Busco a planta da linha indicada por ele, e desço pelas escadas rolantes. Mesmo à noite o metrô está muito cheio e há pessoas disfarçadas por todos os lados. Paro em pé, segurando o puxador da minha mala, esperando-o chegar.
No letreiro marca que faltam sete minutos. Que vontade de fumar um cigarro, mas aqui embaixo é proibido. Fico esperando apreensiva, até que o tempo passa.
Um cara sai do metrô depois de algumas pessoas, com uma blusa de manga cumprida preta, e uma calça jeans da mesma cor, rasgada. Todo de n***o, sim, dos pés à cabeça, com muito spray no seu cabelo repicado. Seus olhos azuis contrastam na pele branca.
Imediatamente estou vermelha, num ato involuntário. Vejo como ele me caça com o olhar, e não me movo para poder ficar apreciando como ele atua quando não sabe que o vejo. Um pouquinho stalker, não?
Ele me encontra, todo atrapalhado, e abre um sorriso escancarado, expondo esses dentes tão perfeitos que ele tem. Eu, por minha vez, mostro um mais tímido. Armando caminha ao meu encontro.
─ Lynn! - ele me puxa para um abraço apertado, assim que estamos a poucos centímetros. É um ato efusivo, que me faz sorrir imediatamente. Uma mão sua está ao redor da minha cabeça, e o outro braço nas minhas costas, puxando meu corpo e obrigando-o a se pregar no dele. Seguro os seus dois ombros, retribuindo o abraço.
─ Nossa... - Rio envergonhada alguns segundos.
Depressa, ele se separa e me olha no rosto, ainda com um sorrisão.
─ Você pintou o cabelo de lilás! - ele dá uma gostosa gargalhada.
─ É roxo! - exclamo, sorrindo.
─ É lilás... - ele resmunga. ─ Você é downtônica, ou quê?
─ É roxo. Na caixa vinha escrito roxo! Larga de ser chato!
─ Você tá me zoando? Eu posso não estudar nada de nada, mas enquanto ao que se refere a mistura de cores, tons e sub-tons eu sou especialista!
Reviro meus olhos.
Só então reparo que ele está implicando comigo de propósito, com esse sorriso burlesco e sarcástico. O mesmo vai fechando, assim que nossos olhares se encontram. Os olhos dele estão brilhando, e a atmosfera parece haver acabado de mudar, ficando sexualmente tensa.
Olho para baixo lentamente, mas antes de completar o ato de timidez sinto como ele ergue meu queixo com seus dedos, de um jeito pausado e delicado.
─ Vai ficar tudo bem. - Ele diz, ladeando um sorriso.
─ Como você sabe? - pergunto, quase murmurando, enquanto ele me obriga a olhá-lo.
─ Porque o papai está aqui. - Ele diz de um jeito lento, levemente brincalhão, e com uma malícia tão profunda como o timbre sexy da sua voz.
Até então, eu não sabia quantos significados essa frase carregava. Não sabia tudo o que ele queria dizer com "papai". Nem da vontade que ele tem de "cuidar de mim", desde os sentidos mais puros e emotivos do sintagma aos mais deliciosos.
─ Papai? - pergunto, surpresa e zombada.
Ele dá um risinho sacana.
E muda de assunto.
─ Temos que guardar a sua mala. - Diz Armando. ─ Como a gente vai sair por aí podemos deixá-la nos armários da estação e logo vir pegá-la.
─ Tá... Mas... Mas, Armando... Eu estou sem lugar para onde ir por pelo menos uma semana.
Ele para em seco e me olha, sério e surpreendido.
─ Ué... Mas... Você não tem nem... Sei lá, a casa de uma tia ou algo do tipo? - Armando dá um risinho sem graça.
Franzo as sobrancelhas, pondo cara de cachorrinho morto, esperando que ele me entenda sem que eu precise dizer nada.
─ Fica comigo em casa. São só uns dias, não é? - Ele se pronuncia, captando minha expressão.
Assinto.
─ Sério mesmo?!
Ele assente de volta.
─ Obrigada. - Digo, abrindo um sorriso apenado.
