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Depois das seis, senhor Black

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Descrição da história

Alarik Black e Angelina Mason se reencontram anos depois de uma infância marcada por uma relação que nenhum dos dois conseguiu esquecer.

Ele cresceu para se tornar exatamente o homem para o qual foi preparado: um CEO poderoso, frio, controlador e temido, herdeiro de um império empresarial e acostumado a conseguir tudo o que deseja. Por trás da imagem impecável do Senhor Black, porém, existem segredos, desejos sombrios e gostos sádicos que ele mantém cuidadosamente escondidos.

Ela é a filha dos antigos empregados da mansão Black. A garotinha assustada que um dia viveu sob o mesmo teto que Alarik agora é uma jovem determinada, procurando uma oportunidade para construir a própria vida. Quando surge uma vaga para trabalhar como secretária nas empresas Black, Angelina acredita ter encontrado a chance de que precisava.

O que ela não sabe é que Alarik nunca a esqueceu.

Para Angelina, aquele emprego representa independência e um novo começo. Para Alarik, representa a chegada da única mulher que desejou.

Dentro da empresa, ele é o Senhor Black, e ela, sua secretária.

Mas é depois das seis, quando as portas dos escritórios se fecham e as regras profissionais começam a desaparecer, que Angelina descobrirá quem Alarik Black realmente é — e até onde pode chegar a obsessão de um homem acostumado a ter o controle de tudo.

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Protegida
Onze anos antes Angelina era filha da empregada da mansão Black. Uma menina de apenas nove anos, de olhos grandes e quase sempre assustados, que tinha aprendido a andar se esgueirando pelos cantos para não incomodar ninguém. Já Alarik Black era o filho dos patrões. Tinha quinze anos, era calado, raramente sorria e parecia estar sempre esperando que alguém o atacasse para que ele pudesse revidar a altura, era um adolescente,mas parecia mais uma fera. Angelina ainda era criança demais para entender algumas coisas. Não compreendia por que Alarik era daquele jeito. Aos olhos dela, ele tinha tudo: paz, uma boa casa, as melhores escolas e uma tia que parecia ser apaixonada por ele. Angelina, por outro lado, tinha apenas a mãe, que estava doente, e um pai que parecia não gostar dela. Naquela tarde, ela havia ido se sentar em um canto perto do jardim. Queria desaparecer por algumas horas, principalmente porque sabia que o pai estava com raiva. Angelina tinha derramado uma lata de tinta guache sobre uma mesa. Tentou limpar como conseguira, mas tinha somente nove anos e, obviamente, não fez um bom trabalho. Quando escutou os passos do pai, encolheu os ombros. — Angelina! Ela nem teve tempo de responder. O senhor Maçom a agarrou pelo braço e a levantou com brutalidade. — Eu sempre disse à sua mãe que não devíamos ter tido uma criança, mas ela não me escutou. Sua inútil, imprestável! Vá limpar a bagunça que fez. Você ainda sujou o meu terno, e tenho que acompanhar o patrão em uma viagem. Angelina tentou acompanhá-lo enquanto era praticamente arrastada pelo braço. Até que alguém parou diante deles. Alarik. O garoto permaneceu no meio do caminho, impedindo que passassem. — Acho, senhor Maçom, que deveria soltar o braço da sua filha. O homem franziu a testa. — Ela fez uma coisa muito errada, Alarik. Os olhos do garoto ficaram ainda mais frios. — Para o senhor, é senhor Black também. Assim como chama meu pai. O homem ficou em silêncio. — Solte o braço da menina. — Se eu estiver corrigindo a minha filha, isso não é problema seu. — Se batter nela, vou fazer uma reclamação ao meu pai. O senhor Maçom soltou uma risada curta. — Seu pai não vai se importar. Ele provavelmente nem sabe o nome dessa minha filha. Alarik olhou para Angelina. Ela estava quieta, com o braço ainda preso entre os dedos do pai e os olhos cheios de lágrimas que tentava não deixar cair. Então voltou a encarar o homem. — Mas eu estou me importando. O senhor Maçom pareceu surpreso. Alarik continuou: — E daqui a três anos o seu chefe sou eu. Não o meu pense bem, se quer me desagradar. Tinha somente quinze anos, mas sabia exatamente quem era. Sabia o tamanho da fortuna que estava em seu nome e sabia que, quando atingisse a maioridade, muita coisa naquela casa mudaria. — Solte a menina. Dessa vez, o senhor Maçom obedeceu. Soltou o braço da filha a contragosto, ajeitou o próprio terno e seguiu em direção ao carro. Angelina ficou parada, esfregando o lugar onde os dedos do pai haviam apertado sua pele. Depois levantou aqueles olhos enormes para Alarik. — Obrigada. Deu dois passos em direção a ele e abriu os braços, pronta para abraçá-lo. Alarik imediatamente recuou. — Não se aproxime de mim, pirralha. Eu nem gosto de você. Angelina parou. Os braços foram baixando devagar. — Mas você me ajudou... — Isso não significa que gosto de você. Ele ajeitou a camisa, mantendo a expressão fechada. — E vou pedir ao meu pai que mande você para um colégio interno. Os olhos dela se arregalaram. — Não! — Você vive se esgueirando pela casa. — Eu não atrapalho ninguém. — E estava dormindo na minha cama. Angelina ficou vermelha,. dormiu na cama dele, porque o quarto dele era limpo e cheiroso. — Eu só dormi lá porque... — Não quero saber. As lágrimas que ela havia conseguido segurar quando o pai a machucou finalmente começaram a cair. — Por favor, Alarik. Não pede para me mandarem embora. Ele permaneceu imóvel. Angelina sabia que aquilo podia acontecer. Sabia também que o pai de Alarik provavelmente faria o que o filho pedisse. Afinal, mesmo sendo apenas um adolescente, Alarik era o verdadeiro herdeiro. Grande parte daquela fortuna nem sequer pertencia ao senhor Black, mas ao próprio Alarik Black. Mesmo sendo uma criança, ele entendia que dinheiro era o que importava para todos e era muito inteligente. — Minha mãe está doente — Angelina murmurou. — Eu não posso ir embora. Ele não respondeu. — Ela precisa de mim. Alarik continuou olhando para ela com aquela expressão impossível de decifrar. Angelina enxugou as lágrimas com as duas mãos. Não queria ir para um colégio interno. Sabia que a mãe estava cada vez mais doente e, mesmo sendo pequena, já havia entendido uma coisa que ninguém tinha coragem de lhe dizer diretamente: talvez não tivesse a mãe por muito mais tempo. Por isso, não esperou outra resposta. Virou-se e saiu correndo. Atravessou o jardim, passou pelos fundos da enorme mansão Black e correu até a pequena casa onde morava de favor com os pais dentro da propriedade. Entrou no quarto e fechou a porta. Só então se permitiu chorar de verdade. Do lado de fora, porém, Alarik continuava exatamente onde ela o havia deixado. O garoto olhou na direção em que Angelina desapareceu Ele não gostava quando ela entrava escondida em seu quarto. Não gostava quando mexia nas coisas dele. Não gostava quando aparecia atrás dele pela mansão. E certamente não gostava quando aquela pirralha se enfiava em sua cama, ela era uma criança e ele já um adolescente, não podia permitir aquilo, tinha que mandá-la embora. Em breve!

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