Alina
Depois daquela noite na casa de Mikhail, era como se a escuridão tivesse dominado Nikolay.
Ele ficava quieto de manhã e bravo à tarde. Eu não falava muito, só ia para o meu turno da tarde no bar e servia bebidas para os alcoólatras. O tempo todo eu ficava pensando, por que ele faria isso por mim? Por que ele desistiria de tanto por uma garota que ele m*l conhecia?
E toda vez que eu me perguntava, eu pensava naquela primeira noite, com os dedos dele na minha b****a encharcada e no orgasmo que percorreu meu corpo.
Eu não entendi. Nada disso fazia sentido. Eu não valia a pena para ele desistir de tudo por mim, e ainda assim Nikolay jogou tudo fora imprudentemente como se não houvesse outra opção a não ser me manter segura.
E eu não podia deixar ele, porque eu estava com medo que Aiden não tivesse outras opções. Eu era um monstro egoísta. Eu sabia disso, e não conseguia me conter.
Houve muitas noites em que falhei em fazer a coisa certa. Muitas noites passadas encolhida na infância no meu armário atrás das camisas e calças penduradas, respirando o cheiro de brechós e sapatos velhos, tentando não ouvir o choro de Aiden no outro cômodo, ou o som do couro na sua carne, ou as advertências raivosas do meu pai, arrastadas pelo álcool.
Agora eu senti que tinha uma chance de fazer algo. Nikolay era essa chance, suas habilidades e seu conhecimento. Se qualquer um nessa droga de cidade poderia trazer meu irmãozinho de volta para mim, era Nikolay.
Só que não era tão simples assim. Se eu estivesse usando ele, então tudo isso faria sentido.
Algo real acontecia toda vez que Nikolay se aproximava. Sempre que seus dedos deslizavam pela minha pele, ou quando ele agarrava meu braço, ou quando ele me encarava com aquele olhar intenso e arrepiante, eu sentia uma pontada de desejo cortante percorrer meu âmago.
Senti a poça de excitação encharcando entre minhas pernas. Era constrangedor, mas eu não conseguia evitar desejá-lo.
Nikolay me encontrou no beco depois do meu turno. Ele me levou até sua caminhonete, mas não falou muito.
— Eu pensei em iniciarmos verificando na casa que José Luís nos disss.
Mordi o lábio, uma onda repentina de medo invadia meu peito. Era isso que eu queria — mas agora que estava acontecendo, eu estava com medo de que fizéssemos algo errado e machucássemos Aiden por acidente.
— Você tem certeza? Eu não quero ir muito rápido.
Ele não olhou para mim, apenas olhou para frente enquanto enfrentada o trânsito.
— Tenho certeza. Quanto mais esperarmos, mais provável é que o movam.
— Sua mandíbula flexionou e eu podia sentir a raiva e a escuridão saindo dele como névoa.
Olhei pela janela e me forcei a me acalmar. Senão, eu pularia pelo carro, de tanto nervosismo. Sacudi minhas mãos e as apertei em punhos repetidamente enquanto fechava meus olhos.
— Você está bem? — ele perguntou, mas a voz dele soou incerta.
Olhei para ele e assenti, tentando sorrir.
— Só algo que faço quando estou no limite.
Ele fechava sua mão com tanta intensidade
— Como tivesse uma bola que alivia o estresse. Mas sem a bola.
Fechei os punhos, flexionando meus antebraços e bíceps. Por algum motivo, o esforço aliviou meu nervosismo e me senti me acalmando. Um ataque de pânico ameaçava me dominar, mas eu tinha que contê-lo.
Nikolay estava certo. Mais cedo ou mais tarde, teríamos que tentar resgatar Aiden, e isso significava verificar o lugar onde ele estava sendo mantido.
Supondo que ele ainda estivesse lá.
— Você não precisa se preocupar, nós ficaremos bem.
Sua calma sobrenatural ajudou um pouco. Sua voz era suave como veludo sobre seda.
— Não pretendo chegar muito perto.
