Marcela não aguentava mais aula nenhuma muito menos algo que envolvesse cálculos. Na troca de professores escondeu sua mochila no final da sala, atrás da cadeira de alguém.
Se escondeu perto do portão para o campo. E logo a sala de Shawn teria aula de educação física no próximo período. Ela iria fugir para aula dele, a professora era tão distraída que nem a notaria.
Assim que a sala dele chegou ao portão, se misturou no meio dos alunos. Foram para o campo e ela entrelaçou o braço no de Shawn, e se sentaram na calçada perto do campo e ficaram quietos. Marcela balançava o celular nas mãos, como distração.
A professora nem a notou mesmo.
— Deixa eu jogar no seu celular?
Shawn perguntou, em seguida pegou o celular da mão de Marcela, sem que ela autorizasse.
— Ah... É, claro! — Marcela falou irônica.
Não tinha mais no que Marcela se concentrar, teve então que olhar para frente onde tinha dois grupinhos de meninas.
No primeiro a direita à 10 metros estava Theodora, Ester e duas garotas que Marcela não sabia o nome, dando cambalhotas e tentando fazer estrelinhas.
No outro grupo estava Bea (ela jogava no time da escola juntamente com Marcela, o que queria dizer que ela era boa) e mais três meninas jogando uma para as outras.
Marcela observou Theodora, ela não fazia estrelinha tão perfeitamente como as outras, mas se saía bem.
Em uma das tentativas não saiu do jeito que a latina queria, ela não conseguiu inclinar seu corpo totalmente. Foi direto de costas no chão.
"Pelo menos não foi de frente que ela caiu."
Theodora ficou vermelha, Marcela soltou uma risada baixa, enquanto a outra se sentava rindo.
As meninas que estavam perto perguntaram se estava bem, Theodora respondeu que sim.
Quando a latina olhou para o lado de Marcela e a viu sorrindo ainda, porém sem graça por ter sido flagrada.
Assim que Theodora se levantou, as meninas que estavam com ela pegaram uma bola de vôlei e ficaram jogando umas paras outras.
Bea estava sozinha fazendo embaixadinha, as outras meninas tinham parado.
— Theodora, joga comigo? — perguntou Bea deixando a bola momentaneamente no chão.
— Manda. — Theodora respondeu parada para que Bea mandasse.
Depois que Bea jogou, Theodora deixou que a bola subisse em sua perna e fez 2 embaixadinhas (meio desengonçada, mas fez) e tentou chutar para Bea. Mas foi em Marcela que estava à 3 metros de Bea.
— Ops. — Theodora falou corada.
Marcela se levantou e foi até a bola, brincando com o objeto.
— Chuta. — pediu Bea.
Marcela encaixou a bola entre seus pés, deu uma lambreta em Theodora e completou depois que a bola passou por cima dela.
— Que legal. — Ouviu Theodora dizer baixo. — Muuuito legal, Marcela.
— Vejam se não é a dona da p***a toda?! — Ester que tinha acabado de se aproximar, implicou.
— Muitas vezes não dá certo. — Marcela riu envergonhada. Não sei como consegui.
— Ainda tenta se fazer de modesta. — Bea brincou.
Jogou a bola para Bea, que foi para o lado levando-a junto para driblar Marcela.
— Olha, querendo aparecer. — Marcela brincou.
Bea ficou controlando a bola de lado para o outro para que Marcela tentasse pegar.
Marcela chegou seu corpo para perto de Bea para pegar a bola com mais facilidade.
— Poderiam jogar para mim?! — Theodora falou parecendo tediosa e fez uma careta.
"Ela está com ciúmes?!"
Marcela se afastou de Bea, para que todas ficassem numa distância boa para tocarem umas para as outras.
Ester entrou na brincadeira também e rapidamente metade da sala de Theodora estava brincando com elas.
Alguns dias depois...
Era o último dia de aula antes das férias do meio do ano. Todas as turmas estavam na quadra para jogar as finais do interclasse, os outros jogos aconteceram antes que Marcela fosse para o Texas.
Theodora não faz prática de esportes algum, a menos que seja na aula de educação física, que vale nota.
Acabou o primeiro tempo do jogo de futebol feminino entre a sala da Marcela e a de Theodora. O time da Hoff ganhando.
Os times estavam reunidos, Theodora estava dentro da quadra, encostada na tela que ficava em volta da quadra, as observando.
— Bea, acho que você é a melhor marcadora daqui, então fica na Marcela.
— Pode deixar, ela não vai passar. — Bea respondeu tentando mostrar firmeza. — Não vou sair de perto dela.
Theodora riu, não tinha como segurar Marcela. Ela já havia feito 2 gols e dado o passe para os outros.
O jogo recomeçou, Bea não desgrudou de Marcela, do jeito que falou que não deixaria a Hoff passar.
Mas também as meninas da sala de Theodora não fizeram gol já que quem tinha marcado 2 dos 3 tinha sido Bea.
A goleira da sala de Marcela estava com a bola, Marcela balançava as mãos no alto da cabeça pedindo a bola.
A goleira deu um chute que iria na cabeça certinho na Marcela, se não fosse Bea pular e jogar a bola para fora da quadra.
Elas estavam 6 metros de Theodora. Quando Bea pulou bateu a mão no rosto de Marcela que caiu sentada.
Theodora se levantou irritada e quase foi lá, só não foi porque sabia era errado.
O juiz (um dos professores) parou o jogo, Marcela se levantou com a mão perto da boca, deu alguns passos mexendo o maxilar, e olhou para o lado de Theodora.
— Desculpa, não foi por querer. — Bea estava atrás de Marcela.
A Hoff estava calma, e não como esses jogadores que querem m***r uns aos outros, quando acontece algo parecido com eles.
— Tudo bem, Bea, mas posso te pedir uma coisa? — Marcela falou séria, pelo menos parecia.
Ela estava a 2 metros de Theodora no momento, parada com Bea ao seu lado.
— Pode, é claro?! — Bea respondeu sem muita convicção.
— Chute minha canela, me dê uma cotovelada no estômago, mas não bata na região da minha boca. — Marcela brincou, Bea ficou vermelha. — Não tenho dinheiro para fazer implante, garota.
Os que escutaram o que ela disse, riram. Marcela olhou para Theodora.
— Não é verdade, Theodora? — a latina assentiu e foi obrigada a rir.
Theodora estava corada por Marcela a olhar intensamente, ela tinha a capacidade de apenas com um olhar acabar com tudo.
O juiz entendeu que não foi por querer e não deu cartão para Bea, mas deu falta a favor do time de Marcela.
Mas o jogo terminou 5 a 4 para a sala de Marcela.
Marcela saiu da escola após vencer o jogo.
"Joguei até bem."
Marcela amou o fato de Theodora ficar irritada quando a Bea a acertou na boca.
Até cogitou a ideia de ficar com raiva e fazer um escândalo, mas estava ganhando e preferiu usar o humor, o que fez Theodora se acalmar.
Não viu Theodora depois que saiu da escola, passou o feriado todo sem ter notícias dela.
Nem queria ficar pensando em Theodora, queria mesmo esquecê-la, já que não daria em nada.
Mas não tinha jeito, quanto mais tentava não pensar, mais Theodora se multiplicava e a perturbava em seus pensamentos.
Demi, Laura, Belinda e Ester estavam insuportáveis para Marcela. Toda hora perguntavam o que estava acontecendo com ela.
E para piorar mais ainda seu feriado deprimente. Marcela já estava de recuperação em química e se não arrumasse ajuda ficaria de recuperação final.
Ela teria que arrumar alguém para lhe ensinar.
"Quem poderia ser?"