Recompensa
— Bom dia rainha da neve — abro a janela por volta das 6h00 da manhã.
Todos os dias eram a mesma coisa, exceto aos sábados e domingos, ao invés de ir para o colégio, eu ia para o trabalho. Durante a semana depois do colégio eu ia trabalhar, as coisas não estavam fáceis em Green Gables, e eu precisava juntar dinheiro para entrar em alguma faculdade boa, saia de casa às 16h00 voltava às 20h00, quase o dia inteiro fora, e ainda tinha tempo para fazer as atividades do colégio, e estudar para entrar em alguma faculdade.
Pego o celular, Gilbert havia postado um vídeo no seu canal do YouTube a 00h00. Coloco o celular no bolso, não era hora de ver as palhaçadas dele, a manhã tinha tudo para ser agradável.
Visto uma calça jeans escura, blusinha ombro a ombro azul claro, solto os cabelos medianos e ruivos, passo uma maquiagem clara, mochila, cadernos, avental do trabalho, crachá, sapatos.
Acho que não me esqueci de nada.
Desço as escadas, pego uma maçã e deixo um bilhete.
" Até mais tarde, amo vocês".
Espero que Diana e Cole estejam no colégio, combinamos de ir um pouco mais cedo pois eu precisava falar minhas ideias do meu novo nome.
. . .
— Bom dia Cole — lhe dou um beijo na bochecha — cadê a nossa querida branca de neve?
— Advinha, está atrasada como sempre — ele gargalha — ela mandou uma mensagem falando que daqui a cinco minutos chega. Você não viu?
— Estou evitando olhar o celular.
— É? Por que? — seu cenho se franze.
— Porque Gilbert Blythe postou um vídeo, e eu não quero me sentir tentada a ver.
— Sério mesmo? Você Anne Shirley, a garota do coração petrificado, não quer ver um vídeo que o rei dos corações gelados postou?
Assinto, enquanto penso.
— Vocês viram que Gilbert Blythe postou um vídeo pedido Winifred Rose em namoro?
Minhas veias congelam.
— Diana, Anne não queria saber do vídeo, sua fofoqueira.
— Tudo bem, vou fingir que ela não me contou.
Bato a ponta dos dedos na mesa do lado de fora, inundada por minha curiosidade de outro mundo para saber como o pedido foi feito. Puxo o celular, certo isso não deve ser tão difícil.
— Finalmente — Cole e Diana murmuram em uníssono.
— Eu só quero ver...
E lá estava ele, gravando com Winnie quando de repente, ele entrega uma rosa no meio do vídeo, ela o encara sem graça, sem compreender.
— Winnie Rose, dona dos meus suspiros mais profundos, você aceita ser minha namorada?
— É claro que aceito, Gil.
Ela lhe dá um beijo, e o vídeo se encerra com ele gritando:
Ela disse sim!
— e então?
— E então? — encaro Diana que morde o lábio inferior.
— Você merece alguém muito melhor que Gilbert Blythe.
— Talvez não seja a equipe dele que queira descobrir quem é a mulher gato... Talvez seja o garoto que você beijou.
— Vamos falar do que interessa: Cordelia for now — encaro-os.
— Vamos, afinal de contas, levantamos mais cedo só pra discutir essa sua ideia maluca.
— Eu vou ser a Cordelia for now, vou precisar de Jerry — Diana sorri com malícia — como ele é um gênio no computar ele vai modificar minha voz, Diana, você e Cole vão gravar, eu vou me vestir de mulher gato, a única coisa que irão ver que realmente faz parte de mim, são meus olhos azuis.
Eles concordam.
— Vou arrumar tudo, e sábado às 18h00 começaremos as filmagens.
— Por que você quer fazer isso?
— Pediram para eu me pronunciar, e eu vou.
— Anonimamente.
— Essa é a graça, serei anônima, assim, nenhum esquadrão de loira oxigenadas vai me perseguir, e todos irão ficar com a pulga atrás da orelha.
— Você sabe que Prissy Andrews tem um talento bastante instintivo.
— Você sabe que Jerry Baynard é o melhor quando o assunto é computador.
— Certo — Diana levanta a mão — eu topo.
Encaramos Cole que faz o mesmo.
— Apesar de ser loucura, eu topo.
— Se todos topamos, agora sim, é hora de descobrir quem é a pessoa misteriosa que deseja descobrir quem sou eu.
— Vamos nessa, que aventura.
— É uma pena eu não ter visto a fantasia dele — admito — eu estava com tanto medo de ser reconhecida, que me privei de olhá-lo com atenção.
— Foi o único cara que você beijou na noite — Cole me lembra — você deveria ter continuado o beijando o resto da noite.
— Você me puxou — lembro — mas senti uma conexão tão forte com ele, me arrepio só de lembrar.
— Ele pode ser o amor da sua vida.
O sinal toca. Entramos no colégio, observo as paredes dos corredores. Um cartaz, dois, três.
"Recompensa para quem entregar a mulher gato"
— Uma criminosa, não? — Margot surge atrás de mim com um sorriso torto — você tem que aparecer.
— E eu vou — encaro-a — depois do fim do nosso turno sábado Margot eu vou aparecer, você está convidada para ir.
— E onde você vai aparecer Anne?
— Hoje a tarde eu te conto tudo, temos que ir para a aula agora.
. . .
— Recompensa para quem entregar a mulher gato? — Winifred tagarelava na mesa da lanchonete, com as três marionetes loira, Gilbert e Roy. — isso é ridículo.
— Realmente. — Gilbert concorda — tem alguém muito fissurado nela.
— Não é tão ridículo — Ruby tagarela — eu estou achando o máximo.
Todos a encaram com indignação.
— É sério, você só está com inveja Winnie, porque sabe que ninguém jamais procuraria se soubesse que é você.
Dou uma risada alta. O esquadrão me encara.
— E você, garçonete, do que está rindo? — Winnie fala.
— De nada — ergo os ombros — só achei engraçado a sinceridade de Ruby.
A loira inocente sorri enquanto a Queen Bee lhe repreende com um olhar mortífero.
— Você deveria ser estar indo buscar o meu suco, ao invés de ficar bisbilhotando a conversa dos outros.
— Ok — falo cínica — mas antes Winifred, me diga qual suco a vossa majestade deseja, eu sou paga para marcar e não, ler mentes.
Gilbert da um sorrisinho torto.
Olhos verdes com manchas castanhas
Altamente tóxico e sedutor.
— Morango — ela diz com raiva.
Ah Queen Bee. Você não tem ideia do que é mexer com Anne Shirley-Cuthbert.
. . .