Inferno Demon Riders MC: Meus Cinco Valentões ObsessivosUpdated at Jun 10, 2026, 00:02
Alguma vez você já se perguntou como sua vida pode mudar tão drasticamente em questão de minutos? Eu costumava pensar que tinha a melhor vida. Estava cercada de amigos que me protegiam, uma mãe que me amava com todas as forças e toda a felicidade do mundo. Tudo mudou no dia em que minha mãe anunciou que ia se casar com um membro do clube de motociclistas Inferno Demons.
Não é que eu não gostasse do clube, ou do meu padrasto. Na verdade, eu fui o motivo pelo qual eles se conheceram em primeiro lugar. Foi o que veio depois que chocou o meu mundo.
Eu pensava que ser irmã de consideração de uma das pessoas mais próximas a mim seria a melhor coisa que poderia me acontecer, mas foi exatamente o oposto.
Da noite para o dia, minha vida mudou. Meus cinco maiores protetores e amigos mais próximos começaram a me ignorar. Fui ignorada, esquecida e deixada de lado. Mas eu nunca disse nada. Apenas aguentei tudo, esperando que as coisas voltassem ao normal.
Talvez eles tenham se cansado de mim. Talvez eu simplesmente não me encaixasse nesse estilo de vida de motociclista.
Eu estava me acostumando com a minha nova vida, mais ou menos, quando as coisas mudaram de novo…
Um pai sobre o qual eu não sabia nada, que não via desde que era pequena demais para me lembrar, de repente surgiu na minha vida. Era um estranho. Claro, ele tentou me visitar enquanto brigava com minha mãe pela minha guarda. Eu gostaria de saber que ele não tinha a menor chance de vencer aquela batalha judicial pela guarda.
Me prometeram que eu poderia voltar para casa para ver minha mãe. Me prometeram que o fato de eu ter sido forçada a sair não era o fim. Me prometeram que dois anos passariam voando, e talvez eu até me divertisse um pouco. Me prometeram muitas coisas.
E todas acabaram vazias.
Ninguém se importou. Ninguém verificou como eu estava. Ninguém ligou, mandou mensagem, visitou. Não que eles teriam permissão para isso.
Meu doador de esperma (como gosto de chamá-lo) mentiu. Descaradamente. Para todos nós. Para mim, minha mãe, o juiz, todos. E ele saiu impune.
Por mais de um ano, suportei dor e abuso. Fui subjugada pela violência. Me transformaram em alguém que eu não era.
Quando consegui escapar pela primeira vez, finalmente percebi porque ninguém tinha se preocupado comigo. Pensei que minha mãe estaria cheia de culpa, mas... não foi o caso. As mentiras que minha meia-irmã espalhou sobre mim pioraram depois que fui forçada a sair. Todos ficaram do lado dela, inclusive minha mãe.
É claro, fui encontrada de novo. Ou melhor, devolvida para evitar mais drama. Minha própria mãe me entregou de volta para o homem responsável pelo olho roxo que eu tinha, pelas marcas nas minhas costas, pelos... pesadelos que eu tinha. Ela me entregou como se eu fosse um objeto, e foi aí que percebi que não havia mais esperança para mim.
Foi o dia em que a primeira rachadura se formou no meu coração. Apesar de tudo pelo que passei, ainda achava que tinha pessoas que me amavam. Achava que tinha cinco protetores que estavam me esperando, achava que tinha uma mãe que daria a vida por mim, achava que tinha um lugar seguro para ir. Mas era tudo uma mentira. Eu estava vendo a vida com lentes cor-de-rosa, e agora eles estavam oficialmente fora.
Aquela rachadura se espalhou devagar. Oh, tão devagar, mas estava lá. Ela começou. Era tarde demais. Eu havia desistido oficialmente, mas não no sentido dócil. Não, na verdade, eu me tornei mais um problema. E era isso que eu queria: ser um problema para todos.
Até eu encontrá-lo.
Pela primeira vez, o barulho na minha cabeça estava quieto, a dor no meu peito aliviou um pouco, e por um breve momento, me senti segura. Ele me fez perceber que era isso que eu estava ansiando: segurança. E ele me entregou de bandeja.
Devia ter jogado fora aqueles óculos cor-de-rosa no momento em que os tirei, ao invés de segurá-los com a última esperança que me restava. Talvez eu tivesse percebido os sinais mais cedo. Talvez tivesse percebido as mentiras antes de colocar aquele anel no meu dedo. Talvez pudesse ter evitado mais uma decepção na minha vida.
Mas isso seria fácil demais. Isso seria bom demais. Isso seria... aparentemente, não o que eu merecia.
No entanto, desta vez, eu não ia desistir. Estava cansada de ser feita de tola. Estava cansada de ser abusada. Estava cansada de ser forçada.
Então, dei uma última chance. Apenas mais uma. Se morresse por causa disso, paciência. Mas se sobrevivesse... Se conseguisse realmente escapar... Poderia viver. Poderia realmente viver. Poderia recomeçar. Poderia ser livre.
Mas a liberdade sempre tem um custo. Devia ter sabido que seria pega. Não devia ter deixado cinco anos de liberdade subir à minha cabeça. Devia ter sido mais cuidadosa. Porque agora fui encontrada de novo, mas desta vez, não foi meu doador de esperma quem me encontrou, nem meu marido, nem minha mãe.
Foi Karma, o presidente do MC Demônios do Inferno, o garoto que costumava enxugar minhas lágrimas e me curar quando eu ralava os joelhos, e ele parecia uma fera por me ver.
Por que o Karma teve que me roubar da minha vida tranquila? Ele iria me enviar de volta para o meu doador de esperma e marido? Ele sabia o que passei? Alguém deles se importava?
E por que ele estava tão irritado com uma promessa que eles quebraram primeiro?