— Eu apenas não quero ser um prego no seu caminho. Eu sinto que você também tem muito em jogo. Ele é seu irmão? — eu pergunto. — Você tem irmãos?
Um curto grunhido.
— Não, não tenho irmãos. Eu tenho família, mas não de sangue, apenas parentes de consideração.
— O que aconteceu com sua mãe?
Suas mãos agarraram o volante com força.
— Ela morreu quando eu tinha uns dez anos.
— Oh, eu sinto muito — Eu disse suavemente. Eu sabia o que era crescer sem uma mãe.
— Perdi a minha mãe a muito tempo. Sinceramente, não me lembro mais dela.
— Eu me lembro da minha. — Ele olhou para frente, os olhos semicerrados enquanto ele serpenteava pelo trânsito, indo para o norte.
— Ela tinha uma risada legal, sabe o que eu quero dizer? E sempre que sinto o cheiro de um amaciante específico, sempre penso nela. Ela o usava quando estava viva.
— Isso é legal, não é? Eu queria ter lembranças da minha mãe.
Ela era apenas um fantasma em nossa casa. Meu pai tinha fotos dela, mas não muitas, e ele costumava mantê-las escondidas em seu quarto.
Nós aprendemos rapidamente a não perguntar sobre a mamãe se nós não quiséssemos fazer com que nosso pai ficasse ainda mais bravo do que já estava.
— As partes são legais. Mas a forma como a perdemos não foi.
— Ela ficou doente?
— Não ficou doente. Ela se matou.
Eu suguei a respiração. Minhas mãos foi para minha boca involuntariamente.
— Eu sinto muito.
Ele balançou a cabeça.
— Está tudo bem. Não gosto muito de falar sobre ela.
Ele olhou para mim, seus olhos se estreitaram meio em tristeza e meio em raiva.
— Sinto muito pela sua mãe também. Ela deve ter sido uma boa pessoa se ela era parecida com você.
Tentei sorrir, mas não consegui. Em vez disso, coloquei minha mão em sua coxa para me confortar e apertei, então me afastei.
O único lugar onde me senti segura. Bem lá no fundo, me escondendo do mundo e de toda a sua dor.
Ele não falou nada pelo resto da viagem. Nós subimos a rua, passando pela Universidade e todos os jovens universitários com suas mochilas e seus sorrisos, as ruas fervilhando deles, garotas bonitas em vestidos de verão e caras com skates e jeans cortados, então subimos para os bairros mais violentos onde as casas pareciam ter sido bombardeadas em uma guerra e sido esquecidas.
Nós diminuímos a velocidade e paramos em um quarteirão relativamente intacto. Vários trabalhadores da construção civil em jeans e capacetes amarelos brilhantes trabalhavam em um buraco próximo. O cheiro de asfalto fresco entrava pelas janelas.
— A casa é lá em cima. Ele olhou para frente e então assentiu.
— É aquela com a porta azul. Grades nas janelas.
Eu segui seu olhar e o localizei. A casa parecia com todas as outras: tijolo vermelho frente, janela alta, grades pretas. O porta parecia nova no entanto, o pintura fresca, em contraste com o ambiente.
— Essa porta parece nova.
— Imagino que eles tenham segurança. Vê aquele quadradinho preto?
Franzi a testa, apertei os olhos e então o avistei. Um pequeno retângulo preto estava no topo do prédio, perto da linha do telhado.
— Câmera de segurança?
— Definitivamente. Aposto que tem mais algumas por aí também.
Ele suspirou e saiu de novo, dirigindo devagar para contornar os caras que trabalhavam na rua.
— Aposto qualquer coisa que seu irmão está aí.
— Você tem certeza? — Meu coração batia forte.
— A maioria dos esconderijos não tem esse tipo de segurança. Só aqueles com pessoas importantes dentro têm câmeras.
Ele acelerou quando estávamos bem em frente ao prédio e então deu a volta no quarteirão novamente.
— Você consegue entrar?
— Não sem vigiar o lugar por um tempo.
Ele estacionou um quarteirão adiante e desligou o motor.