Ele o corresponde e passa um braço por cima do meu ombro, e começamos a caminhar.
─ Vamos por aqui. - diz Armando. ─ Por dez euros há um serviço onde eles guardam malas por até 48 horas.
─ Que legal. Eu não sabia. - Sorrio de um jeito terno.
Toda vez que nós nos olhamos sinto que ele fica encantado, como agora. Isso acaba de me deixar com as bochechas coradas. Não entendo por que ele gosta tanto de mim.
─ É muito lindo o seu jeitinho. - Armando diz baixo, como se acabasse de ler os meus pensamentos.
─ Hm?
─ Mhuhm. Você é fofa. - Ele diz. ─ Bondosa.
─ Bondosa como?
─ Não sei, Lynn. É o seu jeitinho, apenas. É positivo, meigo.
Rio levemente outra vez, envergonhada.
─ Viu? - ele diz, sorrindo e corando.
Encontramos a empresa que guarda as malas e deixamos a minha ali, depois de pagar. Fiquei meio ansiosa por estar gastando dinheiro num momento em que eu deveria estar economizando, mas logo liguei o f**a-se.
Depois nós saímos juntos da estação do metrô e fomos andando depressa sem saber
─ Será que nós não vamos pegar um herpes bebendo desse copo? - Armando está de pé, rindo gozado de orelha a orelha, enquanto está a ponto de despejar Ron da garrafa de Barceló que compramos há pouco no Paquistanês.
─ Hahaha. Olha, na verdade é um risco. - Falo sorrindo
enquanto ele me olha e prepara a bebida com cola para nós dois.
─ Sim, claro que há risco. Mas bom, você não jogava "el duro"?
─ "El duro?" - pergunto, maliciando.
Armando abre um sorriso ladeado e safado.
─ "El duro." - ele repete, capturando minha maldade, mas sendo sério mesmo assim. ─ ... Isso é um jogo onde cada participante coloca um copo cheio de bebida no centro da mesa, formando um círculo. E logo um copo extra bem no meio. Se a moeda cair em um dos copos, o dono do copo bebe o shot. Se cair no copo do meio, todos bebem e o último em acabar bebe o copo do centro. Se não cair em nenhum, o jogador passa a vez.
─ Hmm. - Assinto. ─ Eu já joguei sim, mas já tem tempo.
Armando segue falando mesmo assim.
─ Era uma ótima forma de ficar bêbado, não? Às vezes tentavam fazer com que a moeda sempre caísse no meu copo, esses filhos da p**a.
Dou um risinho.
─ É verdade, dava para acabar bem bêbado. Mas eu morria de nojo desse jogo para ser sincera. - comento.
─ Bom. Não importa. O importante é que se você bebia shot de aguardente com uma moeda de cinco centavos dentro e pôde sobreviver, esse copo não vai matar nós dois. - Justifica ele, sobre este copo de plástico que achamos abandonado numa esquina.
─ Seu doido. - Gargalho. ─ Olha, espera. Tá limpo? - o pego e analiso as bordas. ─ Ah, tá sim.
─ Nah! - burla Armando, como se estivesse dizendo "nós não ligamos para nada".
Repito seu gesto e caímos no riso.
─ Esses moleques de quinze anos filhos da p**a. Você viu? Eles esgotaram os copos. - diz Armando, brincando.
Quando fomos comprar álcool, não tinha nenhum no mercado.
─ Eles tinham que deixar nós, os adultos, bebermos. E ir para casa estudar. - Faço um gesto com a mão, severo. Mas estou sendo totalmente irônica.
Armando me olha e apenas ri, todo vermelho.
─ Bom, coisinha lindinha. Bebe aí esse Ron. Você ama Ron, não é? Você só bebe isso. - Armando abre um sorriso ladeado, seu ritmo motriz, sempre acelerado, abaixa sutilmente.
─ É o que eu mais gosto de beber. - Respondo, pegando o copo e dando uns bons goles. ─ Ah! Que delícia! - exclamo, sorrindo.
─ Eu gosto de Ron. Mas eu prefiro uísque. - Ele ladeia um sorriso, enquanto caminhamos.
