O início da Guerra.
— Me diz que ele não estava lá desde o começo.
— Chegou no final amiga — Diana me dá uma batidinha no braço — mas ele amou.
— Ele não desgrudou os olhos de você nem por um segundo — Cole falou histérico — senti até uma pontada de inveja.
— O pior foi a colméia presenciando ele te dando parabéns, a Winnie faltou morrer.
— Eaí gente — diz Margot — como foi o teste Anne?
— Ela passou — Diana disse entusiasmada — como reserva, mas em breve vai destruir aquelas oxigenadas.
— Duro é saber que são naturais — Margot faz aquele olhar decepcionado.
Nós três a encaramos também com olhar decepcionado. O sinal toca, vamos para a aula.
Entro na sala.
— Ruivinha — diz Roy.
— Só porque seu amigo famoso acha que de alguma maneira tem o direito de me chamar assim, não significa que você também possa imaginar isso.
— Calma Anne — ele ergue os braços como se estivesse rendido — eu só vim dar os parabéns por você passar no teste.
— Todo mundo já sabe que eu passei no teste?
— É claro, você sabe que noventa por cento das garotas desse colégio desejam vem a Queen Bee esmagada por uma...
— Garota como eu?
— Nerd.
— Não enche Roy.
Caminho até minha mesa. A professora Stacy entra na sala, com seu jeito atípico e atrapalhado, ela encara a sala seus olhos estão semicerrados como se ela estivesse prestes a falar alguma surpresa - certamente minha alma gêmea - penso, eu a amava como uma mãe, apesar de Marilla ser minha mãe do coração.
— Bom dia turma — ela falou ainda com o sorriso que a entregava — eu tenho uma novidade para contar.
— Sabia! — solto alto, todos riem.
Não importava o que acontecia, eu sempre era o motivo das gozações do pessoal. Às vezes me sentia uma comediante, por isso, me fantasiar e esconder de fato minha verdadeira personalidade era o que eu podia fazer para que me levassem a sério.
Imagina só, Anne Shirley, a garota falante, nerd, desengonçada, beijando um garoto em uma festa e ainda atraindo olhares significativos por causa de uma dança que tinha como único objetivo - me libertar do meu labirinto mental - e não, me expor a uma aglomeração fanática por s**o.
— Me conhece né Anne — Stacy me tirou de meus desvaneios — terá um concurso de química, e a escola que ganhar poderá ir para um resort de férias.
— Quantas pessoas da escola podem participar? — Prissy levanta a mão e logo pergunta.
Como eu havia dito, Prissy era a intelectual, e exageradamente inteligente, apesar da beleza de fato exagerada também. O que a diferenciava das outras, tirando o intelecto avançado, eram seus olhos castanhos.
— Cinco alunos por colégio — ela falou — e depois, só sobrará o melhor para nos representar.
— E quando iniciam as inscrições? — levanto a mão.
— Agora! — sua entonação era empolgada — levante a mão quem vai participar.
Prissy, Eu, Roy, Felipe, Cole.
— Cole? — dissemos em empatema.
Ele sorri sem graça.
— Eu não quero só ser um pintor — ele diz — talvez eu tenha talento como químico.
Contra Winnie na dança, contra Prissy em química.
Na hora de ir embora, descobri de uma maneira completamente desagradável que iria disputar o papel principal do teatro com Ruby Gillis, e o jornal da escola contra Josie Pye.
A guerra estava prestes a começar.
. . .
— Guerra declarada pode ser considerada ganha? — Margot perguntou enquanto preparava bacon's — sabe... Você é anos luz melhor que qualquer uma delas.
— Eu não sei Margot — digo duvidosa — o círculo de amizade da Queen Bee não é igual nos filmes, elas são indestrutíveis. Vaca. Como consegue pensar tão bem?
— Como assim?
— Prissy a inteligente, Josie ousada, Ruby sonsa governada, e ela a rainha.
— Eu não entendo também, ela deve ter muito talento mesmo, governa as garotas mais populares, e agora, indiretamente governa Gilbert.
Olhos verdes com manchas castanhas. Altamente tóxico e sedutor.
Margot balança a mão no meu rosto.
— Vai derramar o café se continuar assim.
— O Sr. Flyn está a ponto de me m***r.
— Você sabe que dele não podemos esperar nada positivo — ela sorri com deboche - onde estava com a cabeça ao contratar duas ruivas. — ela afina os lábios e engrossa a voz imitando-o.
O sino toca, chegou alguém. Encaro minha aparência no alumínio limpo e ariado, tanto que consigo enxergar meu reflexo. Arrumo os fios desalinhados, podia ser ele - não que eu me importasse - tudo bem, talvez eu me importe.
Saio e vejo Diana junto com Cole em uma das mesas. Busco por Gilbert, mas nada.
— E aí — falo para os dois que conversam seriamente — o que aconteceu?
— Querem saber mais da mulher gato Anne, pediram para ela se pronunciar.
— O que? Quem?
— Um perfil anônimo — Cole ergue os ombros — mas eu acho que sei quem são.
— Quem?
— A equipe Blythe.
— Ele ficou vidrado em você — Diana diz.
— Ele e Winifred estão prestes a assumir o relacionamento — lembro — não acho que vocês tenham razão.
— Pense garota — Diana diz meio brava — precisamos que você se pronuncie.
— Já imagino o clichê, uma garota misteriosa, um garoto misterioso, ambos com o coração pulsando para se encontrarem, será que conseguirão o final feliz que tanto desejam?
— Quanta criatividade Cole — debocho — você só esqueceu uma coisa, a garota misteriosa sou eu.
. . .
Chego em casa, deixo as coisas jogadas no chão da entrada. Aviso que cheguei e Marilla logo vem com sua típica reclamação.
— As coisas devem ficar no quarto Anne.
Volto e pego as coisas, dou um abraço nela e em Matthew que vem até nós com dificuldade. Há algum tempo ele fraturou o tornozelo, e os serviços da fazenda estavam sendo feitos por Jerry, um garoto gentil da cidade que se ofereceu. Crush secreto de Diana.
— Como foi o dia?
— Cheio, mas o que importa é que eu passei no teste de líderes de torcida — falo enquanto vou em direção a cozinha — estou escalada para competir o protagonismo com Ruby Gillis, eu e Prissy Andrews vamos se rivais no concurso de química e eu vou dividir o jornal da escola com Josie Pye.
— E com os seus amigos? — Marilla me encara — essas garotas não são aquelas que faziam você se sentir triste?
— Sim, isso que me encoraja a ser melhor que elas.
— Ah Anne, você é incrivelmente obstinada.
E então de repente o elogio aponta minha qualidade mais importante, ser obstinada. A ideia surge como um sopro em minha mente. Subo as escadas correndo, pego o celular e faço uma ligação a três, eu, Cole e Diana.
— Tive uma ideia.
— Oi né Anne — falou o garoto — eu estava dormindo já.
— Não ligo — brinco — Cordelia for now — solto.
— Que? Pra que? — Diana aparece confusa.
— Vocês disseram que eu tinha que me pronunciar e eu vou, como @cordeliafornow.
— " Cordelia por enquanto? " — Cole diz com confusão.
— Amanhã eu explico direito — falo impaciente — beijo na b***a, até mais.