🩸1 -- A Torre 🩸
Toda a delegacia estava tensa pelo que havia acontecido. Parecia impossível na cabeça deles, mas realmente havia acontecido — não havia como negar.
— Só podem estar de brincadeira me dizendo que ele foi capaz de causar uma catástrofe dessas — disse o delegado, irritado com o ocorrido. — Como vamos explicar para todo mundo que o assassino que andávamos procurando não é nada do que parece?
— Eu sei, senhor, mas... — começou um dos policiais, antes de ser interrompido.
— Sabe? — perguntou o delegado com ironia. — Claro que sabe. A imprensa vai nos destruir. Imagina só a manchete...
— “Omega preso por assassinar o Ministro da Educação e toda sua equipe sozinho.” — disse uma voz ao entrar na sala sem bater. — Realmente é algo inacreditável.
— Deputado Choi. — o delegado levantou-se e fez uma reverência, seguido pelo policial e o detetive. — Não sabia que viria. Como ficou sabendo disso? — perguntou, apreensivo, pois ninguém deveria saber que haviam capturado o assassino.
— Tenho meus contatos. — Choi sentou-se no sofá ao lado do detetive, que permanecia calado. — Podem me explicar o que aconteceu? — pediu, e logo colocaram um computador à sua frente.
— Acho que as imagens falam por si só... — respondeu o detetive, cansado de ficar em silêncio.
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Algumas horas atrás...
“Ele entrou como se já conhecesse o lugar. Os seguranças apenas observavam o garoto de cabelos rosa passar, envolto por uma aura angelical e hipnotizante.
— Ei, você já viu ele por aqui? — perguntou um dos seguranças à recepcionista.
— Eu não me lembro, mas acho que sim. Aqui passam muitos ômegas e betas — respondeu, observando o garoto entrar no elevador. Ninguém o impediu ou questionou, era algo comum.
Ao chegar ao penúltimo andar, as portas se abriram revelando um ambiente cheio de segurança — a maioria alfas, o restante betas.
Eles olharam para o garoto que acabara de sair do elevador: alguns confusos, outros hipnotizados por sua beleza.
O de cabelos rosa lançou um olhar rápido ao redor e começou a andar em direção à porta principal. As pessoas davam passagem automaticamente. Quando alguém tentava questioná-lo, bastava um olhar calmo para fazê-los se calarem, perdidos na imensidão daqueles olhos azuis — tão profundos quanto o oceano.
Ele entrou na sala principal, encontrando o homem que procurava. O sujeito estava sentado, lendo alguns papéis, sem sequer levantar o olhar.
— Pode se sentar e tomar seu achocolatado. Em breve terminarei, e poderemos nos divertir — disse o homem, distraído.
O garoto não respondeu. Apenas se acomodou no sofá e bebeu o achocolatado preparado.
Depois de um tempo, o homem terminou o que fazia. Ao levantar o olhar, estranhou — não era quem esperava.
— Quem é você? — perguntou, levantando-se e se aproximando do garoto, que continuava relaxado. — Eu te fiz uma pergu...
Antes que terminasse a frase, uma lâmina cortou-lhe a garganta. O sangue jorrou, sujando o garoto e o sofá.
O homem caiu no chão, sem conseguir dizer uma palavra. Olhou uma última vez nos olhos frios e angelicais do assassino, antes de perder a vida.
O garoto de cabelos rosa levantou-se calmamente, foi até a mesa do escritório e abriu a terceira gaveta. De lá, retirou duas pistolas com silenciador, munições e um controle com quatorze botões — cada um correspondendo a um andar do edifício.
Com um sorriso quase inocente, apertou o botão do segundo andar.
O prédio estremeceu. Alarmes começaram a soar.
Batidas ecoaram na porta, seguidas de vozes apressadas.
— Senhor, precisamos... — o segurança que entrou primeiro não terminou a frase: um tiro certeiro entre os olhos o calou.
A partir daí, o caos começou.
O garoto, um simples ômega, trocava tiros com dezenas de seguranças alfas — e estava ganhando. Um por um caíam. Ele se movia com precisão cirúrgica, atirando para matar: cabeça, peito, partes vitais. Nenhum movimento desperdiçado.
