Miguel fechou o laptop e respirou fundo.
Na tela, ainda estava aberta a matéria sobre a rede Café do Luar, com a foto de Ana sorrindo e o menino ao lado.
Durante dias, ele havia pesquisado discretamente, descobrindo que a primeira unidade ainda funcionava na cidade turística onde ela começara tudo.
Finalmente, decidiu: iria até lá, sem avisar ninguém.
Já havia reservado a passagem e até escolhido o hotel.
O plano era simples — tomar um café, observá-la, e então decidir se teria coragem de falar.
Na noite anterior à viagem, arrumou a mala com calma.
Mas, pouco depois da meia-noite, o telefone tocou.
Era Isabela, com a voz trêmula:
— Miguel… é sua mãe. Sofreu um acidente de carro. Está no hospital, em estado grave.
O sangue gelou em suas veias.
— Qual hospital? — perguntou, já pegando as chaves.
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Quando chegou à sala de espera, Helena estava na UTI. O médico explicou que o impacto havia sido forte, causando múltiplas fraturas e hemorragia interna.
— Ela está entre a vida e a morte — disse o médico, sério. — As próximas 48 horas serão decisivas.
Miguel sentou-se, passando as mãos pelo rosto.
Tudo dentro dele gritava que precisava ir até Ana, mas como poderia abandonar a mãe naquele estado?
Apesar de tudo o que ela fizera, ainda era sua família.
E naquele momento, o instinto de filho falou mais alto.
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Nos dias seguintes, cancelou discretamente a viagem. Passou a maior parte do tempo no hospital, acompanhando cada boletim médico, respondendo ligações e lidando com a imprensa curiosa.
A cada madrugada, sentado na poltrona do corredor, imaginava como teria sido vê-la…
Mas, por enquanto, Ana teria que esperar.
Do outro lado do estado, ela servia café sem imaginar que Miguel, mais uma vez, estava tão perto — e tão longe ao mesmo tempo.