***Fernando***
Depois que a amante do meu pai saiu da minha sala dizendo que ia embora, achei melhor não ir atrás dela. Eu já havia passado muitos limites e ainda precisava saber como o meu pai estava e se a minha mãe já tinha conhecimento que meu pai quase quebrou o påu com a amante.
Peguei minha pasta, apaguei a luz e entrei no elevador, rumo à garagem, mas assim que ele chegou, fui tomado por uma curiosidade genuína e apertei o botão que me levava para a minha nova sala.
Um sorriso se formava no canto dos meus lábios. Eu sabia que a Vanessa não era o tipo de mulher que valorizava o trabalho, já que era a amante do chefe, aliás, era a futura mulher do chefe, pois pelo andar da carruagem, o meu pai casa com ela no segundo seguinte em que assinar o divórcio.
Eu queria ver a merda que ela tinha feito ali e qual seria a desculpa que ela iria me dar para ter dito que tudo estava pronto.
Porém, para a minha surpresa, assim que acendi as luzes, não pude manter minha boca fechada.
Estava tudo pronto.
Tudo impecavelmente pronto.
Depois de rodar pela sala e recepção à procura de erros e não os encontrar, vi um bilhete colado em cima da minha nova mesa.
"Sabia que assim que acabasse com suas fodås sem graça iria vir até aqui. Espero que tudo esteja do seu agrado. Sua agenda com os compromissos da semana estão dentro da gaveta. Vanessa."
Uau! Por essa eu não esperava. Ela não era uma inútil como eu pensava.
Depois de ficar mais um bom tempo analisando o ótimo trabalho da Vanessa, peguei minhas coisas e finalmente fui embora para casa.
****
O meu pai já estava ótimo. Acho que aquilo foi só um susto, ou uma punição do universo, mas ainda não sei se para ele ou para mim.
Estávamos sentados à mesa de jantar, eu, minha mãe e o meu pai, e apesar do clima de velório, acho que a minha mãe ainda não sabia da aventura humilhante do meu pai na noite passada.
Assim que terminamos, o meu pai me chamou até o escritório dele e eu o segui.
— Como ela está? —Perguntou com interesse genuíno.
— Por que não pergunta você mesmo?— Acho que ele ainda não entendeu que só voltei para o Brasil por causa desse relacionamento dele.
— Acho que ela não vai querer falar comigo por um tempo. Foi muita coisa para ela processar. Vou dar um tempo pra ela e depois a gente conversa.
— Quer dizer que vai esperar o tempo dela, devotando o seu amor e fidelidade? — Questionei ele de forma irônica.
— Acho que esse tempo no exterior te amoleceu e esqueceu que um homem de verdade precisa aliviar suas tensões. Eu vou esperar o tempo dela, mas isso não significa que ...
— Tá bom, pai. Já entendi que você não é fiel nem com a mulher que você casou e construiu uma família e nem para a novinha gostosa.
— Novinha gostosa? Tá chamando minha garota de gostosa? Achei que detestava ela —me pressionou, nitidamente com ciúmes.
— Não viaja, pai. Esse é o apelido que colocaram nela — nem de longe acho ela o meu tipo — menti e acho que estou ficando profissional em mentiras.
— Novinha gostosa... gostei — meu pai falou quase com orgulho do seu troféu.
Deixei o meu pai no escritório e fui para o meu quarto, ansioso para o próximo dia. Com certeza a empresa era mais interessante do que esse caos da minha casa.
Depois de alguns dias, dormi cedo e finalmente pude descansar um pouco. Estava em um ritmo nada saudável.
Acordei revigorado, fisicamente apenas, pois minha mente estava mais confusa do que nunca.
Tomei um bom banho, fiz a minha barba que estava bem negligenciada e fui trabalhar, antes de ter que tomar o meu café com a minha família modelo de margarina.
Quando cheguei, fui direto para a minha nova sala e a encontrei lá.
Linda.
Cheirosa.
E com um sorriso, que mais funcionava como uma máscara para esconder qualquer emoção que ela pudesse estar sentindo.
— Bom dia, Senhor Costa — disse com um sorriso — espero que tenha visto na sua agenda que tem uma reunião com a Senhora Kelly agora pela manhã — na empresa dela, em meia hora.
Ah, entendi o seu sorriso sarcástico. Eu estava prestes a me atrasar, mas acho que ela não entendeu bem a sua função.
— E por que você ainda não está pronta? — Perguntei com a fisionomia neutra.
— Mas- mas eu tenho que ir? — Respondeu incrédula.
— Você está se comportando como se fosse a minha secretária e não a minha assistente. Pensa que não vi a quantidade de compromissos que marcou para mim fora da empresa. Fique sabendo que vai ter que ir em todos comigo.
— Merda! Um a zero para você — murmurou enquanto levantava emburrada, mas logo endireitou a sua postura, colocou o seu melhor sorriso falso e disse:
— Vamos? Estou pronta!
Não consegui conter um sorriso e apenas tive a oportunidade de pegar a pasta com informações do cliente e saí — eu estava morrendo de fome. Tomara que essa Kelly não seja prolixa. Detesto gente que fala demais.
***
— Eu não vou subir nessa merda — disse atônita quando viu que eu estava de moto.
— Acordei de bom humor. É isso ou se atrasar — falei enquanto colocava o capacete e entregava um para ela.
Ela resmungou um pouco, mas cedeu.
Eu a observava enquanto colocava o capacete, e porrå, ela é sėxy demais.
Então ela subiu na minha garupa, deixando um arrepio na minha espinha e disse no meu ouvido de forma bem sensual, nitidamente tentando me provocar, pois imitava a garota que estava comigo ontem.
— Estou pronta, chefinho grosso e gostoso.
Eu ri e dei a partida.
É, ela tinha o seu charme.
.