O apartamento novo era impecável, com cada detalhe escolhido para impressionar. Mas a atmosfera entre Miguel e Isabela estava carregada.
Ele encarava o contrato aberto sobre a mesa.
— Isso aqui… não estava no rascunho que eu li.
Isabela apenas sorriu.
— Estava no documento final, querido. Você só não percebeu.
— Você mexeu no contrato antes de eu assinar? — Miguel perguntou, a voz baixa, controlada, mas carregada de raiva.
— Eu apenas garanti que tudo ficasse… mais objetivo — respondeu ela, sem se abalar.
Ele se aproximou, tentando intimidá-la.
— A minha mãe já tinha escolhido a clínica.
— Seu filho pode ter o sobrenome Castro, mas vai ser gerado no meu corpo. Minhas regras. E a cláusula diz: amanhã, nove da manhã. Sem adiamentos.
Miguel a fitou por longos segundos, tentando decifrar aquele ar de confiança quase insolente. Mas não percebeu que, por trás daquele sorriso, Isabela escondia um segredo perigoso.
Ela deixou o contrato sobre a mesa e caminhou até a porta. Antes de sair, lançou um último olhar triunfante.
Assim que atravessou o corredor, seu sorriso se transformou em um riso silencioso.
Helena não fazia ideia, mas tudo tinha que ser o quanto antes. Isabela já estava grávida — e não de Miguel.
O plano era simples: acelerar o procedimento, manipular os exames e fazer todos acreditarem que o bebê era fruto da inseminação.
Tempo era a única coisa que ela não podia perder.