O silêncio da prisão nunca fora tão pesado quanto naquela noite. Helena, sentada na beira da cama estreita, segurava nas mãos um jornal amassado que chegara a ela de forma clandestina. As manchetes eram impiedosas: “A Rainha do Medo Caiu em Desgraça”, “Helena Castro: de Magnata a Criminosa”. Por décadas, seu nome significara poder. Bastava sussurrar sua presença para que portas se abrissem e rivais recuassem. Agora, era sinônimo de escândalo, corrupção e traição. O jornal a expunha como mãe que tentara destruir a própria família, como mulher que perdeu tudo para alimentar um trono de sombras. Ela respirou fundo, mas o ar parecia pesar sobre o peito. Era o gosto amargo da derrota — não a de uma batalha perdida, mas de uma guerra que nunca mais teria volta. --- Do lado de fora, o clima e

