CAPÍTULO 5

3157 Words
3ª pessoa P.O.V. Harry era muito persuasivo quando se tratava de coincidências. De tão frio e autonomista que seu coração era, para ele, as coincidências apenas evidenciavam o destino que ele mesmo traçava para a sua vida. Era tudo por culpa das escolhas dele, e, na maior parte das vezes, essas escolhas não eram lá tão inteligentes para o homem se gabar de todo aquele caos que era a sua vida. Por mais paradoxal que pareça, ele conseguia ser egoísta até consigo mesmo. Louis Tomlinson, naquele momento, era o que ele chamava de sua melhor escolha de inverno. Quando, bem... Na verdade, para ambos, mas principalmente para Louis, o gângster seria seu maior pesadelo e o usaria como uma criança usa sua bonequinha de porcelana e depois a joga fora, para assim poder brincar com outros brinquedos. É sempre assim, afinal. Mas há um "porém" que Harry desconhece, é claro. E, ah, Louis ama esse porém. Porque, enquanto ele acha que pode brincar com o policial, o mesmo já está muito ocupado o fazendo de bobo. Um completo i****a, que está cavando a própria sepultura ao se envolver com um cara que ele acredita ser apenas mais uma das suas experiências de estações. Ainda era cedo demais para ele descobrir toda a fria verdade que tudo aquilo e Louis Tomlinson trariam à tona para a sua vida, e então, só restava a Harry se maravilhar com a breve coincidência de tê-lo encontrado numa cidade não tão pequena como Sheffield. E, vamos lá, populosa o suficiente.  Numa escala de um a dez, Harry havia pulado do zero ao nove, apenas por ter o prazer de reencontrar seu diabinho francês numa academia, enquanto seu corpo suava e exaltava seus músculos definidos se contraindo e descontraindo... Modéstia à parte, ele sabia que era um legítimo gostoso. Também sabia que Louis pensava o mesmo, o que tornava as coisas ainda mais difíceis para os seus hormônios florescendo conforme a luz matutina. — Bonjour, Sr.Styles. — Ótima manhã, eu devo concordar. Mesmo que a situação aqui seja um pouco sinistra. Estou começando a suspeitar de seus objetivos, Sr... Tomlinson? — Franziu a testa, divertido.   Tomlinson se deu alguns minutos para sair de seu transe anterior pelo corpo escultural em frente a si, e revirou os olhos, rindo em descrença. Pode-se dizer que sua risada provocava espasmos em qualquer um que estivesse por perto; era alta e contagiante, soava crescente conforme as ruguinhas embaixo dos seus olhos aumentavam cada vez mais. Momentaneamente, Harry não pôde evitar um calafrio desconhecido percorrer sua espinha. Aliás, do que eles estavam falando, mesmo? — Eu não estava te seguindo, ma chère. Mas, estava pensando... Aproveitando essa adorável coincidência, não seria sensato se almoçássemos juntos? Você me deve uma bebida por causa de ontem, caso tenha se esquecido. — Sobresteve seu riso com as palavras, logo dando de ombros e fingindo distrair-se com os aparelhos e esteiras ao seu redor.  Mesmo sem manter contato visual, ele tinha certeza de que o encaracolado sorria malicioso para o que havia acabado de escutar. Ótimo. — Como eu poderia esquecer? Você me salvou de perder quase dois mil euros numa joia falsa, Tomlinson. Será um prazer... — Com a rouquidão evidente nas últimas palavras do Styles, já não se sabia mais se aquele prazer esmagador era ocasionado pelo futuro almoço dos dois, ou pela incrível visão do traseiro grande e levemente arrebitado pela calça social que o "francês" vestia.  