CAPÍTULO 1_A DIVIDA TEM NOME
Isabela
O cheiro de álcool barato e mofo impregnava cada canto da casa como uma segunda pele que eu nunca conseguia tirar. Naquela noite, porém, parecia pior. Mais denso. Mais sufocante.
Talvez porque, no fundo do estômago, eu soubesse que algo estava prestes a romper de vez o fio frágil que ainda segurava minha vida no lugar.
Meu pai gritava na sala.
A voz embriagada atravessava as paredes finas como lâminas enferrujadas. Ele sempre gritava quando perdia mais uma aposta, quando o dinheiro acabava antes do fim do mês, quando a realidade batia na porta.
A madrasta, Suelen, ria alto — um riso agudo, c***l, que ecoava como vidro quebrando. A televisão ligada servia apenas de ruído branco para o caos que era rotina naquela casa em Triunfo, Paraíba.
Um bairro pobre, esquecido, onde sonhos morriam antes de nascer.
Eu estava sentada na beira da cama estreita do meu quarto, os dedos apertando o tecido fino e desbotado do vestido simples que usava. Não era medo comum.
Era um pressentimento pesado, daqueles que fazem o estômago afundar e a pele arrepiar. Como se o ar tivesse ficado mais grosso, mais difícil de respirar.
Então a campainha tocou.
Uma vez.
Duas.
Três.
Toques firmes, sem pressa, mas com autoridade. Não era vizinho pedindo açúcar. Não era cobrador de luz. Meu pai calou a boca no meio de um palavrão.
Eu ouvi o silêncio cair como uma pedra.
Pela fresta da porta entreaberta, vi ele abrir a porta da frente. Empalideceu tanto que a pele pareceu virar cera. Do lado de fora, três homens.
Ternos escuros, cortes impecáveis, relógios que brilhavam mesmo na luz fraca da rua esburacada. Não pertenciam àquele mundo. Eram de outro lugar. Outro nível.
Um deles falou baixo, em português carregado de sotaque estrangeiro.
— A dívida venceu.
Meu pai caiu de joelhos no chão sujo da sala. Literalmente. Os joelhos bateram com força contra o piso rachado.
— Não… por favor… eu preciso de mais tempo…
Foi quando eu senti. Não vi ainda, mas senti. Uma presença que mudou a densidade do ar. Pesada. Dominante. Como se o oxigênio tivesse sido sugado e substituído por algo frio e metálico.
— Tempo é um luxo que você não pode mais pagar — disse uma voz grave, fria, impaciente. A voz veio de trás dos outros homens, mas parecia preencher todo o espaço.
Eu me levantei sem pensar. Meus pés me levaram até a porta da sala. E quando meus olhos finalmente encontraram os dele, o mundo parou.
Dimitri
Ela não estava no acordo.
Essa foi a primeira coisa que pensei ao vê-la surgir na porta da sala como se o inferno tivesse cuspido uma chama teimosa.
Pequena — talvez 1,65 m —, mas não fraca. Cabelos longos e ondulados caindo sobre os ombros, pele morena que contrastava com o vestido simples e gasto. Olhos castanhos escuros, grandes, desafiadores demais para alguém que cresceu naquele buraco. O corpo tenso denunciava medo, mas o que realmente chamou minha atenção foi o que ela não fez: não abaixou o olhar. Não tremeu visivelmente. Não implorou.
Quase sorri.
O pai dela estava ajoelhado aos meus pés, chorando como um rato encurralado. Eu já tinha visto dezenas iguais. Homens que apostaram alto demais, que pediram dinheiro à Bratva achando que nunca seriam cobrados. O nome dele — João Mendes — constava na minha lista havia meses. Dois milhões e trezentos mil reais. Juros compostos. Uma quantia que ele nunca teria.
— Você prometeu dinheiro — eu disse, primeiro em russo para meus homens, depois em português lento e claro. — O que me entregou foram desculpas.
Ele apontou para ela com mãos trêmulas, suadas.
— Eu… eu não tenho mais nada… só ela…
O silêncio caiu pesado como chumbo.
