A sala branca da clínica cheirava a desinfetante e a perfume caro.
Isabela, impecável no vestido de seda azul-claro, segurava uma pasta com todos os documentos — cada um cuidadosamente manipulado para sustentar a mentira.
Helena estava ao lado, radiante.
— Finalmente, o herdeiro Castro — disse, sorrindo de forma orgulhosa. — Esse será o início de uma nova era para nossa família.
Miguel, sentado numa poltrona, observava tudo com uma expressão tensa.
Ele ainda sentia que tudo estava acontecendo rápido demais, mas qualquer tentativa de adiar era bloqueada por Isabela e reforçada pela pressão de Helena.
— Eu só espero que este médico seja realmente competente — murmurou ele.
Isabela se virou, oferecendo um sorriso ensaiado.
— Confie em mim. Ele é o melhor.
O “melhor” médico, na verdade, já havia recebido instruções claras e um envelope generoso. Seu papel não era realizar o procedimento real, mas garantir que todos acreditassem que ele havia sido feito.
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Enquanto Helena e Miguel aguardavam na sala de espera, Isabela foi levada para a área restrita.
Ali, no silêncio estéril, entregou ao assistente o envelope com exames forjados.
— Certifique-se de que eles saiam daqui acreditando que está tudo perfeito — disse, em voz baixa.
Pouco depois, retornou à sala com um ar cansado, como se tivesse passado por algo intenso.
— Pronto… agora é só esperar — declarou, olhando diretamente para Miguel, como se quisesse gravar no rosto dele aquela “verdade”.
Helena segurou a mão do filho.
— Dentro de alguns meses, você terá o seu herdeiro.
Miguel assentiu, sem imaginar que a criança que todos esperavam não teria seu sangue.
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No mesmo momento, a poucas quadras dali, a nova cafeteria de Ana recebia clientes ilustres.
A inauguração estava sendo um sucesso absoluto: colunistas de gastronomia elogiavam o espaço, empresários comentavam sobre a qualidade do café, e fotos do local já circulavam nas redes sociais.
Ana sorria para cada cliente, sem imaginar que o destino começava a costurar um reencontro que poderia mudar tudo.