Capítulo 19

1964 Words
Nikolay O desejo por Alina era uma canção presa em minha cabeça. Novamente ela surgiu na minha mente. Seus lábios deliciosos e carnudos. Seus cabelos escuros estavam enrolados em meu punho, com as pontas vermelhas aparecendo entre meus dedos. Ela estava se esquivando para longe. Seus s***s arfando quando ela sugava o ar. Suas bochechas rosadas. Sua b****a encharcada. Eu a queria tanto que fiquei distraído. Naquela noite, demos algumas voltas naquele quarteirão. Observei a casa o mais cuidadosamente que pude, observando as câmeras de segurança, as barras nas janelas e quaisquer rotas para os fundos da casa. Havia um beco, e eu aposto que haveria mais câmeras vigiando e mais grades nas janelas. Mas o segundo piso não parecia tão rigorosamente protegido. O problema de quantos homens estavam escondidos lá dentro ainda me incomodava, mas pelo menos eu tinha uma boa ideia do layout da área ao redor. Quando chegamos em casa por volta das duas da manhã, Alina pediu licença para ir para a cama, m*l conseguindo conter um bocejo. Mas eu não conseguia dormir. Virei uma vodca, depois outra, e andei de um lado para o outro na minha sala de estar. Minha sala de estar vazia e monótona, desprovida de qualquer personalidade, porque foi isso que Mikhail me ensinou. Controle, Nikolay, sempre se controle. Sua voz ainda vasculhava meu cérebro. Às vezes eu achava que meu próprio monólogo interno soava exatamente como ele. Minha vida inteira foi dedicada à família Starkov, e me ver jogado para fora dela quebrou algo frágil dentro do meu peito. Foi como se me chutasse para dentro de um poço n***o com uma corda fora do alcance e ninguém disposto a empurrá-la para baixo o suficiente para que eu pudesse sair. Saí de casa silenciosamente, certificando-me de não acordá-la. As ruas estavam vazias e mortas àquela hora e as luzes da rua brilhavam em um tom de laranja suave. Eu pulei do carro e andei, tentando trabalhar aquela ansiedade, mas cada passo era como um padrão em meu coração, empurrando meus pensamentos para lugares cada vez mais sombrios. Eu queria compensar essa merda com Mikhail. Por mais que eu odiasse o homem, eu ansiava por sua aprovação e aceitação mais do que qualquer outra coisa neste mundo. Ele era apenas a pessoa que me apoiou e me criou quando era mais jovem. Ele me acolheu depois de matar meu pai e me ajudou a superar o que aconteceu com minha mãe. Então o treinamento começou. Ele me quebrou no começo. Me despedaçou. Eu era apenas uma criança e m*l entendia o que ele estava fazendo, mas logo ele começou a me reconstruir, me transformou em uma máquina de matar, um ser frio, calculista e sem emoção. Foi brutal e terrível, e ainda assim aproveitei cada minuto. Porque eu era importante. Mikhail me deu muita atenção naquela época, gastou horas comigo todos os dia, esbanjado louvores sobre mim. Eu peguei as coisas certas e quebrei em meus dedos quando fiz as coisas erradas. Mas ele era justo, sempre justo. Perder a família Starkov foi como perder um pedaço do meu corpo. Eu me vi do lado de fora de uma barbearia decadente. Grades de metal foram puxadas sobre as janelas, mas a porta ainda não estava coberta. O interior estava escuro, embora as luzes ainda estivessem brilhando sobre cada estação, iluminando as cadeiras decadentes e rasgadas e as tesouras encharcadas de cabelo. A porta aberta facilmente. Eles nunca trancaram isso — nunca incomodaram. Ninguém foi e******o o suficiente para entrar tão tarde da noite, especialmente sem um convite. Senti o cheiro de álcool e solução de limpeza enquanto caminhava em direção à sala dos fundos, mais luz saindo das rachaduras. Hesitei apenas um momento antes de abri-la. Vários