O apartamento de Isabela estava mergulhado em silêncio. Ela assistia à coletiva de Miguel repetida em todos os canais, cada palavra dele ecoando como um soco em sua vaidade. O mundo a via agora como cúmplice, manipuladora, a mulher que conspirara contra o próprio marido. Mas, ao contrário de Helena, Isabela não chorou. Não atirou copos na parede nem se escondeu de cortinas fechadas. Ela se levantou, caminhou até o espelho e estudou seu reflexo. — Não vou acabar como você, Helena. — murmurou, ajeitando os cabelos. — Se for para cair, vou cair em pé. No dia seguinte, Isabela ligou para sua assessora de imagem, a única que não a havia abandonado. — Quero uma entrevista exclusiva. — disse sem rodeios. — Isabela, é arriscado. — a assessora hesitou. — A imprensa está faminta, e qualquer des

