CAPÍTULO 12 AUGUSTO NARRANDO Eu ainda olhei uma última vez pela janela antes de seguir o Jorge pelo corredor. A loira continuava lá do outro lado da rua. Mas dessa vez ela já não parecia distraída. Estava séria. Pensativa. E por um segundo estranho… parecia que sabia exatamente quem eu era. Balancei a cabeça, afastando aquilo da mente. — Vem, homem — Jorge chamou. — Se tu continuar olhando pra rua assim vai acabar tropeçando na própria herança. Entrei no escritório administrativo com ele. Era uma sala ampla, organizada demais. Mesa grande, computador moderno, pastas alinhadas por cor. Ar-condicionado ligado — coisa que eu nunca tive na casa de peão. Fechei a porta atrás de mim. — Senta aí — ele apontou pra cadeira de frente à mesa. — A gente precisa conversar sério. Sentei devagar

