Capítulo dezenove.

1322 Words
Consentimento e as provas de um sentimento. — Ele vai viver. No mesmo instante meu corpo despenca em Gilbert que estava ao meu lado de pé, Marilla tinha saído, não estava aguentando a pressão de imaginar que Matthew não suportaria aquilo. — Graças a Deus — não contenho minhas lágrimas e Gilbert desliza as mãos em meus cabelos como consolo. — Venha, vamos contar a Marilla. Caminhamos até Marilla, eu, ainda com uma imensa dificuldade pois toda hora meu tornozelo dava sinais de que jamais iria se recuperar. — Ele está bem Marilla — digo lhe dando um abraço — ele vai ficar bem. Ela olha para o céu, certamente agradecendo a Deus mentalmente. Sua devoção era linda, e eu tinha certeza que se apegar a Deus nos momentos difíceis deixava tudo menos difícil. — Agora Anne, acho que você deveria ir para casa descansar — ela coloca a mão em meus ombros — vou ficar aqui essa noite e não tente me convencer de ir embora, eu vou permanecer aqui ao lado de Matthew. — Posso levá-la se quiser. — Ah Gilbert — Marilla lhe dá um abraço. Nada poderia descrever minha expressão de surpresa. Marilla era tão reservada, não imaginei que a veria distribuindo abraços. — Se precisa de meu consentimento você tem. — O que? — falo em meio a um engasgo — não, não, não, somos amigos — desconverso — apenas isso. — Sei bem — ela semicerra os olhos para mim. — Obrigado Marilla — Gilbert diz em meio a um sorriso vitorioso de ladino — agora, só falta a Anne aceitar. — Certo, vamos logo — pego em sua mão — preciso de uma roupa mais quente pois não estou aguentando o vento cortante invadindo essa blusa fina — eu volto pela manhã Marilla — lhe dou um beijo na bochecha — e você irá para casa descansar. — Minha menina — ela acaricia minhas costas — tome cuidado. . . . — Quando penso que está tudo caminhando conforme os eixos, algo me surpreende — falo assim que Gilbert para o carro na porta de casa — obrigada, se você não estivesse aqui tenho certeza que não chegaríamos no hospital a tempo. Ele precisou de uma reanimação e vê-lo naquele estado faltou despedaçar-me ao meio. — Viu, e você querendo negar minhas caronas — ele ironiza. — E você não perde a oportunidade de jogar na minha cara o quanto sou errada em fazer isso. Ele segura em minha mão. Permito por instantes, e desvencilho em seguida. — Novamente obrigada, Blythe — me inclino e lhe dou um beijo meia lua. Meu corpo ferve. Quanta audácia, Anne. — Espere — ele me puxa antes que eu saia por completo do carro — não quer que eu responda a pergunta da mulher gato? Penso, penso, penso. Eu estava esperando muito por aquilo, mas nada, nenhuma resposta ou suposta afirmação e seu motivo, poderia me animar. Matthew estava doente, Marilla era uma senhora que não queria deixá-lo, e eu, mais um dos motivos aos quais eles tinham que se preocupar. Saber a resposta, não surtiria o efeito adequado naquele momento. — Não Gilbert, agora não — fecho a porta do carro e entro em Green Gables. Sozinha, o silêncio era atormentador, mas a sensação de saber que Matthew estava vivo, era o suficiente para que eu me sentisse bem. . . . (Gilbert) Eu não queria pensar que estava me aproveitando de sua situação para me aproximar, mas eu estava. Vê-la vulnerável, e segurar em sua mão para que ela se sentisse segura comigo, era uma oportunidade que eu não poderia perder. Desde que nos conhecemos, Anne Shirley se demonstrou completamente fechada a aceitar os seus sentimentos. Não consigo acreditar de forma alguma que ela não sente nada por mim. Seu olhar, jeito, sorriso. Entregam definitivamente o que ela sente, suas técnicas de disfarce são completamente inúteis, a entregam