***Fernando***
Eu sabia que estava brincando com fogo quando decidi parar em um hotel para me trocar, mas eu confiava no meu autocontrole, além do mais, estava morrendo de fome e com a maldita camisa toda manchada de batom.
A Kelly pode ser uma ótima cliente da minha empresa, mas se ela tentar me agarrar à força novamente da forma que ela fez, prometo que faço um escândalo. Mulher louca!
Pedi ao Henrico para trazer uma camisa para mim. Era isso ou passar em casa com a Vanessa na garupa. Nem se eu fosse louco.
Percebi certa resistência da Vanessa em subir para o quarto comigo, mas ela não tinha que se preocupar, pois eu não estava com a intenção de fazer nada errado com ela.
Eu só precisava me alimentar e ter um pouco de paz antes da próxima reunião externa do dia.
Percebendo que não ia me vencer, aceitou subir comigo e assim que chegamos ao quarto, falei para ela pedir ao serviço de quarto um café da manhã reforçado para dois e para ela fazer algumas ligações.
Quando ela viu que eu realmente iria fazer o que me propus a fazer e ainda dei trabalho para ela, relaxou um pouco e começou a fazer os meus pedidos.
Enquanto ela estava envolvida em suas tarefas, fui para o banheiro e tomei um banho bem quente e relaxante, tentando não pensar que a mulher, dona da melhor f0da que eu já tive, estava do outro lado da porta.
Demorei um pouco mais do que deveria embaixo do chuveiro, perdido em meus pensamentos, sendo tirado de lá pelo barulho da campainha.
Eu enrolei a toalha em minha cintura, e saí do banheiro secando o meu cabelo com uma outra toalha, só que um pouco melhor.
Senti dois pares de olhos queimando sobre mim e então vi que era o Henrico e a Vanessa, que pareciam ter paralisado por uma momento, mas continuaram a conversa.
— Eu adorei o cachorro-quente que tem atrás da empresa. A melhor recomendação que recebi até hoje. Não sei como você descobre essas coisas — Vanessa falou para ele.
— Ah, Van! Eu passo mais tempo ali do que em qualquer outro lugar, é normal que eu gaste o meu tempo ocioso descobrindo novos sabores — ele respondeu e depois me olhou um tanto quanto curioso — Dr. Costa, suas roupas. Espero que sejam boas, sua mãe que escolheu.
— Henrico, não f0de! Ela é Van e eu Dr. Costa?— Disse irritado — a gente se conhece a uma vida e vocês devem ter acabado de se conhecer.
— Desculpa Fernando, não sabia se podia te tratar informalmente perto da Vanessa.
— Larga de ser chato, chefinho. O Henrico se tornou um grande amigo no último ano — a Vanessa falou defendendo o Henrico e só então eu me dei conta que eles devem se conhecer por causa do caso do meu pai.
— Vai falar para o meu pai que eu estava com a namoradinha dele em um quarto de hotel? — Novamente falei como se fosse um garoto de 13 anos — infantil e arrogante.
— Fernando, a Vanessa e... deixa pra lá — falou confuso enquanto encarava a mulher em sua frente — De qualquer forma, a Vanessa me contou da Kelly. Até eu, um simples funcionário, quase fui arrastado para a sala dela. Ela é insaciável.
— É, eu só precisava tirar a camisa que ela arruinou com aquele batom horroroso e tomar um banho, pois fiquei todo babado dos beijos que não consegui me esquivar e com o cheiro dela.
Peguei a camisa com o Henrico e logo o serviço de quarto chegou.
— Já que te fiz vir te tão longe, senta e toma um café — falei com ele.
— Eu iria adorar, mas a sua mãe está me esperando pra sair. Ela detesta atrasos — diz pegando uma maçã na mesa e se despedindo da Vanessa com um beijo casto no rosto.
Depois que ele saiu, não contive a minha curiosidade.
— Será que tem algum homem na minha casa que não seja louco por você? Até o Henrico te adora. Nunca vi ele assim com ninguém.
A Vanessa me olhou nos olhos, como se estivesse lutando muito para não olhar para o meu corpo e respondeu:
— Nem todos. Você me odeia, não?
— É claro que odeio — a voz falhou, entregando que aquela era mais uma das minhas mentiras. Ainda que devesse, eu não a odiava, não conseguia.
Me afastei dela e fui para a mesa tomar o meu café da manhã. Mais um segundo na frente daquela mulher e eu iria devorar os seus lábios.
— Coma alguma coisa. Temos um dia cheio — a chamei para me acompanhar.
Ela se sentou, mas a sua respiração estava pesada. Quando estávamos juntos sempre havia uma tensão sex.ual enorme. Eu queria muito estar com ela novamente e pelo jeito eu não fui o único a me sentir assim.
Comemos em silêncio e depois me levantei para me arrumar.
Minha mãe havia mandado uma troca completa de roupas, então não pensei duas vezes antes de tirar a toalha e começar a me trocar.
— Que merda é essa, Fernando? Sabia que você ia fazer alguma gracinha — esbravejou.
— Eu estou trocando de roupa, pode ficar calminha aí, estressada.
— Por que não usou a droga do banheiro?
— Ele está ensopado, esqueceu que acabei de tomar banho lá e caso não tenha percebido, sou um homem grande — nossa, isso soou com tantos sentidos — e molhei o chão todo. Se você não ficasse me secando o tempo todo, nem ia perceber, além do mais, já viu tudo o que tinha que ver aqui.
— Olha só, Fernando! — Voou pra cima de mim com o dedo em riste e parou quando se lembrou que eu estava nu.
— Fala, o gato comeu a sua língua? Ou está querendo que eu te coloque de quatro nessa cama e não está sabendo pedir? — Disse para a provocar e senti a sua mão estalar no meu rosto.
— Arrogante do carålho! — gritou e saiu do quarto batendo a porta.
Eu estava tremendo todo o meu corpo. Que efeito é esse que essa mulher tem sobre mim?
Quanto mais eu sei que ela é proibida pra mim, mais eu a desejo.