Capítulo dois.

1108 Words
Neverland — Sim Sr. Flyn — encaro-o enquanto procuro algum pano para limpar a sujeira. — Você acabou de fazer uma sujeira no balcão — ele falou com aspereza — além de tudo, deixou o garoto que está atraindo clientes molhado. — Se o problema é ele, pode deixar que dou um jeito de consertar isso Flyn. — suspiro — desculpe, Sr. Flyn. Pego um pano e caminho até Gilbert, com o olhar do dono da lanchonete pousado sobre mim como se me monitora-se para que eu não fizesse mais nada de errado. Odeio quando um erro nos torna fúteis e ridículas, isso era a escória da humanidade, tirar conclusões por causa de um pequeno erro. — Me desculpe por isso — seco o balcão e lhe entrego um lenço. — se quiser, tem uma lavanderia aqui do lado e eu posso pagar para lavarem sua calça. Gilbert me encara com deboche, além de passar por tamanha humilhação, tenho que aguentar as gracinhas dele. — Só desculpo com uma condição — ele sorri. Reviro os olhos e volto a olhá-lo. — Contanto que isso não impeça suas vindas aqui, não vejo problemas, Blythe. — Hmmm — Roy soltou em meio a um burburinho. — Oh — digo cínica — isso não é por mim, é por meu chefe. — me inclino a ponto de estar próxima de Gilbert — ele acha que você é o motivo da lanchonete estar cheia hoje — falo baixinho para que só ele escutasse. Ele morde o lábio inferior e estende a mão para mim como se fosse um trato. — Certo, eu te perdoo Anne Shirley, e não precisa pagar o prejuízo — ele aponta para a calça manchada — falar com você já deu um toque mais doce ao meu dia. — Imagina só se Winifred Rose souber disso — falo com uma pitada de persuasão — ela ficará arrasada. Roy lhe dá um soquinho no braço como se zombasse do azar dele. — Você sabe que estou brincando, não sabe? — Ah sei sim — movimento a cabeça em concordância — você costuma mesmo ser bastante brincalhão. Enfim, tenha um bom dia. Ele segura minha mão antes que eu saia. — Quanto deu? — Por hoje posso dizer que nada, afinal, a única coisa que aconteceu foi uma mancha horrorosa na calça. — Devo agradecer? — Faça como quiser, até breve, Blythe. . . . Me deparar com Gilbert nos corredores do colégio seria constrangedor, mesmo ele ainda não tendo assumido o relacionamento com Winifred, imagina só, ele ser o tal garoto que me deixou hipnotizada durante toda a festa? Depois que eu e o garoto misterioso nos desgrudamos, eu passei parte da noite procurando ele, mesmo não tendo visto sequer sua fantasia. — Pensamentos aéreos — falou Diana me barrando no corredor — está preparada para o teste? — Nasci preparada para isso — confirmo — mas você sabe, desde que Winifred se tornou a poderosa chefona eu não tive coragem, ela vai me destruir quando movimentar aqueles quadris sinuosos e perfeitos. — Eu não acreditaria nisso — minha amiga me encorajou — você é a garota mais falada de Avonlea desde que dançou daquele jeito na pista de dança. — SHIU! — levo o indicador aos lábios dela para que ela parasse de comentar — ninguém, absolutamente ninguém, pode saber que aquela garota era eu. — E por que? Apontei para mim mesma. Ninguém jamais acreditaria. Cabelos ruivos, sardas espalhadas, óculos e um macacão jardineira jeans ridículo. — Realmente — Diana mordeu o lábio inferior — seria como uma calúnia contra a garota perfeita. — Eu não sou perfeita. — Queria ter ao menos um de seus talentos Anne. Você canta, dança, atua, lê como ninguém, é expert em matemática, tem as melhores notas e além de tudo uma dicção e inteligência invejável. — p**a m***a — penso — eu realmente sou perfeita nesse sentido, mas se eu pudesse escolher Diana, queria ter a sua beleza angelical. No corredor a nossa frente, Ruby Gillis, Winifred Rose, Prissy Andrews, Josie Pye, caminham como modelos em uma passarela. Óbvio que bem no centro, caminhava a Queen Bee em seu salto agulha e saia cor de rosa. — Acha mesmo que eu consigo superar isso? — A vida não é justa — Diana disse decepcionada — mas vamos nessa, você tem um teste e uma rainha Queen Bee para vencer. — Deseje-me sorte — encaro o teto — é tudo que eu preciso. . . . A minha frente Ruby Gillis com seu uniforme azul e amarelo. Uma regata e uma saia rodada até a coxa, ela era bastante observadora, apesar de ser uma lesada, a direita Prissy, cachos dourados até os ombros, intelectual até demais, a esquerda Josie - todas loiras - penso. Winifred estava a minhas costas, traiçoeira até nesse sentido, pronta para me dar o bote, típico de uma cobra naja. Encaro-as. — Sua vez, Anne Shirley — falou a Queen Bee com deboche — mostre-nos o que esse quadril fora dos padrões são capazes de fazer. Ela coloca a música. Ruby segura o celular, imaginando que aquele seria o momento mais constrangedor da minha vida. Pobre garota estúpida, não imaginava o quanto eu era talentosa. Salute - Little Mix. Tolas... Assim que começou a música eu sabia já o que faria. Fecho os olhos, sinto a música, o toque, a batida. Sentir, era o segredo que todos deveriam aprender, não era uma brincadeira, dançar era me libertar do meu labirinto emocional, ninguém sabia o que ser órfã representava, apesar de eu ter encontrado uma família, eu sempre seria órfã. A música para. Ninguém mais está filmando. Ela só me encaram, boquiabertas, sorrio em comemoração a minha vitória. Elas se juntam, ficando de costas para mim, Diana e Cole assistem da plateia, e a direita na porta da quadra poliesportiva, Gilbert sorri como se tivesse presenciado tudo - d***a - será que ele sentiu a similaridade com a garota misteriosa da festa a fantasia? — Ok — diz Winnie — você é boa — ela fala como se estivesse com uma faca enfiada nas costas — mas precisa melhorar. — Não precisa não — Ruby solta — ela é perfeita. Gilbert sorri com deboche, ignoro e olho para meus amigos e sorriem também. — CALA A BOCA RUBY — diz Josie — você passou mas é reserva, Anne — ela diz ávida. — Nós ensaiamos todos os dias, sem trégua — Winifred fala — você vai ter que batalhar muito para ser uma titular. — Estou disposta a fazer isso, Winifred, não se preocupe. Pego minhas coisas e Diana e Cole saem em minha frente, passam por Gilbert e quando é minha vez de passar ele segura em minha mão. Seu toque me faz parar, olho por cima do ombro e as garotas me encaram como se eu fosse a culpada. Ele desliza os olhos em mim, como se me admirasse em seus pensamentos. — Parabéns Anne — sua mão é quente como fogo, e seu olhar tão inibidor que me sinto sem graça. Olhos verdes com manchas castanhas. Altamente tóxico e sedutor. — Obrigada, Blythe.
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