Mas isso vai ser perigoso. Se eles têm câmeras do lado de fora, provavelmente têm homens vigiando a rua também. Nós nos destacaríamos imediatamente se ficássemos por ali.
— Então o que podemos fazer?
Senti minha excitação inicial começar a diminuir, substituída pelo pânico novamente. Tive que apertar meus punhos com mais força para não gritar de frustração.
Estávamos tão perto. Aiden estava naquele prédio, provavelmente escondido no porão, amarrado a alguma cadeira, com fome e com dor. Eu quase conseguia ouvir sua voz, sua risada contagiante e seu grande sorriso bobo.
Ele nunca deveria ter se juntado à família assim. Ele queria isso mais do que qualquer coisa no mundo, cresceu idolatrando todos os primos e tios Petrov, mas Aiden não tinha aquele assassino dentro dele como todos os outros tinham. Ele era um garoto mole, sempre apanhava dos colegas, mesmo trabalhando duro. Ele não era rígido, não era perigoso, o que o tornava uma pessoa inadequada para a família.
Cormac não se importou e nem o Pai. Assim que Aiden disse que estava pronto, eles o colocaram em ação.
As chances eram grandes de dar errado.
Eu ainda os odiava por isso. Eu os odiava por pegarem meu irmãozinho e transformá-lo em um gangster.
Eu os odiava por tudo isso.
Se isto não fosse prejudicar o Aiden, Eu teria intervido há um longo tempo atrás.
— Eu poderia entrar aí agora mesmo — Nikolay disse suavemente, tão baixo que eu m*l o ouvi.
— Eu poderia chutar aquela porta. Matar quem estiver vigiando o seu irmão. Puxá-lo para fora.
Olhei para ele, de boca aberta.
— Você está falando sério?
— Não sei quantos eles têm lá dentro. Pode dar errado.
Ele apertou o volante com mais força e olhou para mim com fogo no olhar. Eu derreti sob aqueles olhos e pensei na primeira noite em que nos conhecemos — seus dedos pulsando entre minhas pernas, minha excitação escorrendo por seu pulso, o orgasmo que apagou minha mente.
— Você não pode apenas… chutar a porta. Isso é também perigoso.
— Por que diabos não? — Sua voz era um rosnado estrangulado. Eu me encolhi para longe dele.
— Toda essa merda que passamos, Alina, por que não simplesmente arromba aquela porta e acaba com tudo? Talvez eu morra no processo, talvez não, mas você não está pronta para isso acabar?
— Não — eu disse, balançando a cabeça — e era verdade. Eu não estava pronta para terminar.
— Eu não quero que você seja morto por isso, Nikolay.
— Talvez seja tudo o que eu valho. Ele se inclinou em minha direção, me prendendo contra a porta. Não havia ninguém por perto, o quarteirão estava assustadoramente silencioso. O sol começou a mergulhar atrás dos prédios, e as sombras se esticaram longas e baixas.
— Ultimamente, tudo o que tenho feito é matar. E por que não? É o que eles fizeram de mim.
— Nikolay — eu disse suavemente. Seu rosto se contorceu em angústia e raiva, e eu estendi a mão para ele de repente, sem saber o que estava pensando. Toquei sua bochecha suavemente, sentido o restolho sob meu dedos — e a tensão na mandíbula dele.
— Isso não é verdade. Você salvou minha vida.
— Matei Putin. Fui expulso da família. Qual é o sentido de tudo isso? Eu tento fazer uma coisa boa pela primeira vez na vida e tudo vira merda.
Ele agarrou meu pulso e o empurrou de volta contra a janela. Eu respirei fundo, surpresa.
— Não vou deixar você jogar sua vida fora porque está chateado.
— Quem disse que estou chateado? — Ele olhou para mim, chegou mais perto. Seus lábios roçaram os meus e seu aperto em meu pulso aumentou. — Estou com raiva, princesa. Quero rasgar todos aqueles Leone fodidos em pedaços e dar a você tudo o que você quer. Estou cansado de esperar.
