Capítulo 19 — O Jogo Duplo

357 Words
Dantas estava no escritório revisando anotações sobre o caso quando recebeu uma ligação inesperada. — Investigador Dantas? — a voz feminina era fria, medida. — Aqui é Helena Castro. Ele endireitou-se na cadeira, surpreso. — Posso ajudar? — Pode, se for inteligente o suficiente para ouvir até o fim. Helena marcou o encontro para aquela noite, em um restaurante discreto e caro. Chegou primeiro, impecável, como sempre. Dantas a encontrou numa mesa reservada ao fundo. — Então… está procurando Ana Clara para o seu filho — disse ela, sem rodeios. — Eu sei disso. — É meu trabalho, senhora. Ele me contratou para encontrá-la. Helena sorriu levemente. — E eu quero que você continue sendo pago para… não encontrá-la. Dantas arqueou a sobrancelha. — Está me pedindo para sabotar a investigação? — Estou oferecendo para multiplicar o que meu filho lhe paga. — Ela colocou um envelope grosso sobre a mesa. — Tudo o que você precisa fazer é parecer ocupado, trazer pistas falsas, e manter Miguel acreditando que Ana está em algum lugar impossível de alcançar. O investigador olhou para o envelope. — E se ele descobrir? — Ele não vai. — Helena manteve o olhar firme. — Sou especialista em controlar narrativas. Por alguns segundos, o silêncio se manteve, quebrado apenas pelo som distante de talheres e conversas abafadas. Dantas respirou fundo, depois pegou o envelope. O peso das notas era considerável. — Está feito — disse ele, guardando no paletó. — Mas vai precisar me passar alguns detalhes para que as pistas pareçam reais. — Vai receber tudo amanhã cedo — respondeu Helena, levantando-se. — E lembre-se: quanto mais tempo ele ficar no escuro, mais todos nós sairemos ganhando. --- Nos dias seguintes, Miguel recebia atualizações do detetive. Relatos de “avistamentos” em cidades distantes, informações vagas sobre ônibus e hotéis… todas sem confirmação. Cada pista parecia levá-lo a um beco sem saída. — É questão de tempo — dizia Dantas ao telefone. — Ela se movimenta pouco, mas vamos encontrar. Miguel acreditava. Helena, no entanto, sabia que estava apenas comprando tempo… e distância. A distância necessária para que Ana desaparecesse para sempre.
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