Louis não conseguia acreditar que estava sendo encarado de forma tão descarada. Para falar a verdade, àquele ponto, ele já deveria saber que Harry era inacreditável. *** Enquanto dirigia seu velho Honda Civic através das ruas agora um pouco mais movimentadas de Sheffield, Louis alternava a atenção entre a música que tocava numa rádio local, a qual ele descobriu pertencer ao Air Traffic Controller, e a voz pausada da mulher no GPS, que lhe dava calmamente as coordenadas para um restaurante onde Harry havia sugerido para se encontrarem, aparentemente muito chique já que, a cada quadra, tudo o que o policial via eram paisagens mudando constantemente; da parte pobre até a mais nobre da cidade. Ele não podia negar que estava um tanto nervoso. Seus dedos tamborilando nervosamente no volante quando o sinal fechava. Além disso, o piscar de olhos mais frequente que o normal e, a palma da mão, formigando... Tudo indicava ao nervosismo, com o fato de ele próprio ser um cara ansioso. Tão ansioso e confuso que, por aquele tempo, nem ele mesmo sabia o porquê de estar assim. No fundo, o jovem deveria saber que aqueles eram apenas os efeitos colaterais de estar trabalhando, depois de muito tempo, contra um criminoso, e, ainda por cima, contra um homem bonito, sedutor... O pecado em todos os sentidos, tipo que ele não encontrava há anos. A todo o momento, Louis tentava tirar tal imagem sedutora da cabeça, para apenas deixar aquela tão mais simples ideia de um Harry criminoso, sangue frio e cafajeste. A todo o momento, ele lembrava a si próprio de que tudo aquilo seria por uma boa causa e por uma melhor ainda consequência. Era estranhamente perturbador ter dúvidas quanto ao calafrio estranho que sentia por apenas estar indo almoçar com Harry, fazer simplesmente o seu trabalho. Por instantes, ele supôs estar dando qualquer tipo de "esperança s****l" ao de olhos verdes, mas logo expulsou toda aquela suposição medíocre e se concentrou no volante. No fundo, sabia que a base do interesse de Harry por ele era o sexo, e talvez isso soasse vantajoso, uma vez que Louis jamais entregasse ao gângster o que ele tanto queria. Afinal, Louis, mesmo tendo certeza da sua orientação s****l, nunca conseguiu manter ou nutrir qualquer sentimento ou atração significante por alguém. Ele era muito centrado ao trabalho, não tinha tempo para baboseiras quaisquer. Pelo menos era essa a desculpa que usava quando tinha de negar noitadas em clubes com Stan e os assessores do FBI, sempre acabando por escolher ficar na calmaria de sua cama em Londres, sentindo o aroma do jantar de Johannah, sua mãe. Não seria um gângster m*l visto e altamente perigoso que mudaria essa sua condição, seria? Uma pena. Ele já estava atraído por Harry Styles, e era tão inevitável que chegava a arder na consciência do Tomlinson. Num ato de pura repreensão a si mesmo, ele bateu a própria cabeça no volante, repentinas vezes, até que os devaneios o deixassem pelo menos enquanto tudo o que deveria chamar-lhe a atenção eram as placas e as setinhas latejantes do GPS. Reconheceu que faltavam poucos quilômetros para virar a direita e já estar estacionado em frente ao seu destino, e então, suspirou aliviado.  Finalmente, em frente ao The Hop. Um estabelecimento um tanto bonito, ele tinha de admitir. Todo envidraçado por fora e com carros de altas marcas estacionados em sua volta. Louis não conseguiu conter o riso quando percebeu ser o único cidadão com um carro popular, e de tinta descascando, estacionado entre dois Cordillacs que provavelmente custavam os dois olhos de sua cara.  Louis só pôde sentir repulsa quando imaginou a origem suja e nojenta de todo aquele dinheiro que o gângster provavelmente faria de uso para pagar refeições caras e carros bons. Respirando fundo, talvez a vigésima vez no dia, ele deu de ombros e arrumou o terno em seu corpo, certificando-se de seu maço Marlboro estar ainda intacto no bolso. Aproveitou para pegar um dos últimos cigarros, fazendo uma nota mental para que roubasse alguns do Styles mais tarde, o acendendo e tragando-o três vezes antes de apagá-lo e adentrar o restaurante. — Boa tarde, Senhor. Bem vindo ao The Hop. Já tem reserva aqui? — Uma mulher baixinha e de olhos escuros falou. Seu sorriso não durou muito, afinal de contas. Quando viu o cigarro na boca do policial, mesmo que o mesmo estivesse apagado, rapidamente o repreendeu. — Está apagado. Não vejo problema em um cigarro apagado. — Louis deu de ombros, aproveitando a deixa e olhando ao redor do restaurante, procurando pelo seu acompanhante. — Não importa, senhor. Não permitimos cigarro no recinto. Louis m*l podia acreditar. Não fazia sentido algum. — Senhorita, o cigarro está apagado, e, bem, a lei diz que é proibido fumar em locais fechados. Caso o indivíduo se recuse a respeitar a lei e a apagar o cigarro, ele poderá ser expulso do local. Mas, olhe só, o cigarro já está apagado! — O de olhos azuis disparou, sem acreditar que a moça estivesse falando sério. — Senhor, mas o cigarro ainda está na sua boca. Eu apenas fui instruída a...  