Capítulo 7 — Linhas que Não se Cruzam

466 Words
Miguel estava em uma reunião com o conselho quando recebeu a mensagem de um número desconhecido. "Sua mãe esteve aqui. Ofereceu dinheiro para eu sair da sua vida." — Ana. O sangue dele gelou e depois ferveu, tudo no mesmo instante. Miguel fechou o laptop no meio de uma apresentação e se levantou. — Cancelamos o resto. — Não esperou resposta. Saiu da sala como se cada passo fosse um golpe contra a paciência que ainda restava. Encontrou Helena no escritório particular dela, revisando documentos. A porta bateu atrás dele com força suficiente para que ela levantasse o olhar, surpresa. — Fui claro quando disse para não se meter nisso — ele começou, a voz grave. — E eu fui clara quando disse que não aceitaria distrações — Helena respondeu, calma, quase serena. — Essa mulher não tem lugar na sua vida. — Você foi até a cafeteria dela. — Ele se aproximou, apoiando as mãos na mesa. — Ofereceu dinheiro para ela sumir. — Fiz o que era necessário — disse, sem piscar. Miguel riu sem humor. — Necessário para quem? Para o negócio? Para a “família”? Ou para o seu ego? — Para o seu futuro, Miguel. — Helena levantou-se, finalmente encarando-o de frente. — Você não entende o que está em jogo. Uma aliança com os Azevedo é estratégica, é o que vai consolidar o império que seu pai construiu. — E eu devo sacrificar minha vida pessoal no altar das suas estratégias? — Você deve honrar o que é esperado de você! — Helena perdeu parte do controle, a voz subindo pela primeira vez. — E não jogar tudo fora por… uma garçonete. Miguel fechou os olhos por um segundo, respirando fundo para não gritar. — O que você chama de “garçonete” é a única pessoa que me vê como um homem, não como um sobrenome ou uma conta bancária. — Isso é ilusão — Helena disse, fria. — E ilusões acabam. — Talvez — Miguel deu um passo para trás, mas o olhar continuava firme —, mas quando acabar, será por escolha minha, não sua. Helena o observou por um momento, tentando ler se aquilo era uma ameaça ou uma decisão. — Você está cometendo um erro, Miguel. — Prefiro cometer meus próprios erros do que viver aprisionado nos seus acertos. Ele virou-se e saiu antes que ela pudesse responder, deixando para trás o cheiro do perfume dela e o peso das palavras que nunca poderiam ser retiradas. No elevador, Miguel tirou o celular do bolso. Digitou apenas duas palavras para Ana: "Estou indo." Porque, naquele momento, havia algo mais importante do que qualquer contrato ou reunião. E esse algo tinha nome, sorriso… e um avental que já estava mudando o rumo da vida dele.
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