Chapter 4

1536 Palavras
– EU ODEIO VOCÊ! - Louise grita pela quinta vez, os vidros chegam a vibrarem sobre os cômodos da casa. Reviro meus olhos e bufo três vezes seguidas. Eu gostaria de ter o pescoço de Roux bem em minhas mãos, mas infelizmente ele havia ido embora junto com Eric após dizer para Louise o que nós estávamos fazendo e ela dar o seu surto, causando diversão nele e pavor em Eric. – Eu já disse que não foi bem assim. - repito, pela quarta vez. – NÃO? - ela permanece gritando. Seu rosto está molhado, suas bochechas inchadas e a maquiagem borrada. – Você está querendo roubar o meu papel, está querendo roubar a minha vida. - ela se vira grunhindo de raiva. Seus cabelos são desalinhados pelas suas próprias mãos. Respiro fundo e dessa vez não respondo. Cruzo os meus braços e ergo a minha sobrancelha a encarando esnobe.  Louie sempre fora assim, desde criança, cheia de ego e de convencimento. Sempre achou que todos a queriam invejar e que ela é melhor que tudo e de todos, e as pessoas ao seu lado, bem, as pessoas ao seu lado a ajudavam nisso, já que tudo o que Louise queria, ela conseguia com uma facilidade absurda. Chega a ser irritante, mas eu nunca dei tanta importância a isso. – LAUREN! - grita após perceber que não a responderei. – Ouça: - peço, estralo a minha língua no céu da boca e coloco minhas mãos no meu cabelo. – A professora substituta é uma espécie de fanática artística e você e o Eric não deram valor a arte quando destruíram a biblioteca com suas perversões e vandalismo. - ela faz menção de me responder, mas eu sou rápida em lhe responder. – NÃO PEDI A PORCARIA DESSE PAPEL. - eu grito. Ela fecha a boca assustada, ela quase nunca me via furiosa. – Não fale comigo como se eu fosse as suas colegas que abaixam a cabeça para o que você diz. Eu sou sua irmã e sou sua irmã mais velha, você me deve respeito. - Louie sorri esnobe, mas acabo por ignorar. – Olha, me desculpe, mas eu não queria estar nessa situação, pelo menos, não com o Peter. - sou honesta. Louie umedece seus lábios e torce o nariz. Ela passa as mãos nos seu rosto úmido e inchado, balança a cabeça positivamente e em seguida, arruma o cabelo que havia desarrumado minutos atrás. – Tudo bem. - após minutos de silêncio absoluto, ela diz. – Boa sorte. - ela sorri, franzo a minha testa. – O quê? - pergunto, realmente surpresa. – Isso, boa sorte. - simplesmente diz, engolindo o choro que antes estava preso na sua garganta. – Se eu não consegui, ninguém melhor do que a minha irmã. - ergo meu queixo e torço o nariz. Ouço o barulho da porta se abrir e quando eu olho então, mamãe e papai adentram sorridentes. A noite realmente parece ter sido boa para ambos, que param no meio da sala, olhando para nós duas. – O que está acontecendo? - mamãe pergunta. – Nada. - Louise responde por nós. Ela vira-se sorrindo. – Eu estava apenas desejando boa sorte a Lauren para o seu teste. - sua voz havia mudado. Ela está diferente e parece realmente feliz por mim, é esquisito. – Como foi a noite de vocês?   Fecho a porta do meu armário após recolher do pequeno espaço retângulo meus livros de biologia e química. Me deparo com a figura icônica e humorada de Peter encostado no armário ao meu lado, eu não havia ouvido seus passos e nem ao menos sentido a sua presença nesse tempo, por isso, acabo por levar um leve susto ao ver o loiro.  – Desculpe por ontem. - ele é o primeiro a dizer, iniciando um assunto que eu não sabia como iniciar. – Você conseguiu controlar a louca da sua irmã? - solto uma risada baixa. – Não. - fecho o cadeado no armário verde e abraço os livros contra o meu corpo. – Ela acabou cedendo e desejou-me boa sorte. - faço careta. – Então acho que você deveria dar outra resposta. - ele responde. Fecha as suas mãos nas alças da sua bolsa cinza. – Não, eu conheço a minha irmã. - digo. Nós começamos a andar pelo corredor branco, límpido e vazio em direção ao laboratório. – Louie é legal, mas sabe ser cínica quando quer. Ela tem muita posse de si e das coisas que ela considera dela, ela não cederia fácil assim. O papel ainda nem é meu, mas... - paro em frente ao laboratório e