Precisando de distração, apertou o botão do quinto andar. Outro estrondo.
Enquanto o chão tremia, saiu de trás da mesa e abateu o restante dos guardas, avançando até as escadas de emergência.
Ouviu passos atrás de si. Apertou o último botão — o do décimo quarto andar — e parte do teto desabou, esmagando quem o seguia.
Continuou descendo em alta velocidade, atirando em tudo o que se movia. Quando a munição acabou, guardou uma arma e pressionou três botões de uma vez, detonando os andares do décimo terceiro ao décimo primeiro.
Já no nono andar, um alfa enorme surgiu à sua frente.
Tentou atirar, mas o homem foi mais rápido, arrancando-lhe a arma da mão.
Avançou para socar o garoto — mas este desviou com agilidade, abaixando-se e empurrando-o escada abaixo.
O corpo m*l teve tempo de reagir antes de ser esmagado por um destroço. O garoto sorriu.
Seguiu descendo. Quando chegou ao sétimo andar, apertou mais dois botões — do nono e do décimo — e logo se arrependeu.
O prédio começou a desabar. Ele ainda estava longe do chão.
Sem outra opção, pulou.
O impacto o fez ranger os dentes, mas ele estava vivo. As pernas doíam, mas não o impediram de continuar.
No térreo, encontrou pessoas desesperadas tentando fugir.
Um segurança o golpeou no rosto — e caiu morto em seguida, com um canivete enfiado na jugular.
Outros tentaram atacá-lo e foram abatidos com tiros precisos.
Os poucos que restaram preferiram fingir que não o viram.
O garoto mancou até a saída.
Socorristas o confundiram com uma vítima e o colocaram em uma ambulância.
Durante o trajeto, olhou pela janela, um leve sorriso nos lábios, e apertou o grande botão vermelho no controle.
A explosão foi ensurdecedora.
O edifício ruiu, levando consigo três prédios vizinhos e dezenas de vidas.
Ele observou o clarão e fechou os olhos, satisfeito.
Número de mortos hoje: 277
Número de feridos: 23
Total: 300 pessoas”
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Agora
O vídeo terminou.
O promotor, que assistira tudo em silêncio, parecia cético — mas não podia negar o que via. Era difícil acreditar que aquele ômega havia causado tamanha destruição ainda mais sozinho. Precisava agir rápido. E, acima de tudo, manter o caso em segredo.
— E então, promotor? — perguntou o delegado, roendo as unhas de nervosismo.
— A Torre... — murmurou o promotor, quase para si mesmo.
Os outros, por instinto, entenderam o que ele queria dizer.
— Senhor, A Torre é... — começou o delegado, mas o detetive o interrompeu.
— Uma prisão de segurança máxima para alfas sanguinários e incuráveis, onde o único destino é a morte. — olhou diretamente para o promotor. — Não é, senhor?
— Exatamente isso. — respondeu o promotor, com um sorriso frio.
— Mas ele é um ômega! — protestou o policial, indignado. — Não sobreviveria nem um ano lá dentro!
— Essa é a intenção. — a voz do promotor ecoou pela sala. — Melhor morrer lá do que termos a imprensa descobrindo que o tão famoso “Suga” em vez de um alfa forte e cheio de cicatrizes — não passa de um ômega que m*l saiu das fraldas!
— E ainda que fomos incompetentes o bastante para não pegá-lo por um ano inteiro! — gritou, batendo a mão com força na mesa.
Silêncio.
— Muito bem, senhor — disse o delegado, apressando-se a digitar no computador. — Irei preparar tudo.
— Ótimo. Enquanto isso, quero vê-lo. — ordenou o promotor.
O policial e o detetive se levantaram, conduzindo-o até a sala de contenção.
Lá dentro, sentado, o garoto de cabelos rosa observava o vazio. O pé estava engessado, o rosto coberto por curativos — mas o olhar permanecia o mesmo: calmo, quase sereno.
— Este é Min Yongui. — disse o detetive. — Mais conhecido no mundo como Suga.