homens estavam sentados ao redor de uma mesa de jogo. A fumaça do charuto estava espessa no ar. A TV exibia um jogo de futebol e várias garotas de aparência entediada em roupas muito escassas estavam sentadas em um sofá próximo, conversando baixinho umas com as outras. Uma delas riu nervosamente, estridente e horrível. O homens não me perceberam no primeiro momento. Não até um soldado de baixo nível perceber. Viktor olhou para cima. — p**a merda — ele disse, empurrando sua cadeira para trás. Instantaneamente, todos os homens na mesa estavam de pé. Vários retirando suas armas do bolso e mirando elas para o meu rosto. Eu os ignorei. Esses homens me conheciam, sabiam do que eu era capaz. Mesmo desarmados e com menos armas, a maioria deles não sairia vivo deste lugar se houvesse uma briga, e todos sabiam disso. O Viktor pisou em volta para a frente do grupo que mantiam as armas deles apontadas. — Calma — ele disse. — Abaixem suas malditas armas. — Chefe, esse desgraçado matou o Putin. Viktor saliva as palavras, em seus olhos selvagem e largo com uma mistura de medo e raiva. — O Pakhan disse... — Esqueça o que o Pakhan disse. — Viktor virou-se para os soldados, estranhamente relaxado. — Abaixem as armas. Ele esperou um momento, mas os homens obedeceram. O Pakhan era o líder espiritual da Bratva Starkov, mas Viktor comandava as coisas abaixo dele, e seu pessoal seria leal a ele. Ele olhou para mim e inclinou a cabeça para o lado. — O que você está fazendo aqui, Nikolay? — Vim conversar. Ele resmungou. — Engraçado você vim aqui — Você está em maior número. — Isso é importante. Venha para a frente comigo. — Não faça isto — Um soldado disse. — Ele matou Putin. Ele matou… O Viktor lançou-lhe um olhar. — Cala a boca, mas uma palavra e eu arranco seu p*u fora. O homem gordinho com uma barba feia e irregular gargalhou. — Não demoraria muito para cortar essa coisinha pequena. Víktor olhou fixamente para ele, mas não falou. Viktor suspirou e gesticulou para mim. — Mostre o caminho. Hesitei, não queria dar as costas para aqueles caras, mas fiz isso mesmo assim como um sinal de boa fé. Dei um passo para trás na barbearia escura e Viktor seguiu atrás de mim. Ele andou até lá e sentou-se pesadamente em uma das cadeiras, girando levemente na minha direção enquanto eu andava pela sala de espera como um tigre. Ele levou um charuto aos lábios. A bituca brilhou intensamente e lançou faíscas alaranjadas em seu rosto. — Uma atitude ousada, aparecer aqui depois do que aconteceu. — Mikhail nunca deveria ter enviado Putin — eu disse com raiva. — Ele sabia que eu protegeria a garota. — Não tenho certeza se ele percebeu até onde você estava disposto a ir. — Achei que tinha mais tempo. — Parei de andar e o encarei. — Eu ia pensar em outras opções, mas Putin apareceu do nada. Não tive outra escolha. — Tenho certeza de que você não tinha muitas opções, mas poderia não ter o matado pra começar. — Eu quero voltar para a família. As palavras soaram como ácido, mas eu as disse mesmo assim. — Eu não suporto essa merda. Viktor assentiu devagar. — Eu tive um sentimento que você iria dizer isso. — Mikhail nunca deveria ter me expulsado. Eu sei que não deveria ter matado Putin, mas depois de tudo que eu fiz... — Não apenas matou Putin — interrompeu Viktor. — Matou Maxim. Traiu a família. Protegeu uma v***a. Você deveria estrangular aquela vagabunda dos Petrov, mas em vez disso, você está transando com ela. Abri a boca para negar e então fechei a mandíbula com força. — Foi o que pensei — disse Viktor quase tristemente. — Você tem sido um bom soldado para a família Starkov por muito tempo. Melhor soldado do que eu jamais fui. Foi. Mas você estragou tudo, Nikolay. Você