respiro fundo. – Sei que ela vai fazer um inferno se eu conseguir. – Sua irmã é deveras doida. - rimos. Eu concordo com a cabeça. – Mas, tenha um pouco de fé nela, vai que ela mudou de ideia e percebeu que Romeu e Julieta é a peça de teatro mais ridícula escrita pelo homem. - reviro os olhos, bem desacreditada. – Vamos ensaiar hoje? - ele muda de assunto, eu umedeço meus lábios e concordo . – Sim, mas acho melhor conversarmos com a Lilian primeiro. - ele assente com a cabeça. Abro a porta do laboratório e estico meu braço para dentro do mesmo pedindo que ele entre no laboratório vazio. – Primeiro as damas. - ele gargalha de maneira falsa e depois, para imediatamente e mostra-me o dedo do meio.   Louise Fernández's POV Atiro a minha mochila sobre a cadeira vazia da lanchonete do shopping. Eric não se assusta, já havia me visto chegar quando estava a cerca de dez metros do seu corpo. Retiro o meu boné e jogo o acessório branco em cima da mesa, eu ainda estou furiosa e ironicamente, o fato de não ir para a escola me deixa mais irritada ainda. Ter que sustentar a mentira para os meus pais, o cinismo para Lauren e a vontade de avançar na cara da minha irmã era algo brutal dentro de mim. Eric abaixa o celular prateado da sua vista e finalmente me olha,  segue-me com sua íris clara até que eu me sente na cadeira de ferro em sua frente. Não íamos para a  escola devido a suspensão, mas saíamos todos os dias, no mesmo horário, com a mochila vazia em direção ao mesmo shopping, somente para não causar desconfiança, bronca e castigo vindo de nossos pais devido a nossa pequena infração no colégio dois dias atrás. – Bom dia para você também. - ele profere e então bloqueia o aparelho telefônico e guardando-o no bolso de sua calça. Eu não o respondo, apenas procuro o meu celular dentro do bolso do meu short. – Sabe, no Texas, após esse lance de boa educação, é de costume que as pessoas respondam. - reviro os meus olhos e desbloqueio o meu celular digitando os números. – Eu sei como é o Texas, Eric. - digo rude. – Já estive lá e não gostei. - ele fecha a cara. Eu sei o quanto ele admira o seu estado e as coisas que vem de lá, chega a ser irritante a maneira como ele quer que eu o ouça falar do estado caipira e de suas tradições. Ele não responde ao meu insulto, pelo contrario, ele apenas tenta sorrir da melhor maneira. Não somos diferentes, na verdade, somos iguais, mas eu sou bem mais temperamental do que ele, Eric é calmo como a brisa do mar e eu, na maioria das vezes, também sou, mas pouca coisa pode me transformar em uma grande tempestade e causar grandes náufragos e estragos incalculáveis. – Dá para acreditar que ela está tentando roubar o meu papel? - inicio outro assunto, jogando meu celular sobre o mármore gélido e estranho da mesa. –  E o seu irmão o seu. - quero gritar, mas me controlo. – Louie, você está exagerando. - Eric diz tranquilo. Há um simples copo de refrigerante em suas mãos da qual ele bebe goles enormes. – Peter não quer roubar o meu papel, na verdade, eu estou bem f**a-se para isso. Você me obrigou a fazer essa porcaria. - entreabro a minha boca surpreendida. – VOCÊ ESTÁ DO LADO DELES? - grito. Mas soa irrelevante devido ao barulho das pessoas ao nosso redor. – Não existe lado, Louie. - torço o nariz e reviro os meus olhos. – Existe você querendo fazer caso por causa de uma peça de teatro do colegial. Bato minha mão na mesa e me levanto, ignorando-o completamente e puxando a minha bolsa. Eric não me chama quando eu saio sem responder a ele, porém eu não me importo, talvez se chamasse, iriamos gerar uma grande confusão no meio da praça de alimentação. Eu odeio ser tratada assim, eu odeio quando falam comigo como se eu fosse fútil. E talvez eu seja, mas é uma coisa minha, eu tenho que ter consciência disso, mas acontece que eu também odeio se desafiada e odeio quando tentam me fazer de trouxa como Lauren acha que está fazendo. Ela ganhará esse papel, isso é fato, eu conheço o seu talento, mas ela não vai subir naquele palco e ganhar as glórias que eu deveria ganhar. Eu não permitiria.
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