A simples ideia me arrepiou

1044 คำ
Meus olhos deslizaram pros cílios dele, longos, densos, quase absurdos de tão bonitos. Aqueles cílios que piscavam devagar quando ele tava distraído, como agora. Ele olhava fixo pra frente, concentrado em sei lá o quê, e eu ali, mergulhada no inferno particular de admirar alguém que nunca seria meu. De repente, ele se virou pra mim, e eu quase pulei no banco, pega no flagra. Mas fingiu que não viu. Me deu um olhar rápido, neutro, e soltou: — Roxie… Desculpa. Eu não queria te deixar m*l ou nada do tipo. MENTIRA. ELE SABIA EXATAMENTE O QUE TAVA FAZENDO. — Tá bom — disse, em tom de deboche. — É sério. Só queria deixar claro que... eu gosto da Milla, só isso. Soltei uma risada seca, sem humor, e balancei a cabeça. — Eu entendi, Liam. Você deixou bem claro. Ele riu baixo, como se achasse graça na minha irritação, suspirou e passou a mão pelos cabelos, jogando-os para trás. Apenas observei em silêncio, tentando ignorar o calor que aquele simples gesto despertava em mim. Era um movimento tão simples, tão comum, mas nele havia um charme absurdo. Me olhou por um instante e então me chacoalhou de leve pelo ombro, tentando, talvez, quebrar o peso que havia se instalado entre nós. — Relaxa, odd girl. Bora ouvir uma música, vai — disse, já ligando o som do carro. — Só aceito se tiver J. Cole, Kendrick, Travis, Tyler, Drake. Se não, eu me jogo pra fora desse carro — rebati com uma expressão fingidamente séria, cruzando os braços e encostando a cabeça no encosto do banco, o canto da boca ameaçando um sorriso. Liam gargalhou e balançou a cabeça. — Calma, exigente — disse isso com um tom irônico. Deu risada, esticou o braço até o painel, pegou o celular e conectou no cabo que saía do console do carro. A tela acendeu, ele começou a deslizar o dedo pelas playlists, procurando uma música. Me virei devagar, observei ele concentrado no celular. Suas mãos grandes, os dedos longos agarrando o aparelho com uma firmeza que fez minha mente suja viajar. Imaginei elas em volta do meu pescoço, segurando com firmeza, com pose. A simples ideia me arrepiou. De repente, parou de mexer no celular. Sem pressa, uma das mãos deixou o aparelho e subiu lentamente até os cabelos. Com os dedos, ele os empurrou para trás, afastando as mechas da testa. O jeito como inclinou levemente o pescoço, como os olhos se mantiveram fixos no aparelho, alheio ao efeito devastador que aquele gesto provocava em mim... AQUILO ME DEIXOU LOUCA. Mordi o lábio inferior, disfarçando, tentando recuperar o controle do próprio corpo. Ele nem percebeu o que tinha feito. Claro que não. Nunca percebia. Mas eu sentia o calor subir pela minha nuca, a vontade de morder aquela linha de tensão entre o ombro e a garganta dele, de enrolar meus dedos nos cabelos que ele acabara de arrumar e puxar até seu rosto se voltar para mim. A garganta secou. Virei o rosto, como se isso bastasse para apagar o que eu estava sentindo. Liam passou por várias pastas de músicas. — Nossa, tem coisa demais aqui — murmurou, rindo sem graça. — E nenhuma que preste, aparentemente. — Tô tentando achar algo decente... espera. Deslizou o dedo pela tela, mas cada play era seguido por um "Essa não" ou uma careta... e mesmo assim, o desgraçado continuava bonito. Bonito até fazendo careta. Ou eu tava cega por achar isso, ou muito apaixonada por esse maldito. Após algumas tentativas, ergui a mão. — Não tem nenhuma música que preste nesse celular, desiste. Pode desligar isso aí. Ele suspirou, inclinando levemente o corpo contra o banco, deu um risinho breve e obedeceu, apertando o botão que silenciou o som. Ficamos em silêncio, esperando a água baixar, olhando a chuva fraca cair, um resto teimoso pingando no capô. A água que escorria pela estrada de terra em pequenos rios que formavam uma correnteza barrenta começava a diminuir, a correnteza perdendo força. — Tá mais tranquilo agora — me olhou de relance, um sorriso torto nos lábios. — Hora de ir — disse, girando a chave para ligar o carro. O motor ronronou. Assenti, ajeitando-me no banco. O carro arrancou, e eu me agarrei ao apoio da porta, o vento batendo no meu rosto. Quando chegamos em frente à minha casa, Liam encostou o carro. Olhei para a porta de casa, depois para ele. — Valeu pela carona. E por não me deixar andando na chuva. — Valeu você pela força com as caixas — respondeu, olhando em minha direção. Descemos juntas. Liam deu a volta no carro, abriu o porta-malas do jeep e tirou minha bicicleta. — A gente se vê amanhã — disse, me entregando a bike com um sorriso. — Até amanhã. Segurei a bicicleta pelo guidão e atravessei a rua até a minha casa. Deixei a bicicleta no quintal, encostada no muro, e peguei a chave no bolso. Quando finalmente girei a fechadura da porta e empurrei para entrar, ouvi o som do motor ligando. Entrei em casa tirando os tênis encharcados ali mesmo no tapete da entrada e segui até a sala, onde a irmã estava sentada à mesa, com um copo de chá ao lado e os olhos grudados na tela do notebook. Ela levantou o olhar assim que percebeu minha presença. — Finalmente, né? — disse, franzindo a testa. — Te liguei várias vezes, Roxie. Onde você tava? Passei a mão pelos cabelos e suspirei, cansada. — O pneu da bicicleta furou no meio do caminho... — respondi, tirando a mochila das costas e apoiando-a no encosto da cadeira. Ela fechou o notebook, claramente mais aliviada agora que me via inteira e bem. — Devia ter avisado. Fiquei preocupada. — Eu sei. Foi tudo meio corrido. Mas tô bem. Vou tomar um banho. Lancei um sorriso rápido pra ela e subi as escadas com passos pesados. No quarto, joguei o moletom molhado num canto, passei os dedos pelo cabelo e respirei fundo. Despi o resto das roupas e entrei no banho. Fiquei parada debaixo do chuveiro por um minuto, as mãos apoiadas na parede de azulejos enquanto a imagem de Liam invadia cada centímetro da minha mente.
อ่านฟรีสำหรับผู้ใช้งานใหม่
สแกนเพื่อดาวน์โหลดแอป
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    ผู้เขียน
  • chap_listสารบัญ
  • likeเพิ่ม