CAP.18

399 Words
DANTE Eu e ela nunca tivemos nada sério, mas eu confesso que ver ela gritando de dor não era o que eu queria. Enquanto ela entrava em trabalho de parto aqui dentro, lá fora rolava uma operação intensa, não tinha como sair com ela daqui. Escutei um grito da Dandara mais alto e fui correndo até ela, enquanto a menina que estava com ela levava a bacia e alguns panos, Dandara estava sangrando demais. - Pega um pano pro neném, Dante! - Minha mãe mandou. Mexi nas bolsas da Dandara e encontrei um cueiro. Eu não sou bom com criança mas eu já sabia a diferença, minha mãe me ensinava tudo isso. - Dandara, quando você sentir vontade, empurra. - Minha mãe falava. Ela assentiu respirando, ela suava demais, seu rosto estava muito vermelho. Ela gritava e logo parava, aquilo me quebrava por dentro. A amiga dela passava pano molhado em seu rosto, tirando o suor, refrescando ela. Não demorava muito e ela voltava a gritar, a cada grito ela sangrava mais, e a cada sangue a minha mãe ficava mais nervosa. Dandara foi ficando pálida, a amiga dela foi ficando nervosa e no último grito, minha mãe logo anunciou. - Nasceu! - Ela gritou feliz. E o choro da criança ecoou na sala, e ali, no meio da sala, no sofá, Dandara deu a luz. - Meu filho, se você tinha dúvidas que ele fosse seu filho, não tenha mais. - Ela falou. - Ele tem a mesma marca de nascença que você! - ela falou anunciando. Ela enrolou o menino no cueiro e entregou ele para Dandara, que ainda estava pálida. - Meu filho, meu tão amado filho. - ela o abraçou, dava pra ver o amor puro em seu olhar. O menino berrava, mas claramente mostrava força. Não é qualquer um que enfrenta o que eles passaram. Fiquei do lado da Dandara enquanto ela gritava, segurei em sua mãe, e te contar? que sensação estranha. É o meu filho. Minha mãe pediu ajuda dos vizinhos para que conseguisse sair da comunidade, e com muito esforço e "explicação" para os cana, eles conseguiram sair. Eu voltei para a operação, só que agora algo dentro de mim batia mais forte. Eu estava feliz, orgulhoso, o menino é lindo, moleque grandão. E agora, o meu ser era inteiramente pra ele, eu tinha que melhorar, por ele. Pelo o Nicolas.
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