não pode voltar atrás disso. — É melhor você parar. — Enrolei meus dedos em punhos. Apertei-os com força, assim como Alina me mostrou. Ajudou, mas não muito. — O que você quer que eu diga? Eu não sou o Pakhan. Eu não tenho esse tipo de autoridade, e mesmo se tivesse, eu não iria querer você de volta, não depois disso. — Tenho uma oferta. Ele inclinou a cabeça e um brilho curioso surgiu em seus olhos. Típico Viktor, ele poderia perdoar qualquer coisa se houvesse lucro nisso. — Vá em frente. Se você está prestes a parar e me dê a cabeça da garota, seria um bom começo. Apertei minhas mãos ainda mais forte. Matar Alina seria fácil. Eu poderia atirar nela enquanto dormia, fazer isso rápido e sem dor. O Pakhan poderia ver o quão grande era o sacrifício para mim e me deixaria voltar ao grupo sem muita luta. Tudo o que eu precisava fazer era desistir dela, terminar o trabalho e eu poderia voltar a viver como antes. Mas eu nunca faria isso. Não depois de provar seus lábios. Não depois de sentir sua respiração cortante e quente em meu pescoço. Seus gemidos ofegantes. A maneira como seus s***s tremiam a cada respiração ofegante. Seus olhos negros enquanto eu prendia seus pulsos acima da cabeça. O medo e a excitação. — Eu vou cuidar desse problema com os Leone. Vou resgatar o irmão dela ou eu mesmo vou matá-la e garantir que eles não tenham mais nada contra Alina. Isso resolveria o problema do Pakhan. Viktor resmungou e deu uma baforada em seu charuto. O cheiro doce e forte encheu a loja, misturando-se ao odor de acre de amônia. — Isso pode ajudar. — Então interceptarei o carregamento de drogas dos Petrov e o apresentarei a Mikhail como um sinal de minha lealdade. Viktor se inclinou para frente, com os olhos brilhando. O desgraçado ama um lucro. — Ouvi dizer que grande. Heroína pura e sem mistura. — Eu não sei a merda que está chegando. — Você deve. Roubar as remessas sem criar uma confusão com isso. Você é bom, Nikolay, mas não é tão bom assim. — Eu vou encontrar um jeito. Dei um passo à frente, as mãos ainda apertando. De alguma forma, isso me ajudou a não esmagar o rosto de Viktor até virar uma massa nojenta. — Temos um acordo? Ele levantou seu charuto no ar, deixando um rastro de fumaça preguiçosa até o teto. — Não tenho autoridade para fazer essa ligação, mas vou levá-la para Mikhail. Eu assenti uma vez bruscamente. — As remessas chegando em menos de uma semana. Diga a ele que farei isso acontecer se ele me trouxer de volta para a equipe. — Eu não posso prometer essa p***a. Ele está nervoso. Inferno, eu pensei que ele ia me machucar. Eu desviei o olhar. — Mikhail não ia me machucar. — Eu acho que você está errado sobre isso. Pelo que eu entendi, você é como um filho para ele. Eu sorri maldosamente. — Você não sabe p***a nenhuma sobre isso. Vá contar a ele o que eu disse. Você sabe onde me encontrar. — Com isso, saí da loja e caminhei noite adentro. Continuei andando por um tempo até que minhas mãos lentamente se abriram. Eu me encontrei sozinho em um quarteirão tranquilo sob grandes árvores frondosas em uma parte agradável da cidade. Olhei para cima através dos galhos em direção à lua e respirei longo e profundamente, me firmando. Eu era um assassino. Eu era treinado para viver com assassinatos. Eu não sei nada sobre roubar remessas. Mas havia muitos caras nesta cidade que estariam dispostos a ajudar por um bom preço, e eu tinha muito dinheiro sobrando. O Pakhan não era um homem e******o. Ele gostava de Putin, mas não jogaria fora uma chance de lucro só para me manter fora do círculo. Tudo o que eu precisava fazer era queimar a cidade até o chão para que isso acontecesse.
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