, estranho sentir o quão doce era, sua mãos, seu toque...
- Escuta, Danda.... - ela chamou minha atenção. - O pequeno Nicolas veio para ajeitar os ânimos, manter a família construída e principalmente, trazer o amor que faltava. - ela falou, me fazendo chorar.
- Ele é abençoado né, vó? - Perguntei com muita curiosidade.
- E muito! - Ela falava sorrindo. - Nicolas é o grande menino da família agora, mas ele precisa da mãe dele. - Ela avisou. - Agora vá, volte para o seu filho! - Ela mandou batendo a bengala no chão.
Demorei para me acostumar com a luz.
- Graças a Deus você acordou, Dandara! - Ouvi a voz de minha mãe.
- Água. - Pedi com dificuldade, minha garganta estava seca.
Ela pegou a água, me trazendo com rapidez.
- Não faz mais isso, tá me ouvindo!? - Ela me pediu, e eu apenas assenti, sem entender.
Algo havia acontecido, mas as palavras da minha avó continuam em minha cabeça.