Os olhos dela se arregalaram, mas não houve súplica nos olhos. Houve fúria pura. Uma faísca que me fez inclinar a cabeça, curioso.
— Eu não sou moeda de troca — ela disse, a voz firme demais para alguém na posição dela. — Não sou propriedade de ninguém.
Interessante.
Aproximei-me devagar. Cada passo calculado para que ela sentisse o peso da minha presença. Eu gostava de observar reações quando as pessoas percebiam quem realmente mandava. Ela recuou apenas um centímetro. Orgulho. Coragem. Ou pura teimosia.
— Seu nome — exigi, parando a dois passos dela.
— Isabela — respondeu sem hesitar. — E você é um covarde se acha que vai me comprar como se eu fosse um objeto.
Meu maxilar travou. Ninguém me chamava de covarde. Ninguém vivo.
— Dimitri Volkov — respondi, voz baixa. — E eu não compro pessoas. Eu cobro dívidas.
Passei o olhar por ela sem disfarçar. Não era desejo ainda — era avaliação. Inteligente. Boca afiada. Corpo que carregava marcas invisíveis de uma vida dura. Perigosa. Do tipo que não se quebra fácil. Do tipo que pode quebrar você se não tomar cuidado.
— Você vem comigo — concluí. — Não como escrava. Como garantia.
Ela riu. Um riso curto, nervoso, provocador.
— Garantia de quê? Que meu pai continue sendo um lixo?
Cheguei mais perto. Perto demais. Senti o perfume barato dela misturado ao cheiro de adrenalina e medo contido. Ela sentiu meu tamanho — quase dois metros —, minha presença, o perigo que eu carregava como segunda pele. As tatuagens no meu pescoço e pulsos pareciam pulsar sob a luz fraca.
— Garantia de que ele continuará respirando — respondi, voz baixa.
Os olhos dela escureceram. Não de medo. De raiva.
— Então mata logo — ela sussurrou, tão perto que senti o calor da respiração dela. — Porque eu não vou te implorar.
Aquilo… aquilo despertou algo em mim. Não piedade. Interesse. Um calor perigoso que eu raramente permitia.
— Arrume suas coisas, Isabela — ordenei. — Você vem para Moscou comigo.
— E se eu disser não?
Inclinei o rosto até quase encostar no dela. Voz baixa. Mortal.
— Você já disse sim no momento em que nasceu filha dele.
Isabela
Quando subi no carro preto naquela madrugada, o couro frio do banco grudou na minha pele como uma sentença.
O motor ronronou baixo, quase um ronco de predador satisfeito. Dimitri estava ao meu lado, silencioso, tatuado, c***l e absurdamente perigoso. Ele não olhava para mim agora — olhava pela janela, como se eu já fosse parte do cenário que ele controlava.
Eu sabia: minha vida tinha acabado.
Ou estava apenas começando.
E o homem ao meu lado era o responsável por isso.
O carro acelerou pela rua esburacada, deixando para trás a casa podre, o pai covarde, a madrasta venenosa. Deixando para trás tudo o que eu conhecia.
Mas eu não chorei. Não implorei.
Eu encarei o reflexo dele no vidro escuro e pensei:
Se isso é o fim… então vou fazer desse fim o meu começo.
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🔥 Cliffhanger
Isabela deixa o Brasil. Dimitri a leva. Nenhum dos dois imagina até onde essa dívida vai chegar — nem o quanto ela pode custar a ambos.
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Oi, lindas!
Sabem aquela vontade louca de devorar a história em uma sentada só? Pois é, eu também amo assim! Por isso, os capítulos são curtos e cheios de tensão, romance dark, possessividade e aquele fogo que não deixa a gente parar.
Leiam no ritmo de vocês: um capítulo antes de dormir, vários de uma vez quando o vício bater… o importante é sentir cada batida acelerada do coração da Isabela e cada olhar gelado do Dimitri.
Se quiserem mais intensidade, mais hot ou mais drama, comentem aqui embaixo! Vocês mandam nessa jornada.
Beijos quentes e obrigada por estarem comigo nessa dívida perigosa. 🔥
Leiliane