Sem hesitar, o de olhos azuis aproximou o rosto da orelha da mulher, e sussurrou uma última vez, certificando-se de que ninguém estaria perto o suficiente para ouvir: — Eu sou policial, má chere. Eu conheço a lei. A mulher, então, deu de ombros e apertou o tecido do vestido azul que usava, respirando cerca de dez vezes antes de voltar a olhar o policial, dando-se como vencida e revirando os olhos mais uma vez quando o homem sorriu convencido e arqueou as sobrancelhas, como se esperasse quaisquer novos argumentos que ela por ventura pudesse usar. Ela limpou a garganta, ajeitando o vestido ao corpo. — Acompanhante? — Sim. Estou com o Sr. Styles. — Dito isso, Louis apenas seguiu a mulher entre as mesas ao longo do restaurante, inspirando o cheiro de massa pronta e brincando com o cigarro entre seus lábios. Parecia um novo tique quando, por duas vezes seguidas, ajeitou o terno em seu corpo. Era óbvio, afinal, que estava nervoso. Duas, três... quatro vezes mais do que antes. Numa mesa afastada do pequeno núcleo de pessoas conversando harmonicamente conforme a música clássica e o barulho dos garçons deixando e pegando pratos, lá estava o encaracolado, olhando em direção à janela à sua direita, com uma expressão tão indecifrável que Louis teve de aproximar o rosto para tentar entender. O sorriso filho da mãe (de sempre) brincava em seus lábios um pouco mais rosados que o normal. Como se reconhecesse a colônia doce do Tomlinson, ele se virou para encarar o policial, sorrindo ainda mais. — Arrumando encrenca, Louis? — O de olhos verdes perguntou, seu sorriso diminuindo conforme falava. Louis, encrencado por estar tão nervoso e arrepiado por apenas ouvir aquela voz rouca, não teve escolha a não ser sentar-se de frente ao gângster, ao que a mulher se distanciou dos dois.  Ele podia jurar que tentou o máximo de si para não gastar muito tempo apreciando o quão bonito aquele marginal era. Como se Louis abrisse um dicionário e pudesse visualizar Harry se encaixando em todos os sinônimos que a palavra "bonito" poderia ter. Como sempre, ele usava o típico jeans azul rasgado, que Louis não teve muita dificuldade em reconhecer, aliás. Seus cachos pareciam mais bagunçados, e, também, como sempre, uma bandana com a estampa da bandeira americana puxava boa parte dos fiozinhos rebeldes. Quando uma de suas mãos tocou a do Tomlinson, no que parecia um simples gesto de cortesia, Louis também percebeu uma cruz tatuada em seus dedos. Ele definitivamente parecia mais um estudante que gostava de ouvir música indie e mascava chiclete em qualquer lugar que fosse. Nada como um gângster. — Boa tarde para você também. E, bem, je suis français. — Finalmente disse, soltando o ar dos pulmões aos poucos, suas mãos não parecendo mais tão trêmulas quando terminou de cumprimentá-lo e olhou ao redor, como se não estivesse interessado em muita coisa. — Franceses são egocêntricos. Por isso não gosto de você, nem do seu cigarro. — Então por que continua flertando comigo? — Louis rebateu, soltando um risinho convencido e respirando fundo, mais uma vez, por estar conseguindo tomar controle da situação. — E... O quê?! Como assim você odeia cigarros? Achei que eu estivesse falando com o AI Capone inglês. — Ah, qual é, Tomlinson. Não tenha essa ideia ridícula. Não é como se eu usasse terno, gel no cabelo, e fumasse um cachimbo enquanto ganho meu dinheirinho sujo. — Harry riu, tentando evitar que as mesas ao redor o escutassem. Por mais que a polícia não estivesse mais engajada em capturá-lo, e sim, antes disso, desvendá-lo, era sempre razoável que nenhum civil o reconhecesse. — Ei, e não me compare ao AI Capone. Sou bem melhor que esse merda. — AI Capone foi um dos caras mais influentes no mundo do crime. Tem certeza de que consegue ser melhor que isso?  — Tenho certeza. — Harry garantiu. Lhe lançou uma piscadela, depois pegando o cardápio em frente a si e voltando à usual pose indiferente, deixando a fala no ar e vez ou outra desviando o olhar para o policial, que ainda o encarava, curioso.  Havia uma variedade muito grande de pratos ali, ao contrário do preço, que nada variava, a não ser pela escala aumentando cada vez mais. Louis se deu o tempo de ler todos os nomes, de cada prato, enquanto escutava, atento, cada barulho que o de olhos verdes fazia. Buscava a todo custo qualquer sinal de nervosismo. Porém, a cada minuto, somente se irritava com o simples fato de ele parecer sempre sob controle, sempre o encarando com algo diferente nos olhos e, mesmo assim, permanecendo calmo. Sabia que precisava puxar assunto, afinal, era para isso que estava ali. Puxar assunto, puxar informações, tecer a teia aos poucos... Esperou que Harry fizesse o pedido, e, quando o mesmo o fez, Louis apenas pediu o mesmo prato de risoto, acompanhado de uma garrafa de vinho branco. Ficou brincando com o cigarro entre seus lábios até o prato de ambos chegarem, e, antes de darem a primeira garfada, Harry chamar a sua atenção: — Eu estava pensando... Como você sabe sobre mim? É como se tivesse surgido do nada e com todo aquele conhecimento sobre joias... Bem, a polícia arquiva meus dados em segredo. Nada sobre mim é divulgado ao público ou à mídia. Apenas estou curioso.  — Como eu sei sobre você? — Louis engoliu em seco, desviando o olhar para o risoto e logo depois voltando às íris verdes. Ainda assim, demonstrava muita confiança. — Sou pouco inteligente, eu diria. Na França, meu pai me deu uma educação muito boa, mas desperdicei tudo com bebidas, festas e essas coisas. Nessas festas, acabei conseguindo muitos... Contatos. Você sabe, tudo começa com a vontade de fumar maconha, e daí precisar de algum fornecedor. E na burguesia francesa a droga não sai de qualquer boca. De um jeito ou de outro, fiquei sabendo sobre você. Primeiro as drogas, depois os assassinatos, as mulheres traficadas... — Hum... Então você é um riquinho revoltado? — Harry concluiu, arqueando as sobrancelhas. — E eu sou o seu ídolo? — Non! — Louis riu, comendo o primeiro pedaço de risoli e sujando os cantos da boca com o molho. — Apenas acho interessante a sua história. Tinha muito dinheiro herdado e queria conhecer tudo que há de mais obscuro nesse mundo. E, bem, considerando a noite de ontem, acho que não precisamos nutrir nenhuma desconfiança aqui. — Ele deu uma piscadela. — A minha história? — O de olhos verdes quase engasgou com o vinho que antes bebericava. — Acredite, Tomlinson, você não sabe nada sobre ela. Nem mesmo o FBI sabe. A começar pelo fato de você associar a minha imagem à de gângsteres tradicionais. — Posso ter direito a algumas perguntas, então? — Ele tentou, mas seus olhos não puderam resistir aos instintos, brilhando. O azul acinzentado passando para o azul extremamente vivo.  — Vamos devagar, Tomlinson. — Harry riu, contornando com os dedos as bordas da taça de vinho. Ele estava louco com o quão atrevido e curioso o seu diabinho francês podia ser. O perfume do de olhos azuis estava tão mais forte, que Harry teve de se segurar para não enfiar o próprio rosto na curva do pescoço do menor e inspirar aquele cheiro viciante. — Eu espero que tudo isso aqui valha à pena. Saiba que cancelei um almoço importante com os caras da Lei para estar aqui. Sem o mínimo de vergonha na cara possível, como Louis diria, Harry esticou suas mãos na mesa oval que separava os dois, conseguindo encostar seus dedos aos menores e