Capítulo dezoito.

1196 Words
Um dia longo e decisivo. — Você realmente tem talento para criar encrenca e se desfaz delas com tanta classe quanto entra — disse Margot preparando um suco — olha eu queria muito ter visto tudo isso. — É verdade dona Margot, onde você estava? — Se eu te contar, você não vai acreditar. — Billy? — digo impulsiva — não me diga que você e Billy. — Depois da primeira aula, ele me levou até o campo e ficamos ouvindo algumas músicas, confesso que ele tem um gosto peculiar para músicas, mesmo assim eu adorei. Ele me contou que ele e Josie não tem nada, apesar dela dizer que eles tem. — Eu não acho que tenham, de verdade, para que ele mentiria? — Ele é encantador, e passei meu telefone para ele. Olhamos para a porta assim que vemos o esquadrão das oxigenadas entrando. — Eu vou — ela diz — você, atenda o Blythe que vai entrar daqui a pouco — ela aponta para fora e eu vejo ele trancando o carro. Por que diante de todos os locais do centro de Carmody, todos escolheram essa lanchonete para frequentar? Gilbert senta no banquinho frente ao balcão, bem longe das oxigenadas, graças a Deus. E Margot caminha até elas com aquele semblante de autoridade, ah como eu queria ser só um pouco como ela. — Não pude agradecê-la por ter me livrado de uma advertência hoje — diz Gilbert, sua mão encosta na minha e sinto um choque percorrer por minha espinha. — De nada — falo imediatamente — é... No mesmo instante, enquanto tento me concentrar no garoto formoso a minha frente, escuto ao longe quatro vozes irritantes com risadas eufóricas. Meu cérebro para, e só tenho ouvidos para elas. — Como se sente dando em cima de um garoto comprometido? — Nada do que as amigas dela não tenham ensinado, farinhas podres, do mesmo saco. — Não fique com esse olhar de cachorro sem dono, vira-lata tem que se acostumar com isso. — Oh pobrezinha, vocês estão ferindo os sentimentos da garçonetezinha. — Traga meu suco de morango sem sementes, c****a. — Anne. Gilbert passa a mão frente aos meus olhos e vejo Margot saindo com os sentimentos claramente feridos. O garoto encara as quatro meninas com um olhar furioso, e eu vou até elas com passos fortes, o que foi bastante doloroso. Meu tornozelo latejava. E minha sanidade se esvaía. — Se você continuar ofendendo a nossa funcionária deverá se retirar, Winifred Rose — falo — isso não se faz. — Eu não disse nada que não fosse a verdade. — Eu gostaria de lhe dizer umas verdades mas eu não farei isso, por respeito ao meu trabalho — bato a mão na mesa, incontrolada — espero que de fato você saiba o significado de respeito. — Isso não está sendo uma boa ideia, Anne. Você não tem noção do que está fazendo consigo mesma se colocando no lugar de rival a mim. — Eu não tenho medo de suas ameaças Winifred, eu tenho pena — digo ávida — você se põe nesse lugar de autoridade para que as pessoas se sintam inferiores e se rebaixem para você. Elas sentem medo, e não amor — sinto meu corpo fervendo de raiva — e isso realmente é deplorável. — Você está dizendo que as garotas estão comigo por que tem medo de mim? — ela da uma risada cínica — diga a elas, meninas. Elas ficam quietas. — Bem Winifred, podemos ver claramente que o silêncio é a melhor resposta que se pode dar aos tolos. Margot vem com o suco de morango, e o deixa na mesa rapidamente. Depois ela entra na cozinha e vou atrás dela. Seu rosto está corado, e ela começa a dar risada. — Margot, o que você fez naquele suco de morango? — ponho a mão no ombro dela — conte-me. — Você verá — ela continua gargalhando. — Ah meu Deus — escuto o grito de Winifred e corro até a ponta do balcão. Todos estão a olhando, e as meninas estão com as mãos no nariz como se algo estivesse errado. Gilbert da uma risada no canto. — Meu estômago! O que tem nesse suco? — Laxante — Margot diz — fiquei sabendo que você estava precisando de uma ajuda extra para emagrecer, nada melhor do que um bom laxante para mergulhar na m***a. — Você não tem noção GAROTA! — Eca Winifred, procure um banheiro — diz Ruby abanando com a mão vaga. — Meu Deus a Winifred passará a noite no banheiro defecando. — Ela já está acostumada a fazer isso — Margot responde — só que pela a boca. Encaro Margot que claramente emoldura um sorriso de satisfação, procuro ao máximo conter meus ânimos, que orgulho da minha amiga, que orgulho. Sinto meu rosto rígido, não podia esboçar meu ânimo. — Eu nunca mais voltarei aqui — Winifred grita. — Nos faça esse favor. . . . Guerra declarada poderia ser considerada uma guerra ganha? Eu queria realmente que fosse, o dia estava tão cheio e confuso, que quase me esqueci da carta do homem que diz ser meu avô. Gilbert se ofereceu para me trazer até em casa, e era óbvio que eu recusaria, mas ele insistente me trouxe. Apesar de tudo o que estava previsto para nós, nada de fato aconteceu, só um beijo... Um breve beijo na bochecha, sem mais. Depois uma sutil passada de mão, naquele lindo rosto. E uma frase não menos importante. — Eu só vou lhe dar um beijo Gilbert, quando eu sentir que é o momento certo para isso. E sua resposta: — O momento certo para isso vem sendo todos os dias, desde o analgésico na lanchonete. — Bom Gilbert, você se acha esperto demais, contudo não tem noção do quanto eu sou esperta — aperto sua bochecha. Ele desliza o olhar para o tapete do carro, e depois torna a me encarar. — Eu amo estar com você Anne — ele diz — e eu não trocaria esses momentos por nada. — Gilbert — falo encorajada — por que você tem tanta certeza de que eu sou a mulher gato? — Por que eu... Assim que ele ia responder, escuto Marilla gritando na porta de casa. — Anne corra, Anne venha ajude-me. — O que aconteceu? — desço do carro. — O Matthew, o Matthew. Entro na casa, Gilbert entra atrás de mim e vejo Matthew, jogado no chão ao lado do tapete com os olhos fechados e mão no peito. — Vamos levá-lo ao hospital, agora! — eu e Gilbert o carregamos para o carro. Marilla entra atrás com ele, e eu vou na frente com Gilbert. Sinto cada partícula do meu corpo se desfazer, se Matthew não sobrevivesse.... Gilbert segura a minha mão enquanto dirige. — Acalme-se o coração dele está batendo — ele diz. — Matthew por favor fale comigo meu irmão — Marilla pede enquanto da batidinhas em sua bochecha. — Eu não sei o que vai ser de mim se... — Anne — ele agora aperta minha mão como consolo — eu estarei aqui para você.
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