CAPÍTULO 13 CECÍLIA NARRANDO Os dias foram passando devagar. Meu pai já estava um pouco melhor. A recuperação vinha lenta, mas vinha. Eu passava as manhãs no hospital com ele. Sentada ao lado da cama, segurando sua mão quando ele acordava. Lendo relatórios da fazenda enquanto fingia que não estava com medo. Eu sempre fui forte. Mas quando se trata do meu pai… eu ainda me sinto menina. Naquela manhã, depois de sair do quarto dele, desci até a cafeteria da frente da praça. Precisava de café. Precisava respirar. Foi quando eu ouvi aquela voz conhecida demais. — Cecília, minha querida! Virei o rosto. Glória. A esposa do prefeito. Sempre elegante demais para qualquer ambiente. Vestido impecável, bolsa de grife, perfume que chegava antes dela. Um sorriso ensaiado que nunca alcançava

