Capítulo 18 — Caçada Silenciosa

432 Words
Miguel não dormiu naquela noite. A cada hora que passava, a ausência de Ana se tornava mais insuportável. No início da manhã, já estava no escritório, mas não para tratar de negócios. Ligou para um antigo conhecido: um investigador particular chamado Dantas, famoso por achar qualquer pessoa — mesmo aquelas que não queriam ser encontradas. — Preciso que encontre alguém para mim — disse Miguel, direto. — Ana Clara. Tudo que eu sei é que ela saiu do apartamento ontem com malas e não deixou endereço. — Vou precisar de fotos, lugares que ela costuma frequentar e… qualquer pista — respondeu Dantas. — Você terá tudo até o fim do dia — prometeu Miguel. --- Enquanto isso, a centenas de quilômetros dali, Ana descia de um ônibus em uma cidade pequena, longe do barulho das capitais. Segurava firme uma mala e um envelope grosso, com parte do dinheiro que Helena lhe entregara. O ar fresco da manhã batia em seu rosto, mas não trazia alívio. Sabia que não estava ali para recomeçar — estava ali para se esconder. Alugou um quarto simples nos fundos de uma pousada, pago adiantado, e pediu para a dona não registrar seu nome completo. — É por segurança — disse, forçando um sorriso. No quarto, tirou de uma sacola o exame de ultrassom que havia feito em segredo. Passou os dedos sobre a imagem borrada, o pequeno coração que já batia. — Eu prometo que vou te proteger — sussurrou. --- Em São Paulo, Dantas voltou com as primeiras informações. — Ela fechou o contrato de aluguel ontem de manhã, retirou dinheiro em espécie de uma agência do centro e pegou um táxi até a rodoviária. Depois disso, desapareceu das câmeras. Miguel franziu o cenho. — Desapareceu como? — Comprou a passagem no guichê, em dinheiro. Não há registro no nome dela. Isso foi planejado. As palavras ecoaram na mente de Miguel como um alerta. Planejado. Frio. Deliberado. Não parecia a Ana que ele conhecia. Algo a havia forçado a isso. --- Na pequena cidade, Ana evitava sair durante o dia. Fazia compras cedo, antes das ruas encherem, e mantinha as cortinas fechadas. Ainda assim, cada barulho de motor na rua a fazia gelar. Helena era poderosa demais para ser subestimada. E Miguel… Miguel não podia saber. Porque, se soubesse, voltaria para buscá-la — e isso poderia custar caro demais. --- De volta ao seu apartamento, Miguel olhava para o celular como se pudesse fazer Ana aparecer. A cada dia, a determinação só crescia: ele iria encontrá-la. Não importava quanto tempo levasse. Não importava quem tentasse impedir.
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