Miguel estava em uma reunião com o conselho quando recebeu a mensagem de um número desconhecido.
"Sua mãe esteve aqui. Ofereceu dinheiro para eu sair da sua vida."
— Ana.
O sangue dele gelou e depois ferveu, tudo no mesmo instante.
Miguel fechou o laptop no meio de uma apresentação e se levantou.
— Cancelamos o resto. — Não esperou resposta. Saiu da sala como se cada passo fosse um golpe contra a paciência que ainda restava.
Encontrou Helena no escritório particular dela, revisando documentos. A porta bateu atrás dele com força suficiente para que ela levantasse o olhar, surpresa.
— Fui claro quando disse para não se meter nisso — ele começou, a voz grave.
— E eu fui clara quando disse que não aceitaria distrações — Helena respondeu, calma, quase serena. — Essa mulher não tem lugar na sua vida.
— Você foi até a cafeteria dela. — Ele se aproximou, apoiando as mãos na mesa. — Ofereceu dinheiro para ela sumir.
— Fiz o que era necessário — disse, sem piscar.
Miguel riu sem humor. — Necessário para quem? Para o negócio? Para a “família”? Ou para o seu ego?
— Para o seu futuro, Miguel. — Helena levantou-se, finalmente encarando-o de frente. — Você não entende o que está em jogo. Uma aliança com os Azevedo é estratégica, é o que vai consolidar o império que seu pai construiu.
— E eu devo sacrificar minha vida pessoal no altar das suas estratégias?
— Você deve honrar o que é esperado de você! — Helena perdeu parte do controle, a voz subindo pela primeira vez. — E não jogar tudo fora por… uma garçonete.
Miguel fechou os olhos por um segundo, respirando fundo para não gritar.
— O que você chama de “garçonete” é a única pessoa que me vê como um homem, não como um sobrenome ou uma conta bancária.
— Isso é ilusão — Helena disse, fria. — E ilusões acabam.
— Talvez — Miguel deu um passo para trás, mas o olhar continuava firme —, mas quando acabar, será por escolha minha, não sua.
Helena o observou por um momento, tentando ler se aquilo era uma ameaça ou uma decisão.
— Você está cometendo um erro, Miguel.
— Prefiro cometer meus próprios erros do que viver aprisionado nos seus acertos.
Ele virou-se e saiu antes que ela pudesse responder, deixando para trás o cheiro do perfume dela e o peso das palavras que nunca poderiam ser retiradas.
No elevador, Miguel tirou o celular do bolso.
Digitou apenas duas palavras para Ana:
"Estou indo."
Porque, naquele momento, havia algo mais importante do que qualquer contrato ou reunião.
E esse algo tinha nome, sorriso… e um avental que já estava mudando o rumo da vida dele.