Soltei um gemido estrangulado quando ele beijou meu pescoço, então mordiscou minha orelha. Ele chegou mais perto dos meus lábios, e meu coração disparou. Tentei empurrá-lo para trás com a outra mão, mas ele apenas a agarrou e prendeu ao lado da outra. Eu estava sozinha naquele carro com um monstro, à sua mercê, e o formigamento entre minhas pernas viajou pela minha espinha, fazendo minha respiração ficar entrecortada .
— Não, não ainda. Eu não quero que você vá para lá, não ainda.
— Diga-me por que não deveria.
— Porque... — Eu mordo meu lábio firme, forte o suficiente para tirar sangue. — Eu ainda preciso de você.
Ele me beijou então, lábios pressionando asperamente enquanto sua língua disparava pelos meus dentes. Eu lutei uma vez e então me inclinei para aquele beijo, seu gosto inundando minha boca. Eu gemi, incapaz de evitar, me sentindo exposta e dominada ao mesmo tempo, seus lábios trabalhando nos meus. Ele me mordeu gentilmente uma vez, então me beijou novamente, então me mordeu com mais força e eu gemi, arqueando minhas costas.
Ele apertou meu pulso com mais força acima da minha cabeça e manteve meu corpo sufocado com o dele. Ele estava praticamente no meu assento, na metade do carro, seu peso me pressionando.
Eu queria aquele beijo mais do que eu percebia. Eu queria muito, queria seus dedos entre minhas pernas, sua língua e lábios. Eu estava pingando por ele, Deus, era tão constrangedor, eu estava com medo de que ele alcançasse entre minhas pernas e me encontrasse completamente encharcada.
Ele iria saber o quanto eu queria ele. Qual patética eu era, o quão carente. Ele saberia o que eu realmente queria dizer.
Eu não queria que ele fosse lá, porque eu ainda desejava ele. Não era só a ajuda dele. Era ele.
O beijo se estendeu, seus dentes, sua língua, cada pedacinho dele. Eu saboreei como o primeiro gole de água depois de uma longa noite fora, como as primeiras flores da primavera. Ele era a única coisa boa na minha vida, o único ponto de luz em anos e anos de miséria, e eu não sabia o que ele via em mim, por que ele me queria assim, por que ele me ajudaria.
Eu não valia a pena ajudar.
Eu era o inimiga. A família Petrov e a família Starkov não estavam em guerra, mas eles eram rivais. Ele me mantia viva apesar das ordens do Pakhan, matar os próprios amigos para salvar minha vida, era demais.
Era avassalador, era estonteante, como seu toque, como suas palavras.
Finalmente, o beijo se interrompeu. Eu ofeguei por ar e arqueei minhas costas, então lutei contra seu aperto. Seus olhos vagaram até meu seio.
Ele gostou do que viu.
— Me solta — eu disse, respirando rápido. Ele ainda olhava para meus s***s, subindo e descendo.
Mas ele soltou meus pulsos.
Empurrei-o contra o peito e ele voltou para seu próprio assento. Eu me encolhi e desviei o olhar, tentando me controlar. Eu não queria que ele visse o quão rosadas minhas bochechas estavam, o quanto eu estava corando.
Como eu queria mais.
— Última chance, princesa. Eu vou matar por você, tudo o que você precisa fazer é pedir.
— Não, agora não.
Eu não conseguia olhar para ele. Não conseguia me fazer encontrar seu olhar.
Porque se eu fizesse isso, acho que me jogaria em cima dele no carro, montaria nele e esfregaria meu c******s encharcado e inchado contra seu p*u até gozar.
— Tudo certo então. Vamos voltar essa noite e dar uma olhada ao redor. Tudo bem para você?
— O que você achar certo.
Ele riu baixinho e pegou a estrada.
Meus lábios estavam sensíveis e passei a minha língua por eles.
Provei um pouco de sangue e saboreei a sensação. Um Arrepio percorreu minha espinha e esfreguei meus pulsos.
O que diabos havia de errado comigo?
Eu estava sozinha no carro com um animal selvagem e eu era a única pessoa ali no mundo segurando sua coleira.