mais do que camuflam. Essa noite foi a prova viva de que eu estava a conquistando, se até Marilla Cuthbert, havia consentido, ela sabia que de fato entre Anne e eu, existia algo muito além da amizade. Antes de tudo, um sentimento puro e verdadeiro. Assim que ligo o carro para ir embora, noto que ela esqueceu a bolsa. Pego a mesma, e caminho até a porta da fazenda com passos inseguros. Era difícil me sentir seguro sabendo que ela pensaria que eu estava a perseguindo. A porta está aberta. Entro. Chamo por ela, e nada. — Anne — grito na parte inferior da casa, caminhando de um cômodo a outro, tendo como resposta o silêncio. Subo as escadas. — Anne — escuto o eco no corredor e nenhuma resposta, absolutamente nada. No mesmo momento, começo a ser tomado por desespero. Onde ela estava? Faziam segundos que havia cruzado a porta, e de repente, sumiu? A medida que caminho, consigo escutar os ruídos da madeira abaixo de meus pés. Escuto um barulho, alto, forte, vindo do lado leste. Não penso, só corro, até me deparar com um pequeno corpo no chão, envolto por seus próprios braços - posição fetal - ela estava somente de sutiã e ainda com a calça. Os seus cabelos vermelhos como fogo estavam escorridos em suas costas, e ela chorava, profundamente, na verdade eu podia dizer que a sua alma chorava. Ela nem sequer notou que eu estava lá, admirando suas belas costas seminua alva como a neve, dando ainda mais vida aos seus cabelos. Meu coração descompassa, poderia dizer a ela naquele momento que apesar de sua dor era a obra mais formosa desenhada por Deus, genuína, divina. Caminho até ela. No mesmo instante em que o chão range, ela ergue os olhos e me encara, sua esclera está vermelha, seus rosto ruborizado molhado com suas lágrimas, suas mãos apertavam seus próprios joelhos, ela estava sofrendo. — Eu sei — ela chorava — estou em um estado deplorável mas não posso conter minha dor. — Ele está vivo Anne. — me sento ao seu lado. Tentando controlar meus pensamentos a não deslizar para seu corpo só de lingerie que estava parado a minha frente, que tentação. — Não é só isso, Blythe — ela chora ainda mais — eu não vou mais poder dançar. — Não vai mais poder dançar? — seguro em sua mão — por que? — Aquela hora que sumi no hospital, eu fui atrás do doutor Ward, ele é ortopedista, ele viu meu tornozelo, disse que não tem certeza pois eu precisaria de exames, e certamente fisioterapia — ela agora soluça — esforços desnecessários e uma luxação horrenda — foi o que disse — você não pode dançar. — Sinto muito, Anne — acaricio sua mão — eu sinto muito mesmo, vê-la assim só me dá mais raiva da... De quem fez isso com você. Ela se levanta, agora deixando a mostra a parte anterior de seu corpo, onde seus s***s estavam cobertos com um sutiã de renda azul com uma pérola no centro. Ótimo cérebro, jamais vou me esquecer disso. Obrigado. Imediatamente, ela se cobre. — Pare de me olhar como se eu fosse... — A garota mais linda do universo. — viro-me de costas — eu vim trazer sua bolsa, você esqueceu. — Deixe aí no chão e pode ir. — Não Anne, eu não vou. — O que? Você vai sim. — Eu vou ficar aqui até vê-la dormir, pois eu não suportaria o fato de deixá-la sofrendo, sozinha. — Não estou sofrendo. Caminho até ela, seus olhos se prendem aos meus, oscilam para minha boca, eu faço o mesmo, a desejando com os olhos, e a tendo em meus pensamentos. Seguro em sua cintura, seu corpo apesar do frio, estava quente, ela arrepia. — Não importa o que você diga, ruivinha geniosa — a solto e saio do quarto, olho por cima do ombro e completo — enquanto você não dormir, eu vou permanecer aqui.
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