delicados do policial, que, em reflexo, rapidamente tirou as mãos da mesa, ainda assim não fugindo do choque de emoções que era encostar sua mão quente em uma tão fria. — Vamos devagar, Styles. — O menor usou o mesmo tom que o gângster usara anteriormente. — Pode tirar o cavalinho da chuva em relação a... Isso. Eu te chamei aqui porque preciso de ajuda. — Ajuda? — Ajuda. — Louis assentiu. — Hum... Como eu estava dizendo, meu pai me deu uma boa educação, era um cara consideravelmente rico. Empresário, dono de multinacional... Você sabe. É claro que eu vivia à custa do velho, então, quando ele se foi dessa para melhor, eu fiquei na lama, e não tive a mínima capacidade de recuperar as empresas. Estou na lama, na verdade. Posso até ter algum dinheiro guardado, mas não o seguro por mais de seis meses.  Harry acompanhava cada palavra com as sobrancelhas franzidas, assentindo; o polegar direito acariciando a área abaixo do seu piercing pendurado ao lábio inferior. Como sempre, ele era hábil em disfarçar suas expressões, e então, só restava a Louis ter de lidar com um rosto inexpressivo a sua frente. Assim, no que o policial era incapaz de decifrar, Harry de fato estava confuso com até onde Louis queria chegar com toda aquela história de ajuda. Mas, por algum motivo, não conseguia suspeitar de qualquer perigo naquele homem. — Está insinuando que... — Sim. Estou insinuando que preciso de um trabalho, porque, sendo muito sincero, eu gastei tudo em apostas. Estou cheio de dívidas, largado no mundo, com o máximo da minha experiência adulta depositada em trampos ilegais. Por isso, eu preciso de algo que me garanta dinheiro rápido e fácil. Minha mãe me odeia, e eu me recuso a ir pedir dinheiro a ela. — Louis o interrompeu, soltando todo o peso dentro de si numa só lufada de ar. Mentia tão bem que até mesmo Stan, filho da mãe como era, ficaria orgulhoso se estivesse ali. — Isso é sério? — Harry soltou um breve risinho, depois revirando os olhos. Chegava a ser impressionante o quanto seus traços mudavam de uma hora para outra, e logo ele estava com as íris obscuras. Sombrias a ponto do policial sentir seus pelos eriçarem quando cruzou o seu azul com o verde morto do maior. — Você deve estar confundindo as coisas aqui, Tomlinson. Eu trabalho com coisa pesada, sabe disso? Eu trafico mulheres, eu trafico drogas, eu mato pessoas. Não é mais simples gerir algo pequeno? Pescar? Vender roupa? — Harry, ora, épargnez-moi (*me poupe). E não estou entendendo em que parte isso possa ser um desafio pra mim. — Deu de ombros, empurrando o prato já vazio para o centro da mesa, puxando um cigarro do bolso e colocando-o na boca, mesmo estando apagado. — Eu poderia lidar com a parte administrativa, por exemplo, ou a logística internacional. Estudei na Pierre et Marie Curie, má chere. Quer mais geografia que isso?  — Olha... Eu não sei. A decisão não é só minha. — O maior disse. — Talvez se você fosse meu escravo sexual... Em reflexo ao que acabara de ouvir, Louis chutou as pernas do gângster por debaixo da mesa, fazendo careta e exibindo seu dedo do meio. Era tão pequenininho que Harry não pôde evitar outra risada. — Eu realmente não brinco em trabalho, Sr. Tomlinson. — Num suspiro, Harry resolveu se pronunciar, antes de beber o pouco de bebida que restava da sua taça de vinho, e, de esguelha, tirar um celular do bolso. Digitou rapidamente algo que, por aquele momento, Louis não conseguiu ler. — Caso você realmente queira sair da lama, me encontre nesse endereço daqui... Em dois dias. Vá com essa mesma camisa social, com esses mesmos dois botões soltos... — Ele mordeu os lábios, encarando o peitoral levemente exposto de Louis.  12-18 Cambridge Avenue Sweat's basement. Sheffield, South Yorkshire S1 4HP Louis leu ao que Harry empurrou o celular em sua direção. Àquele ponto, os lábios do Tomlinson começavam a tremer, resistindo à tentação de um sorriso brotar ali. Bingo.
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