─ Hm. Macho alfa. - Ladeio um sorriso malicioso.
Armando gargalha.
─ Eu estou falando sério. - Ele diz, após rir. ─ Beber uísque e ser um macho alfa são coisas que não necessariamente vão conectadas. Mas bom, no meu caso é verdade. - Armando fala a última frase firme, com um fundo de gozação.
─ Mmm... - murmuro, provocativa.
─ Não acredita? - ele ergue uma sobrancelha e lambe seu lábio inferior, enquanto me olha. ─ É verdade que você é linda como uma deusa, mas nem por isso você me intimida. - Armando pisca um olho. ─ Eu me garanto cem por cento.
Fico levemente corada.
─ Você também é lindo, ou não se olha no espelho? - Rebato, para esconder minha timidez.
─ Mhuhm. Eu não sou um narcisista que nem o tal do Casandro, que você ama. De vez em quando eu preciso de reafirmação.
Rio.
─ Pois eu acho você um gato. - Bebo outro delicioso gole.
Paira um silêncio neste momento, sexualmente tenso. Olho para o lado, e ele está me observando. Vejo como Armando morde o seu lábio inferior assim que capta a minha atenção. Essa cena bambeia minhas pernas e acaba com a minha graça, me deixando séria e excitada.
A boca dele é muito vermelha, muito gostosa, com esses dentes brancos por cima, esses olhos claros que me olham morrendo de t***o, os músculos do braço dele que ficam marcando no suéter. Ele é super bonito, pelo amor de Deus. Estaria sendo hipócrita se eu dissesse que não estou morrendo de vontade de sentar no p*u dele. É algo inevitável e acho que acontece com qualquer garota que converse com o Armando de perto. O cara tem um... s*x-appeal, sabe?
─ Eu sou "gato"? - ele pergunta arrastadamente, sensualmente, provocante.
Assinto, ainda mais nervosa.
Vejo um sorriso ladeado se abrir no rosto dele. Era essa a intenção desse pilantra, me deixar tímida.
Ele vai se aproximando de mim aos poucos. Pega a minha cintura e encaixa suas pernas entre as minhas. Sinto como o corpo dele é super quente e o meu amolece enquanto ponho as mãos abertas em seu peito duro, delicioso. Ele pega a minha nuca e me olha nos olhos.
─ Então me beija. - Armando sussurra, com a cara toda pícara e tarada. ─ Eu acho você muito gostosa. - Ele fala com sensualidade, quase colando a boca na minha. Fico excitada com o elogio e seguro sua nuca, ficando na ponta dos pés. Sinto os meus s***s espremendo contra o peito dele e dou um gemido baixo e contido.
Iniciamos um beijo de língua profundo, ambos de olhos fechados. É molhado e intenso, me dá vontade de gemer, mas tenho vergonha de parecer uma gata no cio, que ele pense que estou caidinha por ele, que sou fácil de ter.
É ele quem domina o beijo, eu só sigo o ritmo. Mesmo assim é tão gostoso que dentro das minhas pálpebras fechadas estou revirando os olhos.
Armando dá um tapa sacana num lado da minha b***a, ainda pegando minha nuca. O ato me arranca um gritinho de t***o, à força. Merda.
Que isso, Armandinho... Pelo amor de Deus, não seja gostoso. Não seja, não seja. Não quero me apegar.
Ele morde o meu lábio inferior e solto ar quente na boca dele, de t***o puro. O p*u dele está duro no meio das minhas pernas. Super quente, super grande.
─ Ain... - Gemo, suspirando, e aperto um dos seus bíceps, toda excitadinha. Sinto ele segurar a minha cabeça e arrastar a sua boca molhada pelo meu rosto, distribuindo beijos úmidos, até chegar na minha orelha.
─ Hmmm.... - Ele geme rouco e grave, minha b****a recebe uma fincada. ─ Eu vou chupar você toda. - Armando sussurra, com firmeza. Dou outro gemido quase inaudível. ─ Você é gostosa demais, Lynn... E ainda curte umas palmadas. Hm? Não é?