Capítulo 36 — Cláusulas e Armadilhas

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O apartamento novo era impecável, com cada detalhe escolhido para impressionar. Mas a atmosfera entre Miguel e Isabela estava carregada. Ele encarava o contrato aberto sobre a mesa. — Isso aqui… não estava no rascunho que eu li. Isabela apenas sorriu. — Estava no documento final, querido. Você só não percebeu. — Você mexeu no contrato antes de eu assinar? — Miguel perguntou, a voz baixa, controlada, mas carregada de raiva. — Eu apenas garanti que tudo ficasse… mais objetivo — respondeu ela, sem se abalar. Ele se aproximou, tentando intimidá-la. — A minha mãe já tinha escolhido a clínica. — Seu filho pode ter o sobrenome Castro, mas vai ser gerado no meu corpo. Minhas regras. E a cláusula diz: amanhã, nove da manhã. Sem adiamentos. Miguel a fitou por longos segundos, tentando decifrar aquele ar de confiança quase insolente. Mas não percebeu que, por trás daquele sorriso, Isabela escondia um segredo perigoso. Ela deixou o contrato sobre a mesa e caminhou até a porta. Antes de sair, lançou um último olhar triunfante. Assim que atravessou o corredor, seu sorriso se transformou em um riso silencioso. Helena não fazia ideia, mas tudo tinha que ser o quanto antes. Isabela já estava grávida — e não de Miguel. O plano era simples: acelerar o procedimento, manipular os exames e fazer todos acreditarem que o bebê era fruto da inseminação. Tempo era a única coisa que ela não podia perder.
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