Isabela passou a manhã em frente ao espelho, escolhendo cuidadosamente a roupa para o primeiro passo de sua reaproximação. Nada de vestidos luxuosos ou joias chamativas. Ela optou por um tailleur discreto, azul-marinho, quase sóbrio, para reforçar a imagem de mulher séria, injustiçada. — A vítima precisa parecer digna. — murmurou para si mesma, ajustando os brincos pequenos. Às dez em ponto, ela chegou ao prédio onde parte do conselho mantinha escritórios privados. Os diretores mais antigos estavam lá, alguns curiosos, outros desconfiados. Isabela entrou com a postura ereta, mas os olhos carregados de vulnerabilidade ensaiada. — Senhores… — começou, a voz baixa. — Sei que meu nome foi arrastado pela lama. Sei que muitos acreditam que fui cúmplice. Mas vim aqui olhar nos olhos de vocês e

